terça-feira, 31 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0503 - DEUS USA A DESOBEDIÊNCIA TAMBÉM PARA SUA GLÓRIA!

 


Mas, se a nossa injustiça evidencia a justiça de Deus, que diremos? Seria Deus injusto por aplicar a sua ira? Falo em termos humanos. É claro que não. Do contrário, como Deus julgará o mundo?” (Rm 3.5,6).


Não há nenhum mandamento que proíba Deus de trabalhar com o bem ou com o mal. Sendo assim, Deus é livre para mexer com o mal tanto quanto é livre para mexer com o bem. Nós sim, somos proibidos por Deus de trabalhar com o mal, portanto, quando o fazemos, então pecamos e somos justamente punidos por isso. Já esse caso não se aplica a Deus. Ele trabalha com o que quer e da maneira que quer.

Uma vez Deus ordenou a Jonas que pregasse em Nínive sobre a destruição daquela cidade. Como sabemos, o profeta fugiu para o lado oposto, indo de navio para Társis, provavelmente localizada no que hoje é conhecido como o sul da Espanha. Como conhecemos a história do livro deste profeta, entendemos, ao final, que Deus queria salvar aqueles ninivitas. Deus disse que teve compaixão deles (Jn 4.11), portanto, eles foram salvos. O próprio Jesus testemunhou a salvação de tais ninivitas (Mt 12.41).

Jonas seria castigado por sua desobediência. Tal rebeldia quase lhe custou a vida. Só não foi assim porque Deus queria que ele mesmo, Jonas, proclamasse a mensagem a qual ele se recusava a proclamar. Foi lançado ao mar, foi engolido por um grande peixe (provavelmente uma baleia mesmo, visto que na época, a observação do autor era limitada por uma abordagem científica mais restringida). Vomitado na praia (não de Nínive, pois ali não havia praia), ele percorreu cerca de 800 km a pé para ter que cumprir sua missão.

No entanto, Deus, apesar de ter punido Jonas por seu pecado de rebeldia, usou de forma soberana e gloriosa a desobediência de Jonas para salvar marinheiros estrangeiros! Diante da tempestade incessante, aqueles homens perguntaram a Jonas sobre sua procedência. Ao dizer que era servo do Deus que criou todas as coisas, Jonas fez cair temor sobre as consciências daqueles marujos. Pediu então que eles o lançassem ao mar e a sua fúria cessaria.

Reticentes, assim o fizeram e, ao perceberem que de fato tudo se acalmou, aqueles homens temeram muito ao Senhor, ofereceram sacrifícios ao Senhor e fizeram votos! O autor aqui quer nos fazer convictos de que tais marinheiros foram salvos! Ele usa o nome sagrado de Deus para dizer “Senhor”! É o nome da aliança, mais pronunciado (ou evitado) como Yahweh!

Na desobediência de Jonas, Deus salvou alguns marinheiros. Na obediência, Deus salvou centenas de milhares de ninivitas! Mas será que podemos então usar o pecado como desculpa para que Deus manifeste Sua glória? Paulo responde assim: “E, se a minha mentira faz com que aumente a verdade de Deus para a sua glória, por que ainda sou condenado como pecador? E por que não dizemos, como alguns caluniosamente afirmam que o fazemos: ‘Pratiquemos o que é mau, para que nos venha o que é bom’? A condenação destes é justa” (Rm 3.7,8). Não arrisque.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 29 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0502 - O PACTO DE DEUS

 


E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra” (Gn 9.11).


Nas páginas da Escritura sempre iremos nos deparar com esta palavra, ou um de seus sinônimos: concerto, aliança, testamento ou pacto. Deus é um Deus relacional. Claro que Ele também é transcendente, isto é, inatingível, porém, um de Seus atributos é a imanência, ou seja, que Ele também Se condescende e Se relaciona com Suas criaturas. Ele não é aquela divindade distanciada do homem, como vemos nas falsas religiões.

O fato de Deus Se relacionar com o homem, ainda que este tenha caído no pecado, mostra ainda mais agudamente a imanência de Deus. Este atributo (a imanência) teve seu caráter mais pleno quando o próprio Deus veio a nós, na figura de Seu Filho, assumiu nossa carne e morreu nossa morte. Mas antes disso, Deus vinha Se revelando a alguns de Seus servos e fazendo com eles uma aliança, um pacto. Foi assim com Noé, com Abraão, Davi e outros personagens do AT.

Quando se diz “estabelecer um pacto”, na língua hebraica dá a entender “cortar em pedaços”. Era uma forma sangrenta que os homens faziam seus acordos. Matavam animais e eles passavam entre as partes cortadas fazendo juras e promessas um ao outro e, de tal modo inquebráveis, que se isto (a quebra) viesse a ocorrer, eles estavam jurando que seriam também despedaçados como aqueles animais.

Em todo pacto de Deus com os homens havia sacrifício. Noé sacrificou a Deus (Gn 8.20), Abraão também (15.9,10), na lei de Moisés nem se fala... Mas Deus fazia isto para mostrar aos homens Sua fidelidade. Os homens eram infiéis em suas alianças uns para com os outros e a morte de animais era como uma jura de garantia do pacto. Deus Se permitia a fazer esse tipo de sacrifício, por dois motivos, um momentâneo e outro futuro.

Momentaneamente, porque os homens eram incrédulos, e só acreditariam mediante uma prova ou juramento. O autor aos Hebreus diz que Deus, não havendo ninguém maior que Ele por quem jurar, jurou por Si mesmo (Hb 6.13-20) para conceder confiança a Abraão. Mas o motivo futuro era o Seu próprio Filho. O autor aos Hebreus entende essa figura e diz: “a qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até o interior do véu, onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (vs. 19,20).

Todos os pactos antigos apontavam para o verdadeiro pacto, a aliança feita com Jesus. Ele é a nossa âncora da alma segura e firme, pois foi o único que jamais quebrou o Seu pacto com Deus! Os sacrifícios antigos mostravam que haveria um sacrifício perfeito e, baseado nele, Deus incluiria muitos outros nesta aliança eterna, perfeita e irrepetível, tornando-os seguros, pois não espera de nós que não quebremos, uma vez que Aquele com quem foi feita tal aliança nunca a quebrou! Cristo cumpriu todas as exigências do pacto de Deus e nós entramos nesta aliança somente pela fé.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0501 - AUTODEFESA OU DEFESA DO ALTO?

 


E, quanto a vocês, até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Mt 10.30).


Todo ser vivo tem um mecanismo de autodefesa. Quando está sob ameaça, este mecanismo dispara e os seres reagem de modos distintos para proteger sua vida. Não é diferente com o ser humano. Nosso subconsciente está sempre em alerta para quando suceder situações de risco, instintivamente nós podermos reagir para defesa própria.

Sabendo dos riscos que nos cercam nestes últimos dias, em que os homens estão cada vez piores, muito mais malévolos e brutais, muitas pessoas estão em busca de artes marciais e defesa pessoal para se precaverem em um momento de violência. Discute-se até a questão prática e ética do porte de arma pelos cidadãos diante da terrível onda de perigo que ronda a sociedade atual.

O mundo sempre foi cruel e perseguidor dos santos. Quando Jesus nos envia à missão e à proclamação do evangelho, Ele já antevê os resultados contrários e de oposição que hão de suceder aos fiéis pregadores. A maldade do homem não pode ser reprimida e, se há alguma coisa que reprima e ainda, que execute a transformação dele, isto é apenas o evangelho. Veja que Jesus ordena que revelemos o que está oculto, ou seja, que preguemos abertamente contra os pecados deles (vs. 26,27). Isto nos causará até mesmo morte.

Mas os fiéis proclamadores não podem temer as ameaças. Eles têm que entender que Deus está no controle absoluto de cada detalhe que aqui acontece. Jesus diz que não devemos temer os que matam o corpo e não sabem o que fazer da alma. Ele está dizendo que o máximo que o ímpio pode fazer contra nós é abater nosso corpo material. Nada além disso. Mas nos vs. 29,30, Ele nos diz que isso só pode acontecer se Deus quiser.

Nem mesmo um casal de pardais (vendido naquela época por duas moedinhas que mal pagavam meia hora de trabalho) poderia cair por terra sem o consentimento de Deus (v. 29). Ninguém, exceto, talvez, os biólogos, fiquem preocupados com pardais que morrem e, por causa de seus estudos, procurem os motivos. Mas Jesus está dizendo que isto só acontecerá com a permissão do Pai. O mesmo se dá com os fios de cabelo. Não se sabe de alguém, ou algum programa que fique contando os cabelos de ninguém. Nem mesmo a própria pessoa se preocupa com isso. Mas Cristo diz que isto é importante para Deus.

O crente, portanto, vive despreocupado com estas coisas. Se nem mesmo um pardal cai por terra sem o consentimento de Deus, se Ele está a par de nossos fios de cabelo, então nossa segurança está em Suas mãos. Se Ele não quiser, ninguém pode concluir suas investidas contra nós. E, quando Ele quiser, e isto porventura vier a acontecer, então o limite é a morte física. Quanto ao mais, nossa alma está segura com Ele. Não buscamos autodefesa, mas a defesa do alto.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0500 - APRESENTANDO NOSSA JUSTIÇA A DEUS

 


Lavo as minhas mãos na inocência; e assim andarei, Senhor, ao redor do teu altar” (Sl 26.6).


Quando lemos o Salmo 26, temos a impressão de que Davi está sendo arrogante diante de Deus em sua oração. Ele começa dizendo que tem andado em sinceridade. Assim, nos lembramos de Jó em suas queixas contra Deus, argumentando que era um homem sincero. Porém, Davi aqui não está se justificando diante de Deus. Ele não se compara com Deus (como muitos coaches hoje dizem que quando se comparam com Deus em nada se sentem inferiores). Ao contrário, aqui o salmista se compara ao ímpio.

Quando ele pede a Deus que o julgue (v. 1), ele não está pedindo uma execução de juízo e sim a defesa de uma causa. Ele suplica a Deus por vindicação, uma defesa que o reivindique diante dos homens. Tanto que ele diz que confia no Senhor. O próprio v. 1 descarta que ele esteja se justificando, uma vez que ele declara sua confiança no Senhor.

Ao apresentar diante de Deus a diferença de sua conduta da conduta dos ímpios, Davi diz algumas coisas importantes, com princípios eternos, que são válidos até mesmo para os nossos dias, para nós que vivemos na nova aliança. Por exemplo, no v. 3, ele diz que anda na verdade do Senhor; Paulo também diz que os crentes celebram a festa da Páscoa cristã com os ázimos da sinceridade e da verdade (1Co 5.8), bem como diz aos efésios que os crentes se cingem com a verdade (Ef 6.14).

Davi diz também que não se assenta com homens vãos nem conversa com homens dissimulados (v. 4). Paulo também diz que não devemos ser participantes com os ímpios em suas obras tenebrosas, antes devemos condená-las (Ef 5.11). O rei Davi diz que tem amado a habitação da casa de Deus (v. 8); assim também o autor sagrado nos ensina a congregar, embora saibamos que hoje, a casa de Deus somos nós, ainda assim nos é dado o dever de congregar (Hb 10.25).

Por isto e muito mais, Davi tem a liberdade de fazer uma oração a Deus desta forma, não exibindo sua justiça própria, mas se mostrando, como de fato é, superior ao perverso mundano. Assim também o crente injustamente criticado e perseguido, ao orar, não apresentará a Deus sua própria justiça, mas suas distinções de filho de Deus perante o pecador rebelde que o persegue sem causa.

Todavia, devemos nos lembrar de que Jesus falou que somos bem-aventurados quando somos perseguidos por causa dEle e do evangelho (Mt 5.10-12). Se somos perseguidos ou afligidos pelos ímpios por causa das nossas falhas, em nada podemos nos recomendar diante de Deus, mas se somos maltratados por amor a Cristo, diz Pedro, “bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1Pe 4.14).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0499 - NÃO SE ENCANTE COM OS NÚMEROS

 


A meia tribo de Manassés era numerosa e se espalhou por toda a terra, desde Basã até Baal-Hermom, Senir e o monte Hermom” (1Cr 5.23 – NVT).


Duas tribos e meia ficaram na região conhecida como Transjordânia, isto é, além do Jordão, na época da conquista de Josué sobre a terra prometida. Essas tribos foram a de Rúben, a de Gade e a metade da tribo de Manassés. Na época da conquista, eles lutaram com as demais tribos, porém, na repartição das terras, eles ficaram do outro lado do Jordão. O livro de Josué nos conta sobre a divisão das terras.

Aqui em Crônicas, o autor sagrado relata novamente, de forma resumida a história do povo de Israel. E ao citar essas duas tribos e meia, ele diz que havia “44.760 homens aptos para a guerra” (v. 18). Diz também que “Durante a batalha, clamaram a Deus e ele atendeu às suas orações, pois confiaram nele. Assim, os hagarenos e todos os seus aliados foram derrotados” (v. 20). Eles tiveram que lutar, na verdade, mas como Deus era com eles, tomaram grandes despojos.

A próxima observação que o cronista faz no texto é de que a meia tribo de Manassés era numerosa (v. 23). Então, passamos a perceber onde reside o problema do coração humano. O homem é orgulhoso por natureza e número sempre foi seu ponto fraco. O homem sempre quer mais. Ele quer viver mais anos, ele quer mais pessoas, ele quer mais dinheiro, ele quer mais posses, ele quer mais reconhecimento, enfim, tudo aquilo que for numericamente expansivo, isso é o desejo do ser humano.

O resultado é conforme o autor nos relata: “Contudo, essas tribos foram infiéis ao Deus de seus antepassados. Adoraram os deuses das nações que Deus havia destruído diante deles” (v. 25). Enquanto estavam guerreando na conquista, eles dependeram de Deus. Agora que estavam balizados em sua terra, tornaram-se infiéis! Toda vez que a supremacia humana sobe ao seu coração, logo ele se torna infiel a Deus. O que aconteceu é que Deus os enviou um inimigo, o rei assírio, Tiglate-Pileser, que invadiu a terra e os levou em cativeiro, do qual nunca mais retornaram (v. 26)!

Assim também em nossos dias, os homens são sempre orgulhosos de seus números, suas economias, suas conquistas, mas cada uma delas os afasta mais de Deus. O pior é que muitas igrejas estão assim também. Confiam em Deus enquanto são pequenas e têm que lutar muito. Mas depois de crescerem, passam a confiar em si mesmas e se esquecem da fidelidade que devem a Deus. Devemos nos lembrar que os encantos passageiros dos números não vão encobrir a vergonha eterna do futuro cativeiro!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0498 - ENQUANTO HÁ VIDA... AUMENTA A VINGANÇA!

 


Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança” (Lm 3.29).


Há um ditado popular muito conhecido que diz que enquanto há vida há esperança. Com isto quer-se dizer que, enquanto alguém está vivo, há esperança de mudar. No caso dos crentes, o ditado significa que, enquanto uma pessoa ainda vive a sua vida física, há esperança para que ela seja salva.

Entretanto, esse ditado não é uma verdade absoluta. Ele só se aplica relativamente aos eleitos de Deus. Somente se uma pessoa foi escolhida por Deus para a salvação é que há esperança para ela enquanto está viva. Como o plano divino sobre ela não pode falhar, visto que foi decretado desde a eternidade, então, cedo ou tarde, ainda em sua vida física, Deus entrará com a obra de regeneração através da pregação do evangelho.

Paulo diz que estas pessoas foram eleitas antes da fundação do mundo (Ef 1.4). E em Rm 8, ele diz que aos que Deus predestinou, a estes também chamou, justificou e glorificou (v. 30). Sendo assim, Deus cumprirá na vida daqueles a quem Ele escolheu, o Seu propósito de salvação e ninguém pode impedir isto.

Todavia, no que diz respeito aos reprovados, o ditado popular não faz sentido algum. Enquanto há vida para eles, não há esperança alguma, ao contrário, aumenta sobre eles a vingança de Deus. Pv 10.28 diz assim: “A esperança dos justos é alegria, mas a expectativa dos ímpios perecerá”. Paulo também diz: “Irmãos, não queremos que vocês ignorem a verdade a respeito dos que dormem, para que não fiquem tristes como os demais, que não têm esperança” (1Ts 4.13).

O Senhor disse pelo profeta que os ímpios não têm paz (Is 48.22) e, logo à frente, ele diz que para os ímpios não há paz (57.21). Ou seja, eles não têm paz agora e não haverá paz para eles depois. Assim que morrem, os ímpios já estão às portas do inferno.

O caso de Judas nos ilustra essa verdade. A Escritura já dizia que Jesus tinha de ser entregue, mas Jesus disse “ai” de Judas – melhor que ele nem tivesse nascido (Mc 14.21)! Jesus está dizendo que se Judas fosse um aborto, ele sofreria menos no inferno, pois teria ido para lá apenas por ser filho da perdição (Jo 17.12). Mas, tendo Judas vivido durante um período, ele foi acumulando pecado sobre pecado, o que só lhe aumentou a vingança divina. Agora, no inferno, sofrerá maior condenação, como disse Jesus a Pilatos (Jo 19.11).

Para Judas, enquanto houve vida, não houve esperança e sim aumento de iniquidade, o que lhe proporcionou maior vingança! Portanto, esse ditado popular só pode estar correto em relação aos eleitos de Deus e não a todas as pessoas. Obviamente esta reflexão soa mal aos ouvidos da nossa geração acostumada ao “não me ofenda”. Mas a Bíblia expõe e esfrega a verdade na cara e não se importa com a opinião do mundo. Ao contrário, o mundo é que deveria se importar e se preocupar com o que a Bíblia diz, senão será também apenas aumentada a vingança sobre ele e não a esperança, que só têm aqueles que se arrependem com a boca no pó.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

POR QUE O HOMEM NUNCA ENCONTRA A PLENA FELICIDADE - PARTE 02/02

 


Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela encontro felicidade” (Sl 119.35 – NAA).


Imagine se o ser humano pudesse realmente encontrar a fonte da felicidade. A biomedicina juntamente com a bioquímica e a neurologia descobriram substâncias nervosas que promovem vários tipos de reações de humor no homem, entre elas, a serotonina, que pode ser estimulada por meio de medicações bioquímicas. A sociedade científica pensava que com isso havia encontrado o caminho para a felicidade, a paixão, a baixa da ansiedade, etc.

Mas o tempo passou e o que nós testemunhamos é um expressivo aumento no número de suicídios, a depressão por atacado, fazendo vítimas no mundo todo, ainda que em lugares desenvolvidos. Mesmo os leigos, que nem sabem que remédios podem estimular os neurônios para certas reações de humor, buscam também alguma fonte de alegria em práticas e entretenimentos que correspondam ao seu cérebro, a fim de lhes proporcionar felicidade.

Porém, Deus não deixou nenhuma fonte de felicidade à disposição do homem, pois se assim acontecesse, este jamais se voltaria para Deus, uma vez que é inimigo de Deus e de Seus mandamentos. Aliás, os preceitos de Deus são para o homem uma verdadeira afronta e um pesadelo. O ser humano sem Cristo deseja que a Palavra de Deus não lhe incomode. Se ele ainda usa a Bíblia para alguma coisa, apenas escolhe alguns versículos isolados que parecem promessas e palavras de motivação para viverem se arrastando em seus dias inúteis.

Mas, ao contrário do que se pensa, o salmista diz que é nas veredas dos mandamentos do Senhor que ele encontra a felicidade. Não é que não exista uma fonte de felicidade, ela existe. Só não é naquilo que o homem pensa que vai encontrar. Ela é naquilo que tem que ser. A fonte está justamente naquilo que o homem rejeita, que é a Palavra de Deus. Quem criou o homem foi Deus e só Ele tem a receita da felicidade para este. E ela está no manual do homem, que é a Bíblia Sagrada.

Se você não tem alegria nos mandamentos do Senhor, se você não os guarda em seu coração e prática, se você acha a Bíblia chata, ultrapassada, ou algo parecido, então você, naturalmente, não ama o Senhor e não pode, consequentemente, encontrar a felicidade. O homem veio de Deus e somente aquilo que vem de Deus pode fazê-lo feliz. Como disse Agostinho no início de seu livro _Confissões_: “Fizeste-nos para ti e, inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti”.

Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra... Quem não me ama não guarda as minhas palavras” (Jo 14.23,24). Está claro, portanto, que quem não ama a Palavra de Deus também não ama ao Deus da Palavra. Sendo assim, sua felicidade estará para sempre tão distante de você quanto o céu é do inferno.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

POR QUE O HOMEM NUNCA ENCONTRA A PLENA FELICIDADE - PARTE 01

 


Mais me alegro com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas ” (Sl 119.14).


A comunhão com Deus, o Criador, é a essência da vida humana. O ser humano veio de Deus, tanto em sua forma física, pois foi feito pelas mãos de Deus e não ordenado que viesse à existência, como também em sua forma espiritual, pois recebeu o sopro divino em seu aparelho respiratório e com isso lhe veio também a alma. Os animais, por exemplo, ao serem criados por Deus, foi dada uma ordem à terra para que os produzisse e, assim feito, eles surgiram respirando, vivos, mas sem uma semelhança com o Criador.

Com o homem foi diferente. Ele foi feito por Deus em corpo e alma. Pelas mãos de Deus (corpo) e pelo sopro de Deus (alma). Toda criação tem a patente da voz divina, mas o ser humano tem sua arte manual. A criação demonstra o poder da Palavra de Deus e o homem demonstra o poder da relação. Deus poderia dizer: “Produza a terra um ser humano que se reproduza conforme a sua espécie”, e assim seria. Mas então não carregaria em si a imagem do Criador.

É por isso que o homem é um ser emotivo, racional e volitivo. Ele tem sentimento, pensamento e vontade. Ele pode ser impulsivo, lógico e decidido. Enfim, tais características revelam que, ao contrário dos animais, que não podem sequer admirar a beleza de seu habitat, o ser humano não só se maravilha com a natureza, como também fala sobre ela, além de viver dela.

Todavia, por mais que isso seja espantoso sobre o homem, não é sua relação com a natureza que o completa. Deus não o criou para se completar em outras coisas criadas, mas no Criador. Nós sabemos que o pecado arruinou em grande medida essa capacidade da relação do homem com seu Criador, a ponto de muitos atribuírem a existência da criação ao acaso e negarem o próprio que criou tudo e todos. O pecado nos tornou ingratos e egoístas. Paulo diz que os homens “tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1.21).

Assim, o triste episódio da história humana é este, milhares de pessoas incompletas, procurando naquilo que lhes é inferior o complemento para sua felicidade perdida... Não tem como encontrar. O que nos foi tirado pelo pecado foi a semelhança com Deus e é nEle que temos que encontrar isso de volta e não nas coisas criadas. O que perdemos foi do que é superior a nós e não do que é inferior a nós. Por isso que essa busca pelas coisas de baixo não podem completar. Sempre sentiremos que nos falta alguma coisa.

A grande desilusão é porque perdemos a comunhão com nosso Criador. Fomos embora da casa do Pai sem nos despedir e deixando para trás um rastro de covardia e traição. Algo está faltando e todo mundo sabe disso. Tal como o filho pródigo, a felicidade dura um pouco de tempo enquanto temos saúde e dinheiro, mas com a chegada da escassez, doença e velhice, lembramos que traímos o Pai e a solidão bate novamente. É por isso que o homem nunca encontra a plena felicidade.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0497 - O SALÁRIO PASTORAL

 


Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordace o boi quando ele pisa o trigo. E, ainda: O trabalhador é digno do seu salário (1Tm 5.17,18).


Diante do cenário escandaloso financeiramente em que a igreja se encontra em nossos dias, a questão do salário pastoral soa como um grande problema para as pessoas, inclusive crentes. O mau uso da Escritura, a venda da fé, as promessas com barganha e muitos outros métodos usados por falsos pastores têm diluído a confiança neste próprio cargo que envolve a função pastoral.

Entretanto, não é porque uma doutrina bíblica é deturpada pelos falsos que ela tenha que deixar de existir. Os falsos são isso mesmo, falsos, e por causa deles não se pode extinguir o que a Bíblia diz sobre o que quer que seja, pois senão, teríamos que abolir tudo sobre o que ela diz, uma vez que não é só isso que eles corrompem.

Excetuando-se alguns casos em que o presbítero (ou pastor) já tenha seu trabalho e nele continue, mesmo pastoreando uma igreja, ou quando uma igreja está iniciando, não tendo assim recursos para assalariar seu pastor, o NT é muito claro sobre o pagamento merecido pelo trabalho pastoral. Nos versículos lidos, Paulo está ensinando que um presbítero deve ser considerado digno de dobrados honorários, especialmente se ele se esforça na pregação e no ensino.

Então, ele cita a Escritura para provar sua doutrina. Tanto a lei como o evangelho são chamados como testemunhas aqui por Paulo para embasar seu ensino sobre esse assunto. Ele cita Dt 25.4 e explica esse texto da lei em 1Co 9.9: “Porque na Lei de Moisés está escrito: Não amarre a boca do boi quando ele pisa o trigo. Por acaso Deus está preocupado com bois?”. E no v. 10 ele responde: “Será que não é certamente por nossa causa que ele está dizendo isso? É claro que é por nossa causa que isso está escrito”.

Chamando os Evangelhos como testemunhas de sua doutrina, Paulo cita Mt 10.10 e Lc 10.7, onde Jesus é quem diz que o trabalhador é digno do seu salário. Em geral, o argumento de quem é contra que pastor seja assalariado é que naquela época eles não recebiam em dinheiro e sim em alimentos. Esse argumento é tão patético, que nem merece uma resposta! Mas, para descer ao nível de tamanha tolice, respondemos o que qualquer criança sabe: o que era o denário naquela época, o que era o estáter, o que era o siclo, o que era o talento, senão moedas de pagamento, tributos, investimentos financeiros, etc.? Aliás, o que era o amor ao dinheiro, que Paulo condenava? Era o amor ao arroz e à lentilha?

Ao pastor, porém, cabe uma advertência. Seja aplicado à Palavra, ao ensino e à direção de uma igreja. Caso contrário, você não é digno de nada, a não ser que coloque humildemente alguém em seu lugar que faça o que a Bíblia ordena e você não faz. Quanto aos membros, não amordace seu pastor. Ele não é boi que debulha trigo, mas um fiel servo ao jugo de Cristo que alimenta sua alma!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0496 - O CRISTÃO E OS IMPOSTOS

É por isso também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço” (Rm 13.6 – NAA).


Em uma nação como a nossa, onde a corrupção está no DNA da sociedade, falar sobre pagamento de impostos é algo extremamente delicado. A guerra declarada entre o Estado, que cobra os impostos, representado por suas administrações, seja da união, dos estados, ou dos municípios, e do outro lado o contribuinte, tanto pessoa física como jurídica, é uma guerra que até seria engraçada se não fosse cruel.

O Estado cobra os impostos mais diversos e caros do mundo! Em nosso país é um verdadeiro malabarismo sobreviver, economicamente falando, seja como empreendedor ou como trabalhador empregado. Esta cobrança exorbitante e injusta deveria ter pelo menos uma aplicação de retorno aos direitos da sociedade, pois onde há direitos de uma parte, deve ser lógico que haja dever da outra. Sendo assim, o Estado não cumpre de forma honesta com seu dever.

A consequência disso é que a sociedade reage da mesma forma. Se o Estado não devolve os benefícios à nação daquilo que ele cobra obrigatoriamente dela, então a primeira coisa que vem à mente das pessoas é burlar. O Estado amplia sua fiscalização de forma cada vez mais rigorosa para evitar a sonegação, mas ainda continua sem devolver à sociedade os benefícios de que ele se tornou obrigado quando a obrigou a pagar os impostos! É uma cadeia de esperteza sem fim. O Estado pesa sobre a nação e a sociedade tenta burlar o Estado.

Isto acontece das mais diversas formas, de modo que o peso maior fica com o consumidor final. Empresas que são oprimidas pelo Estado acabam cobrando mais caro pelo serviço ao consumidor. Este, ao se sentir lesado, pois a corda arrebenta brutalmente para o seu lado, resolve cometer o furto, pagando menos por um serviço ilegal executado por pessoas também revoltadas contra o sistema, mas que também são oportunistas, ganhando ilegalmente para oferecer um serviço pelo qual não paga imposto.

A desculpa sempre é a mesma. O Estado “rouba” quando cobra altíssimos impostos, as empresas “roubam” quando cobram caríssimo pelos serviços, então o que o indivíduo irá fazer? Ele irá obter o serviço de forma ilegal, pois lhe sai mais em conta do que ser honesto. Enfim, o indivíduo também usufrui de certos serviços sem pagar o quê e a quem é devido. Se é errado o Estado oprimir com seus impostos, e mesmo assim ele o faz, por que seria errado a gente sonegar? Logo pensamos que não somos obrigados a manter a caríssima máquina estatal com sua opulência a troco de uma nação em miséria.

Porém, o crente, apesar de dever falar contra isso, se opor à opressão funesta do Estado sobre a sociedade em que vive, não pode fazer o mesmo que o mundo faz. Deus cobrará daqueles que receberam dEle a autoridade e foram abusivos. Mas Deus também cobrará do crente que reagiu à opressão de modo furtivo e roubador. Paulo finaliza: “Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Rm 13.7 – NAA). O resto é com Deus!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0495 - BOAS OBRAS E PECADOS

 


Todos nós nos tornamos impuros. As nossas boas ações, que pensamos ser um lindo manto de justiça, não passam de trapos imundos. Murchamos como as folhas no outono; os nossos pecados nos levam sem destino, como o vento faz com as folhas” (Is 64.6 – NBV).


Aos olhos puros e santos de Deus, a diferença entre as boas obras de uma pessoa sem Cristo e seus pecados é inexistente. Tanto faz se a pessoa sem Cristo faça boas ações ou se ela peca, para Deus não faz a menor diferença. Quando falamos isso, as pessoas ficam chocadas e se escandalizam. Até mesmo crentes ficam desconcertados com esta afirmação. Mas ela é bíblica. Foi o profeta, inspirado por Deus quem disse que as coisas são assim.

Pra dizer a verdade, a Bíblia e seu Autor (que é Deus), pouco Se importam com a opinião dos pecadores a Seu respeito. Aliás, quem tem a palavra certa e final sobre os ímpios é Deus e Sua Palavra! O que Deus diz sobre o ímpio é que é válido e não o que o ímpio diz ou pensa sobre Deus.

Nossa geração se acostumou a se vitimizar por causa da “pedagogia do oprimido” e outras tolices mais desta era comunista que nossa nação vive nas últimas décadas. Então, qualquer coisa que se diga hoje acerca da realidade de uma pessoa, ofende a nação inteira, que julga que não deveria falar certas coisas, pois é melhor dizer coisas agradáveis que deixem as pessoas em paz. O problema é que ninguém está em paz com Deus sem Jesus e o mundo deveria saber disso.

Quando pensamos que nossas boas obras podem nos tornar aceitos diante de Deus, estamos dizendo que Deus pode ser comprado. E pior do que isso, com moedas ultrapassadas e sem valor. Nossas boas obras são o quê, comparadas às obras de Deus? O que é que Deus não tem que necessite que nós Lhe ofereçamos? Por aí se vê que, em geral, nossas boas obras são uma tentativa de competir com Deus, obtendo o reconhecimento dos outros.

Acontece que Deus olha as coisas a partir de sua raiz, no caso do homem, a partir de seu coração, ou de sua natureza. Uma vez que a natureza do homem é má, visto que ele nasceu em pecado (Sl 51.5), então Deus já olha para tudo o que o homem pensa, diz e faz como coisas pecaminosas, porque procedem de um coração pecaminoso, não importa se o que ele faz é bom ou ruim, se são boas obras ou se são pecados.

Mas veja a promessa de Deus para aqueles a quem Ele mesmo escolheu: “Eu vou separar um remanescente de Jacó e do povo da tribo de Judá para receber por herança as minhas montanhas. As pessoas que eu escolhi viverão ali e serão meus servos” (65.9 – NBV). Veja a diferença entre os que Deus escolheu e os que Ele rejeitou: “Os meus servos terão comida à vontade, mas vocês passarão fome; os meus servos beberão, enquanto vocês passarão sede. Os meus servos viverão sempre alegres, enquanto vocês sofrerão tristeza e vergonha” (v. 13).

A questão não é o que o homem pode fazer de bom que agrade a Deus, mas sim o que Deus pode fazer pelo homem, uma vez que este não pode fazer nada por si mesmo e depende da misericórdia de Deus! Não há diferença entre o que alguém faz de bom ou de ruim, visto que, para Deus, tudo é ruim, e bom, só é aquilo que fazemos depois que estamos em Cristo (65.15 – NBV).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0494 - BENEFÍCIOS DA MORTE DE CRISTO NA CRUZ (PARTE 02)

 


Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.10).


Dois outros benefícios que o sangue de Cristo ainda trouxe para nós são a expiação e a reconciliação. A palavra “expiação” significa “cobrir” e era um processo usado no AT, quando se sacrificava um animal e aquele sacrifício cobria os pecados do ofertante. Outras vezes, principalmente no dia da expiação (yom kippur), o sumo sacerdote colocava a mão sobre a cabeça de um animal, simbolicamente transferindo a ele os pecados da nação e o soltava pelo deserto.

Então, além de “expiação” significar “cobertura”, também queria dizer que os pecados haviam sido afastados para longe. O rei Ezequias faz lembrar isso quando diz: “Eis que foi para a minha paz que eu tive grande amargura; tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti todos os meus pecados” (Is 38.17), e também o profeta Miqueias: “Ele voltará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19).

Já a reconciliação é a reaproximação que a morte de Cristo faz do pecador a Deus. Por ter pago o que nós devíamos, por ter sido a ira de Deus apaziguada, então podemos nos aproximar dEle sem medo algum. Enquanto a expiação afasta o pecado, a reconciliação aproxima o pecador! A expiação leva embora o que nos separava e a reconciliação traz de volta o separado.

Sabemos que os sacrifícios do AT apenas “cobriam” os pecados dos homens aos olhos de Deus (como se alguém cobrisse com um pano limpo uma mesa suja); mas no Sacrifício do NT, que é a morte de Cristo, Ele não somente cobriu o Seu povo com um pano limpo, que são suas vestes de justiça, mas antes disso, Ele os purificou definitivamente! Ambos os sentidos de “expiação” Jesus realizou com Sua morte.

Hoje temos paz com Deus. Não estamos falando de alguém com quem se podia negociar. Sua ira é santa, justa, perfeita e razoável (cheia de razão). Estamos falando que temos paz com Aquele de quem ninguém podia nem sequer se aproximar para fazer um acordo de paz. Qualquer aproximação dEle seria morte na certa. Mas por meio da morte do Seu Filho, adquirimos esta paz com Deus! Podemos nos aproximar sem medo de sermos fulminados!

Quando pensarmos na cruz de Cristo deveríamos ver mais que um corpo ensanguentado. Não que isso seja irrelevante. Mas, muito além do corpo desfigurado do nosso Mestre, havia ali, naquele cenário macabro, todos os processos necessários para nos transformar em filhos de Deus para sempre! Lembre-se sempre dos benefícios adquiridos para você na cruz, através da morte mais horrível que jamais existiu na história da humanidade e nem vai existir!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0493 - BENEFÍCIOS DA MORTE DE CRISTO NA CRUZ

 


Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.18,19).


O valor do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário é bem desconhecido de grande parte dos crentes atuais. Em geral, o pensamento é que Cristo morreu pelos pecadores e pronto. Isso é correto, embora seja apenas parte da grandiosa realização do que ali ocorreu. Uma pergunta que quase ninguém faz é por que Deus cobrou preço de sangue justo por nossos pecados. Não havia outro meio menos carnificento? Isso é para nós vermos como nosso pecado é repulsivo...

Quando se diz que Cristo morreu “por nossos pecados”, chamamos isso de imputação. Essa palavra significa “colocar na conta”. A transação comercial que Deus fez aqui na morte do Seu Filho, foi colocar na conta dEle os nossos pecados e depositar em nossa conta a Sua justiça. Esse foi o tratamento que Deus deu ao pecado enquanto dívida.

Mas, e quanto aos devedores? A Bíblia também diz que Cristo morreu “por nós” (Ef 5.2). Enquanto morrer pelos pecados é imputação, morrer pelos pecadores é substituição. Deus não somente colocou nosso débito na conta de Cristo, como também O puniu em nosso lugar. Grande engano cometem os que pensam que Deus odeia o pecado e ama o pecador – na realidade, como santo que é, Ele odeia a ambos!

O sangue de Cristo também nos trouxe ­­remissão (Mt 26.28). Esta palavra significa simplesmente “perdão”. Com a morte do Seu Filho por nós, Deus está dizendo que estamos livres da dívida. Já vimos que Ele cobrou caríssimo do Seu Filho em nosso lugar, mas agora está claro que Ele não tem mais nada a cobrar de nós.

Outra palavra bastante confundida é ­­redenção. Quer dizer “libertação mediante pagamento”. A justiça de Cristo, além de ter sido creditada em nossa conta (dos que nEle creem), ela também foi oferecida a Deus como pagamento justo e suficiente pelos nossos pecados. Nossa transgressão foi tão violenta, que somente uma vida justa poderia estar à altura do pagamento exigido pela justiça de Deus. E apenas Cristo teve essa vida justa e perfeita.

Propiciação também é outro benefício da morte de Cristo a nós. Esta palavra era usada para indicar que a ira de Deus foi aplacada, mas com Cristo, ela não somente foi aplacada como também satisfeita. Não tendo mais ira, uma vez que ela foi satisfeita, Deus pode nos receber em Sua presença. Esse é um dos benefícios que os crentes nem sabem que pertence ao poder do sangue de Cristo em seu favor.

Finalmente, a justificação, que é a declaração que Deus faz a todo o universo que aquele que crê no Seu santo Filho e confia somente em Sua obra é justo, à semelhança do Seu Filho. Desde então e para sempre tudo o que Jesus fez é atribuído ao crente fiel e no dia do juízo, ele será julgado pela obra de Cristo e não pela sua. Você sabia que estes são alguns dos benefícios que o sangue de Cristo te comprou? Você já agradeceu por tudo isso em toda sua vida de crente?

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0492 - PLURALISMO E RELATIVISMO

 


Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste” (2Tm 3.14).


A tragédia da nossa sociedade atual é romper totalmente com os valores adquiridos pelos antepassados. Antigamente, a crítica era porque tudo se repetia por costume, sem procurar pelos motivos. Hoje, a crítica é porque tudo se questiona, sem procurar os valores.

Conta-se a estória da moça que tinha se casado e, na primeira comemoração do natal com seu esposo, ela dizia a ele que tinha de cortar a parte traseira do chester para levá-lo ao forno, senão não ficaria saboroso. Ao ser perguntada sobre a razão disso, ela dizia que era porque sua mãe fazia assim. Quando questionaram a mãe dela, a resposta foi que, à época, o forno era pequeno, não cabia a ave inteira...

Entretanto hoje, as coisas mudaram. Além de romper com os costumes simples e de motivos ignorados dos seus antepassados, nossa geração ainda questiona os bons costumes, questiona os bons valores, questiona a moralidade e tudo que projeta disciplina e ética, sem se importar com os resultados.

Claro que os resultados estão aí, como podemos ver. O errado se tornou relativo tanto quanto o certo. A verdade foi diluída ao sabor da subjetividade de cada indivíduo. Todos podem e devem questionar o que foi herdado, seja bom ou não; mas são proibidos de questionar a forma como as pessoas vivem aqui agora. É até prestigiado quem questiona os valores dos pais ou avós, mas é ridicularizado quem questiona os valores da sociedade atual.

O evangelho, entretanto, é a verdade imutável de Deus para a humanidade de todas as épocas. O mal que atingia a sociedade da época dos apóstolos é o mesmo mal que atingiu a sociedade da época de Lutero e atinge a nossa! Porém Deus jamais permitiu adequar Seu evangelho a quem quer que seja e a qualquer era que seja. Pode-se haver várias formas de erro, mas a forma da verdade é uma só. Por isso o evangelho nunca mudou e nem vai mudar.

Muitas igrejas são fruto de sua época. Elas se aderem ao sistema e reproduzem o mesmo dentro de seus templos. O relativismo chegou a tal ponto no meio cristão, que muitos já não consideram mais a Bíblia como a infalível palavra de Deus. Assim também como o pecado ficou relativizado. Tornou-se mais uma questão de sensação, de se sentir bem, do que exatamente o que diz a Escritura sobre aquilo.

Mas a Palavra jamais volta atrás. Independente de como o homem joga com sua consciência para fazê-lo mais tranquilo diante de seus pecados, a mesma palavra da época de Jesus é a que irá julgar a todos os que a rejeitaram, trocando por seus fracos pressupostos. O pluralismo (cada um tem uma verdade) e o relativismo (a verdade depende do conceito pessoal) não poderão livrar os pecadores. Naquele dia ninguém poderá dizer a Deus: “O Senhor não pode me julgar, porque esta é Sua verdade”. Ao contrário, Deus dirá: “É exatamente por minha verdade que você será julgado”!

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste” (2Tm 3.14).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0491 - COMO CONVIVER COM FALSOS CRENTES

 


Quando lhes escrevi antes, disse que não deviam se associar com pessoas que se entregam à imoralidade sexual” (1Co 5.9 – NVT).


Existiu uma carta perdida do apóstolo Paulo aos crentes da cidade de Corinto. As duas que temos em mãos são as que foram preservadas e aqui, na primeira carta que temos na Bíblia, ele mesmo diz que já havia escrito antes para os coríntios. Então houve uma carta antes dessas duas que temos no NT.

Sabemos que os coríntios eram pessoas imorais. Tanto que, mesmo naquela época, quando alguém queria desmoralizar outra pessoa, chamava-lhe de “coríntio”. A designação de quem nascia naquela cidade era, pejorativamente, atribuída a pessoas imorais. O pecado contra a sexualidade era algo absolutamente comum para os coríntios.

Entretanto, não é diferente com a nossa sociedade atual. Já se disse por aí que Sodoma e Gomorra teriam vergonha da imoralidade da nossa geração! Os coríntios, que eram tão depravados, provavelmente, no mínimo se associariam à nossa geração com seus pecados sexuais e, no máximo, também se assustariam (embora saibamos que, no que diz respeito ao pecado da imoralidade, todo acréscimo é “bem-vindo”)!

A ordem do apóstolo é que não nos associemos a tais pessoas. Aqui nos lembramos da época da lei, em que havia ordenanças para que o povo de Deus não se aproximasse nem tocasse em coisas impuras. Ainda que estas ordenanças não tenham mais validade, pois, como disse Paulo a Tito, tudo é puro para os puros (Tt 1.15), todavia, a impureza moral atinge a vida espiritual de uma pessoa com Deus. Por isso, devemos nos manter afastados.

Mas Paulo faz uma observação no v. 10. Ele diz: “Com isso, porém, não me referia a descrentes que vivem em imoralidade sexual, ou são avarentos, ou exploram os outros, ou adoram ídolos. Vocês teriam de sair deste mundo para evitar pessoas desse tipo” (NVT). Para o mundo, isso é normal e, se tivéssemos de nos afastar de todos que praticam esses pecados, teríamos que sair do mundo! E, aliás, temos que estar no mundo para influenciar os pecadores com o poder do evangelho e do testemunho.

Mas Paulo diz: “O que eu queria dizer era que vocês não devem se associar a alguém que afirma ser irmão mas vive em imoralidade sexual, ou é avarento, ou adora ídolos, ou insulta as pessoas, ou é bêbado ou explora os outros. Nem ao menos comam com gente assim” (v. 11 – NVT). Paulo não seria uma pessoa bem querida em nossos dias. Todo mundo fala bem do apóstolo, mas é porque ele já está morto. Se ele fosse líder cristão em nosso século, duvido que seria elogiado. Sofreria até pelos crentes, do mesmo jeito que lhe aconteceu no passado.

Então, o que aprendemos aqui é que, enquanto influenciamos os imorais do mundo para que se convertam, nos afastamos dos que se dizem crentes e vivem na imoralidade, na avareza, na idolatria, na maledicência, na bebedeira, na exploração, enfim, nos pecados deste mundo. Não devemos ter comunhão com falsos crentes!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 8 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0490 - SÓ CRISTO PODE TRANSFORMAR PECADORES EM JUSTOS

 


Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá” (Sl 101.6).


Ler qualquer versículo bíblico sem o seu contexto é um dos erros mais comuns dos cristãos. Raramente um versículo sozinho tem um significado completo. Às vezes isso acontece com o livro de Provérbios. Mas, no geral, todo versículo precisa ser lido à luz do seu contexto para que saibamos o que ele significa e assim, possamos fazer as aplicações corretas e necessárias.

Este verso que lemos é um destes muitos exemplos do que acontece com outras passagens da Escritura. As pessoas acham que Deus é quem está dizendo isso, que Seus olhos procurarão os fiéis da terra. Mas não é isso. Quem está falando aqui é Davi e está falando não em nome de Deus nem é Deus quem está falando por meio de Davi. Ao contrário, Davi está falando isso com Deus.

Observemos a partir do v. 1: “Cantarei a bondade e a justiça; a ti, Senhor, cantarei”. Aqui, ele está cantando ­­ao Senhor. Claro que há salmos em que o salmista começa falando e, no meio do Salmo, Deus também fala, como é o caso do Salmo 46, onde o salmista fala o salmo inteiro, mas no v. 10 é Deus quem fala. Mas não é o caso deste salmo em questão.

No v. 2, Davi diz que terá coração sincero; no v. 3 ele diz que aborrece o proceder dos que se desviam; no v. 4 ele diz “longe de mim o coração perverso”; no v. 5 ele diz que irá destruir o que calunia o próximo e não toleraria os soberbos. Por aqui, já podemos perceber que ele está falando como rei, como aquele que tem o governo dado por Deus sobre o povo de Deus e, como tal, eliminaria do meio da nação todos aqueles que procedessem dessa forma.

Assim é que ele chega ao v. 6 e diz que seus olhos, como rei, procurariam os fiéis da terra, da terra de Israel, para que habitassem com ele, isto é, para que o servissem mais próximo do seu palácio. Veja o v. 7: “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos”. Davi não aceitaria fraudulentos nem mentirosos em seu palácio.

O v. 8 é que nos deixa claro que todo este salmo é uma promessa de Davi para Deus, que reinaria como justo governante. Ele diz: “Manhã após manhã, destruirei todos os ímpios da terra, para limpar a cidade do Senhor dos que praticam a iniquidade”. Como rei, Davi queria executar a justiça e a lei do seu Senhor Deus, eliminando das terras de Israel todos os ímpios para que a cidade de Sião fosse limpa dos que praticavam a iniquidade.

O que Davi estava dizendo então, quando falou ao Senhor que seus olhos procurariam os fiéis da terra? Ele estava desejando as melhores companhias, ele queria como servos aqueles que fossem retos e justos. Davi não podia fazer isso, embora fosse um rei modelo para sua época. Apenas Cristo Jesus é que torna pecadores em pessoas justas. Apenas Cristo Jesus condena os pecadores e os eliminará para sempre no dia do juízo. Davi apenas apontava para Cristo, mas o poder, todo poder mesmo, pertence só ao Filho de Deus!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0489 - ADORAÇÃO VOLUNTÁRIA

 


E você, meu filho Salomão, reconheça o Deus de seu pai, e sirva-o de todo o coração e espontaneamente, pois o Senhor sonda todos os corações e conhece a motivação dos pensamentos” (1Cr 28.9 – NBV).


Quando o rei Davi estava prestes a passar o trono para seu filho Salomão, ele reuniu os príncipes do seu país, líderes de todas as áreas, explicou-lhes o motivo pelo qual ele mesmo não poderia construir um templo para Deus, pois havia sido um homem de guerra e muitas mortes e ali, na frente de todos, ele chamou seu filho Salomão para uma responsabilidade. Ele haveria de construir o templo para Deus, mas Davi precisava lhe dizer algumas coisas.

Dentre várias coisas que Davi instruiu seu filho na presença de todos os líderes de Israel, uma delas foi que Salomão deveria servir a Deus com o coração completo e de forma espontânea. Outras versões dizem “alma voluntária”. A voluntariedade de alma no serviço a Deus deveria ser uma marca registrada na vida de Salomão. E não é diferente conosco.

É certo que servir a Deus também é uma obrigação. Tanto que existe a forma correta de servi-lo. Davi diz aqui que é “de todo o coração”. Deus mesmo disse por Jeremias que quando Ele fosse buscado de todo o coração, Ele seria achado (Jr 29.13). Jesus disse à mulher samaritana que para adorar a Deus deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.24). Paulo disse que devemos cultuar a Deus de modo lógico (Rm 12.1). Portanto, se há regras para a adoração verdadeira, segue-se que adorar é uma obrigação.

Porém, o que mais falta hoje, além de se entender e obedecer às regras da adoração, é a adoração espontânea. E com isso não estamos falando daquele louvor que fica repetindo por vezes extremamente cansativas os versos finais de uma canção, ou quando um ministro de louvor fica meia hora cantando coisas que ele não ensaiou. Não, não é isso que Davi chama de adoração espontânea.

A espontaneidade que ele exigia de Salomão e certamente Deus exige de Seus adoradores, é aquele coração realmente voluntário, que serve a Deus porque gosta. O fato de existir uma obrigação para adorar não retira do verdadeiro adorador o espírito voluntário. Não é porque ele é obrigado que ele não gosta. Ao contrário, ele adora a Deus por ambas as coisas, por obrigação e por devoção.

A adoração vai muito além do louvor, vai além de algumas poucas horas em um templo. A espontaneidade vai além de alguns balbucios na hora do cântico. A adoração espontânea flui de um coração que foi transformado pelo evangelho lá no início de sua caminhada cristã. Se não foi lá, então que seja agora. Mas, assim que houver essa transformação de alma, o coração que antes só fazia as coisas obrigatoriamente, agora caminha por uma trilha de comunhão e isso o torna voluntário.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0488 - AONDE IREMOS CHEGAR COM AS NOSSAS PROVAÇÕES

 


E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 22.1,2).


Apesar de todos os filhos de Deus serem provados, sem dúvida alguma, alguns são mais provados do que outros. Os momentos de provação não são nada agradáveis. Nós passamos por eles porque somos assim colocados por Deus, mas claramente ninguém gosta desses momentos.

As provações têm também suas características. Elas não duram um minuto a mais do que o que seria necessário para o filho de Deus e tampouco é mais pesada um grama sequer do que a gente aguentaria. Paulo diz que Deus é fiel e, junto com a tentação, dará também o escape, para que a possamos suportar (1Co 10.13).

Abraão foi um dos maiores exemplos de provação na Bíblia. Creio que o maior dentre os patriarcas foi Jó. Mas Abraão foi testado desde quando foi chamado por Deus. Ele nem mesmo conhecia a Deus e recebeu o desafio de sair do meio de sua terra e parentela para uma terra que Deus (o Deus que ele não conhecia) ainda nem havia lhe mostrado (Gn 12.1).

Mas dentre todas as provas deste homem, a mais decisiva de todas foi esta, de oferecer seu filho a Deus em sacrifício. Para uma mente confusa daquela época, isso seria algo compreensível (ainda que não aceitável), pois eles ofereciam sacrifícios humanos para as divindades pagãs. Porém Abraão já conhecia a Deus. Esta é a diferença!

Deus não somente não recebe sacrifício humano, como também é capaz de ressuscitar os mortos. O autor aos Hebreus diz que Abraão cria tanto em Deus que, ainda que Deus o deixasse degolar seu próprio filho, e mesmo que ele chegasse a queimá-lo em oferenda, ainda assim, das cinzas Deus o ressuscitaria para cumprir nele a Sua infalível promessa (Hb 11.17,18)!

Mas aonde a provação daquele homem o levou? Incrivelmente o levou a Cristo! Jesus disse: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se” (Jo 8.56). Sim, ele viu naquele carneiro providencial que substituiu seu filho ali no monte, a figura de Cristo (Gn 22.13)! Deus poupou o filho de Abraão, dando-lhe um carneiro para morrer em seu lugar. Mas na cruz, Deus não poupou Seu próprio Filho, não havia nada nem ninguém que pudesse substituí-lo, pois Ele era o nosso substituto verdadeiro!

É aí que as nossas provações nos levam, a encontrar o Filho de Deus. Talvez você ainda não olhou – não para o arbusto para ver um substituto para seu sofrimento, mas para a cruz e então ver a Cristo, o substituto verdadeiro que morreu em Seu lugar para o livrar da morte eterna! É aqui que nos trazem as provações, à cruz de Cristo e à vida eterna!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0487 - A COLHEITA E A VINDIMA

 


Outro anjo saiu do santuário, gritando com voz forte para aquele que estava sentado sobre a nuvem: Pegue a sua foice e comece a colher, pois chegou a hora da colheita, visto que os campos da terra já amadureceram! Ainda outro anjo saiu do altar, o anjo que tem autoridade sobre o fogo, e clamou com voz forte ao que tinha a foice afiada, dizendo: Pegue a sua foice afiada e ajunte os cachos da videira da terra, porque as suas uvas estão maduras!” (Ap 14.15,18).


O Apocalipse foi escrito por João em um formato conhecido como “paralelismo progressivo”. O que isto quer dizer? Significa que João relata os mesmos fatos em blocos paralelos (por isso “paralelismo”) e, a cada vez que ele fala da mesma coisa em outro bloco, este se torna mais dramático que o anterior (por isso “progressivo”). Dentre outros blocos que o apóstolo já havia relatado em capítulos anteriores, este é o relato final do bloco que se encerra no cap. 14.

Aqui, o apóstolo João mostra nada menos do que o juízo final, só que em forma bem simbólica, isto é, em forma de colheita (de trigo) e vindima (colheita de uvas). A partir do cap. 15, ele vai começar outro novo bloco, falando do mesmo tema e encerrando no cap. 16 com as 7 taças. Mas vejamos o que João mostra a seus leitores aqui, no final deste bloco que se encerra no cap. 14.

Ele vê Cristo assentado em uma nuvem branca (v. 14), o que simboliza julgamento. A foice afiada está em Sua mão, o que representa que a hora do julgamento já chegou. O anjo que proclama no v. 15, apenas entrega o recado de Deus, dizendo que chegou a hora, mas ele fala somente do trigo – observe que, apesar de não usar a palavra “trigo”, entendemos que se refere a isso porque usa o termo “os campos da terra”. Então, no v. 16, o Senhor passa Sua foice pela terra e faz a colheita.

Aqui, o trigo representa os salvos. Esta é uma forma simbólica de falar sobre a salvação dos eleitos, o arrebatamento da igreja. Veja que houve a colheita, mas não se diz nada mais além disso. Ou seja, os salvos foram recolhidos no celeiro de Deus, como lemos em Mt 3.12; 13.30.

Já no v. 18, é dada uma ordem para que se execute a vindima, isto é, a colheita das uvas. Elas representam os ímpios. O versículo diz que elas estão maduras. A hora do julgamento já chegou! A impiedade dos pecadores já chegou ao seu ponto máximo diante da paciência de Deus! Assim que os cachos de uvas são reunidos da terra, são lançados no lagar da ira de Deus. O lagar é um tanque onde são espremidas as uvas com os pés e de onde se escorre o suco e o sumo!

O v. 20 diz que o lagar foi pisado fora da cidade. Sendo o lagar de Deus, então é o próprio Deus quem pisará os ímpios eternamente no tanque do inferno, fora de Sua presença, onde seu sangue escorrerá, como diz o final do versículo até 1.600 estádios. Simbolicamente, 4 x 4 x 10 x 10, que representa os ímpios dos 4 cantos do mundo, em todas as épocas, vezes 10, que representa as nações de todas as épocas.

Este dia chegará inevitavelmente. Mas nós, fazemos parte da colheita ou da vindima? Somos o trigo de Deus ou nosso sangue escorrerá como o de uvas pisadas?

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0486 - O MANDAMENTO DA ALEGRIA

 


Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp 4.4).

A sociedade ocidental é fortemente marcada pela ondulação de seus sentimentos, principalmente nas últimas décadas. Somos propensos e inclinados por nossas emoções e, aqueles que têm a natureza de demonstrá-las, acabam se tornando mais saudáveis do que os que as escondem (falando psicologicamente). Frequentemente ouvimos conselhos do tipo: “ponha todo seu sentimento para fora, seja raiva, alegria, se for tristeza, chore”, coisas assim.

Por sermos guiados por nossas emoções, raramente conseguimos entender quando a Bíblia prescreve mandamentos acerca delas. Como podemos controlar nossas emoções, se somos movidos o tempo todo por elas? Mas, de modo incrível, é isso que diz a Bíblia. Alegrar-se é um mandamento! E, estranhamente, no grego, ainda está na voz ativa, quando, em geral, esse tipo de imperativo para si mesmo, costuma estar na voz média, quando uma ação é feita de mim para mim mesmo.

As implicações disso são sérias para nós, como cristãos. Primeiro, porque, como estamos vendo, devemos empenhar um domínio da nossa obediência consciente sobre nossos sentimentos. Afinal, se, por um lado, se alegrar é uma emoção, por outro lado, sentir isso é uma ordem bíblica. Parece ser um ato da consciência sobre o sentimento, da razão sobre a emoção. Segundo, porque, se é um mandamento bíblico, desobedecê-lo constitui-se em pecado!

A mente humana (não só a ocidental, mas esta principalmente) achará isso uma completa loucura! Surgirão as confusões que nossos pensamentos limitados começam a produzir: “Então é pecado ficar triste?”, ou: “Eu não tenho domínio sobre meus sentimentos”. Mas a Palavra de Deus não deve ser desconsiderada por causa da nossa incapacidade. Somos acostumados a nos esquivar de certas responsabilidades por nos considerarmos incapazes. Deus não aceitará a desculpa da nossa impotência para justificar nossa desobediência. Ele não transige com Sua lei santa e justa.

O segredo do mandamento está no seguinte: no objeto da nossa alegria, a saber, o Senhor Jesus Cristo. Paulo diz: “Alegrai-vos no Senhor”! Eis aí está a razão pela qual Deus não aceitará a nossa desobediência a este mandamento. Pois Ele não está ordenando que sejamos alegres por estar sorrindo ao vento sem nenhuma razão. Ele não está dizendo que devemos sair por aí pulando pelos jardins de Dom Quixote, assoviando e catando flores. A razão da nossa alegria, de obedecer a este mandamento é o Senhor Jesus!

Este é o ponto onde quase todos os crentes falham! Sua alegria está nas circunstâncias que lhes envolve. Se tudo vai bem, ou conforme sua visão acha que é bom, então eles estão alegres. Basta uma adversidade para que rosto fique retorcido e o coração amargurado! Não! O mandamento é que, ainda que estejamos na pior das situações, se Cristo é meu maior amor, então serei alegre, pois minha alegria está em uma Pessoa Perfeita e não em momentos passageiros!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0485 - DEUS FEZ ALGO TORTO?

 


Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?” (Ec 7.13).

A tendência natural de quem lê este versículo, ou algum outro questionamento feito no livro de Eclesiastes, é sair afirmando por aí que a Bíblia diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”, ou afirmar que Deus fez algumas coisas realmente tortas. Mas não é isto que o autor está dizendo. Torto aqui é a coisa na perspectiva como nós a vemos e não como Deus a vê.

Ele vem falando o capítulo inteiro e vai continuar falando depois sobre algumas coisas que o ser humano considera em seu coração, quando, na realidade, deveria considerar outras. Ele diz que a casa de luto é melhor que a casa de festa (v. 2) e ali deveriam os homens aplicar seu coração; ele diz que a mágoa é melhor que o riso (v. 3), porque um rosto mais experiente torna o coração melhor; ele diz que é melhor ouvir a repreensão do sábio do que a canção do tolo (v. 5), enfim, o sábio Salomão mostra que a perspectiva deve ser diferente daquilo que costumamos.

No v. 14, ele diz que a pessoa pode aproveitar a prosperidade, mas deve considerar os dias de adversidade, pois Deus é quem faz ambos os tempos para que o ser humano não confie demais no tempo bom. Em outras palavras, o sábio quer nos dizer que quando estamos em prosperidade, gostaríamos que assim fossem todos os nossos dias. E quando nos advêm as desventuras, logo julgamos que Deus fez alguma coisa torta.

Esta, portanto, é a lição do v. 13. Ninguém pode ajustar aquilo que vê como torto, pois o que está torto, na verdade, é o nosso modo de enxergar e não aquilo que Deus fez. Aliás, o sábio encerra este capítulo, dizendo que “Deus fez o ser humano reto, mas ele se meteu em muitos problemas” (v. 29 – NAA). Então, o problema não está em Deus e sim no homem, suas astúcias e suas consequências. Como se diz: o homem gosta de errar, só não gosta que dê errado.

Mas a verdade é que Deus pouco Se importa também com o feedback do homem a Seu respeito. Se o homem acha que isto ou aquilo está torto, ou questiona por que Deus deixa que fique assim, essas coisas, isso para Deus não Lhe atinge. Ao contrário, o homem é quem deveria estar preocupado com o que Deus acha dele. Afinal, o feedback do Criador é perfeito, assim como Ele. Quando Ele olhava para as coisas que havia criado, Ele via que era bom!

Seria bom para a humanidade olhar para sua conduta e verificar que ela está realmente torta e cada vez mais distante daquele a quem ela há de prestar contas. Ela deveria recorrer ao único que é capaz de endireitar aquilo que o homem fez torto e continua fazendo. Jesus, Ele é o único que viveu retamente e assumiu nossa tortuosidade na cruz do Calvário para que nós fôssemos ajustados diante da santidade do Pai.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 1 de dezembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0484 - INVESTIMENTOS FUTUROS

 


Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz” (Pv 27.1).


O ser humano é, dentre outras coisas, um ser presumido. Ele acha que pode realmente ter domínio absoluto sobre sua vida e, por vezes, inclusive, sobre a vida alheia. O planejamento do homem abarca dias futuros, meses futuros, anos futuros e até mesmo gerações futuras. Frequentemente ouvimos cientistas e pesquisadores dizerem como estará o mundo daqui a 50 ou 100 anos.

Por um lado, isso pode trazer à lembrança que o homem foi criado realmente para não morrer. Deus é um Deus de vida, a morte é uma intrusa em Sua criação (claro, não estamos aqui considerando os decretos e a onisciência de Deus). A morte, como salário do pecado, veio revelando a terrível mancha que o pecado trouxe à pintura da arte divina. Então, quando o homem faz planos para o futuro, isso pode indicar que ele esteja fazendo aquilo que lhe seria natural, caso não tivesse pecado.

Entretanto, por outro lado, não podemos nos esquecer desse terrível evento chamado Queda! Ela trouxe, além da mancha na arte divina, a morte como um limite inexorável para cada coisa criada no mundo material. Trata-se do limite da morte, a qual é democrática, vem sobre todos sem questionário e sem currículo. Isto é o que temos que considerar quando nossos planos estão a todo vapor em nossa mente projetora.

A presunção do homem chega ao ponto de ele se gabar do amanhã. Ele desconsidera que Deus estabeleceu um livro para cada um de nós com páginas contadas, mesmo antes de nós nascermos (Sl 139.16). Por mais que quiséssemos, jamais conseguiríamos acrescentar a esse livro uma página sequer (Mt 6.27). Por isso, Jesus diz que não devíamos nos inquietar pelo dia de amanhã. Cada dia já basta que ele carregue seu próprio mal (v. 34).

Tiago nos ensina o seguinte acerca desse assunto: “Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna” (Tg 4.13-16).

Claro que não há proibição em investir, em cuidar, em prevenir, em angariar para um futuro. Prudente é aquele que assim o faz. Mas o perigo é que sempre confiamos nisso e disso presumimos. Qualquer noite dessas pode ser que venhamos ouvir aquela voz: “Esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12.20). E aí?

Só existe uma coisa que nós sabemos sobre o amanhã. Que “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10). Isso é inescapável tanto para vivos, como para mortos! Enquanto estivermos aqui, neste corpo perecível, nossos planos para o amanhã, nosso trabalho, nossos diplomas, nossa família, nossos investimentos, tudo isso não passa de uma vela acesa ao vento.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson