sábado, 30 de novembro de 2024

SÉRIE TULIP 05 - PERSEVERANÇA DOS SANTOS

 


E a vontade de quem me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.39).

 

Quando se fala da doutrina da Perseverança dos Santos não se quer dizer que os crentes têm força suficiente para manter-se salvos até o fim. Mas que o Senhor lhes dá a força de que precisam para isso. Esta doutrina também é chamada de “Preservação dos Santos”, ou doutrina da “Segurança Eterna”.

O sentido dessa doutrina é que todos aqueles por quem Cristo morreu e foram irresistivelmente chamados pela graça do evangelho no interior de seu coração, esses permanecerão firmes na fé até a vinda de Jesus. Com isto não se quer dizer que estes salvos podem viver uma vida dissoluta e pecaminosa. Afinal, seu coração já foi trocado por um coração que ama a Deus e Suas virtudes. Mas também não quer dizer que os salvos não pequem, pois, ainda que estejamos garantidos para a vida eterna, ainda estamos no corpo desta morte.

Alguns objetam, dizendo que se os salvos estivessem realmente seguros, a Bíblia não teria tantos versículos alertando os crentes para não se desviarem. No entanto, o alerta existe porque muitos podem supor que são salvos e na verdade não são. Então, para que ninguém fique enganado com relação à sua salvação, os alertas são dados para que nós nos conheçamos, pois Deus, afinal, já nos conhece.

Vários versículos nos garantem que os que são realmente salvos jamais se perderão: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28). Jesus está dizendo que uma vez que quem dá a vida eterna às Suas ovelhas é Ele mesmo, então é impossível que elas pereçam, pois Ele não pode mentir. Afinal, a vida que Ele dá é eterna e, se é eterna, não pode ser perdida, senão não seria eterna.

O apóstolo Paulo diz: “Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6 – NAA). Pedro diz que somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para ser revelada no último tempo” (1Pe 1.5). É o poder de Deus que nos guarda e não nossa própria força. Claro que é pela fé, como lemos, aliás, se não fosse, então os incrédulos também estariam guardados para a salvação, o que é um absurdo. Esta promessa é para crentes.

Apesar de ter no NT vários versículos que nos garantem a firmeza, ainda que tropecemos, há um versículo que jamais pode ser questionado, a saber, o que lemos no início. A vontade de Deus, que enviou Jesus, é que Ele não perca nenhum sequer dos que Lhe foram dados pelo Pai! Se Jesus perder apenas um que seja, então Ele falhou em Sua missão, Ele não cumpriu a vontade do que Lhe enviou e assim, não pode nos salvar!

Lembre-se: Deus não lhe salva e depois te deixa se virar para se manter. Ele mesmo, que começou a obra da salvação em você, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus. Ele não é construtor que deixa Sua obra no meio do caminho. Tudo que Ele faz é perfeito, por isso que a cada dia Ele caminha conosco nos aperfeiçoando até que Sua gloriosa obra esteja completa!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

SÉRIE TULIP 04 - GRAÇA IRRESISTÍVEL

 


E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões” (At 26.14).


A doutrina da Graça Irresistível é também chamada de Vocação Eficaz na Teologia da Salvação. Diz respeito ao chamado interno que o Espírito Santo faz no indivíduo que ouve o evangelho. Mas não em todos. Alguns ouvem o evangelho e não se convertem. Os que se convertem não é porque sejam melhores ou mais maleáveis que os outros. É porque o Espírito Santo usou a pregação do evangelho para falar de modo vivificador em seu coração, assim ele foi despertado e veio a Cristo.

Somente uma pessoa muito arrogante pode dizer que veio a Cristo por decisão livre. A Bíblia é muito clara que ninguém é livre: “Todo o que comete pecado”, disse Jesus, “é escravo do pecado” (Jo 8.34). Aprofundando um pouco mais, o homem não é escravo do pecado apenas porque não pode se libertar dele, mas, além disso, porque gosta dele. Lembre-se do versículo: “Os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3.19).

Quando uma pessoa vem a Cristo é porque, no momento da pregação do evangelho, seu coração foi trocado por Deus por um novo coração, um coração que ama a Cristo e Seu evangelho. Portanto, Graça Irresistível não quer dizer que Deus force o pecador a receber Seu Filho, antes, troca-lhe o coração que era endurecido por um coração submisso e amável, o qual deseja Cristo e, dessa maneira, é que o pecador se entrega ao Salvador. É o que lemos em Ez 36.26.

Saulo é um exemplo muito drástico de como a graça salvadora é irresistível para aqueles por quem Cristo morreu. Mesmo sendo ele um eleito sem saber disso, sua perseguição a Cristo teve um prazo. Terminado esse prazo, Cristo veio ao seu encontro e o encurralou. Não adiantava ele dar coices contra os aguilhões da graça! Fim da história? Saulo se rendeu... Ainda, o Senhor disse a Ananias que Saulo era um vaso escolhido (At 9.15). E olha que ele nem sabia disso.

Mais tarde, quando Paulo entende que só foi salvo por causa da graça que o alcançou, ele diz a Timóteo: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9). E diz mais o apóstolo, após ter dito que era o principal dos pecadores e ter sido alcançado pela graça: “Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1Tm 1.16).

Claro que Jesus não vai sair por aí derrubando pessoas para que se convertam (exceto em alguns casos), mas o que acontece no coração dos eleitos, daqueles por quem Cristo morreu, é exatamente isso! Ele derruba toda resistência natural de pecadores que nós temos. A graça é irresistível porque quando o Senhor quer, não há nada que o pecador possa fazer, a não ser se render! Muitos vivem resistindo. Não porque têm maior força, mas, ou é porque não chegou a hora, ou é porque nunca serão salvos...

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

SÉRIE TULIP 03 - EXPIAÇÃO LIMITADA

 


Eu sou o bom pastor.  O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).


Uma das doutrinas que mais causam rejeição da parte do homem é a doutrina chamada Expiação Limitada. Primeiro, vamos conceder clareza ao significado destas palavras, depois expliquemos o que essa doutrina não é, e por fim o que ela é. Pelo termo “expiação”, os teólogos quiseram dizer a morte de Jesus e seus efeitos; por “limitada”, eles entenderam não que os efeitos salvíficos da morte de Cristo sejam ineficazes, mas que se aplicam apenas a um grupo específico de pessoas; grande número de pessoas, é verdade, porém específico, um número limitado. Em outras palavras, Jesus não morreu por todas as pessoas sem exceção.

O que “Expiação Limitada” não é? Ela não significa que a morte de Cristo não tenha poder para salvar o mundo todo. Com certeza tem. Ela também não significa que Deus faça acepção de pessoas. Afinal, em todas as pessoas, raças, classes, gênero, idade, línguas, etc., Deus executa Sua maravilhosa salvação. Então o que significa essa doutrina? E o que ela tem a ver com as doutrinas que a antecederam?

O que ela tem a ver é que uma vez que todos nasceram perdidos em seus pecados e que Deus não é obrigado a salvar ninguém, aqueles a quem Ele escolheu salvar, foi por amor somente a estes que Ele enviou Seu Filho para pagar pelos pecados deles. Veja o que disse o anjo a José na época da gravidez de Maria: “Ela dará à luz um filho e você porá nele o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). O anjo disse que Jesus salvaria Seu povo, não todo mundo.

Quando Jesus ensinou a Seus discípulos que o maior seria o menor, Ele disse que o “Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45). Não por todos. De outra feita, nosso Senhor estava orando e disse ao Pai: “É por eles que eu peço; não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Bem como o versículo que lemos no início, diz que Jesus, como o Bom Pastor, dá a Sua vida pelas ovelhas. Jesus não deu Sua vida pelos bodes, somente por Suas ovelhas. Também Ele não ora pelo mundo, somente por aqueles que o Pai Lhe deu.

Alguém poderia argumentar: “Mas se alguém crer em Cristo pode se tornar ovelha”. Entretanto, não é o que o Senhor diz. Veja o que Ele disse aos judeus de Sua época: “Mas vocês não creem, porque não são das minhas ovelhas” (Jo 10.26). Se fosse como se costuma pensar, Jesus teria dito: “Vocês não são das minhas ovelhas, porque não creem”. Como se bastasse crer para se tornar ovelha dEle. Mas Jesus disse o contrário. Eles não criam porque não eram ovelhas, ou seja, era esse o fato que os impedia de crer. Jamais irão crer os que não são ovelhas.

Por fim, uma questão é importante pensarmos: se Jesus realmente morreu por todos, por que todos não são salvos? Geralmente se responde: porque as pessoas não querem. Mas por que Jesus morreria por alguém que Ele sabia de antemão que não iria querê-lo? E mais: afinal, quem é que realmente quer Jesus, se Deus não mudar seu coração para isto? Todos no pecado rejeitam Jesus!

Então, foi exatamente por estas pessoas que Deus mudou o coração que Ele enviou Seu Filho para morrer por elas! A morte de Cristo não vai salvar a todos não porque eles não querem, mas porque Deus deu ao Seu Filho um certo número de pessoas desde a eternidade e na plenitude do tempo O enviou para comprá-los com Seu precioso sangue (Jo 17.2)!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 26 de novembro de 2024

SÉRIE TULIP 02 - ELEIÇÃO INCONDICIONAL

 


Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21).


Uma vez que todos pecaram (Rm 3.23), o salário do pecado é a morte (Rm 6.23) e todo ser humano já nasce em pecado, ainda que não praticado (Sl 51.5), segue-se que todos que nascem, ainda que fisicamente vivos, são, porém, mortos espiritualmente (Ef 2.1,5). Esse fato inegável fica ainda mais claro quando Jesus diz a Nicodemos que sem nascer de novo não se pode ver o reino de Deus (Jo 3.3).

Se o ser humano já nasce espiritualmente morto, então é óbvio que espiritualmente ele nada pode fazer por sua situação. Um morto não pode fazer absolutamente nada, nem pelos outros nem por si mesmo. Assim, um pecador nada pode fazer por si mesmo no que diz respeito às questões espirituais. Ele está morto. Necessita de ressurreição, mas ele não pode fazer isto por si mesmo.

Há vários versículos que falam que para uma pessoa vir a Cristo, ela depende da ação divina. Por exemplo, além desse que lemos no início, Jesus também disse em Mt 11.27 que só conhece o Pai aquele a quem o Filho quiser revelar. Nosso Senhor foi claro quando disse que ninguém pode ir a Ele se o Pai não o trouxer (Jo 6.44). Paulo disse que “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). enfim, essa doutrina é chamada de Eleição Incondicional.

A verdade dessa doutrina é a seguinte: não há nada absolutamente no homem que leve Deus a escolhê-lo para salvar de seu pecado. Nada! Todos estão igualmente na mesmíssima situação: mortos em seus delitos e pecados! E como Deus é santo, não pode Se relacionar com quem está atolado em seus pecados. Ou Deus faz alguma coisa para resolver isso, ou a humanidade inteira perece, pois nada ela pode fazer.

Estando assim perdido, o homem depende da livre vontade de Deus para ser salvo. E aqui entra uma questão polêmica: Deus não escolheu todos para que sejam salvos! Muita gente diz que sim. Diz que Deus escolheu, mas elas que não querem. Porém, como já vimos, morto não quer nada mesmo. Por isso Jesus disse no versículo inicial que o Filho vivifica aqueles a quem quer. Veja o que Jesus falou sobre os que o Pai Lhe deu: “assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” (Jo 17.2). Se nem todos terão a vida eterna, então nem todos foram dados ao Filho.

A escolha vem de Deus. Ele não é obrigado a salvar ninguém. Quando salva, Ele salva a quem quer, como já lemos no início. Isso lhes deixa perturbados? Gostariam que houvesse alguma virtude em vocês que levasse Deus a escolhê-los para o céu dEle? Não, meus ouvintes e leitores. Ele olhou do céu para a terra e não viu nem um justo sequer (Sl 14.3; Rm 3.10,12)! Se somos salvos, é somente por Sua bondade soberana e não por alguma condição que supostamente Ele tenha visto em nós.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

SÉRIE TULIP 01 - DEPRAVAÇÃO TOTAL

 


Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23).


Todo ser humano que raciocine sobre a própria humanidade, seja ele crente ou não, deve confrontar a questão que nunca se cala: o que aconteceu conosco? Por que somos assim como somos? O que há de errado com a humanidade? Por que a maldade parece ser inata do ser humano? Estas são questões cruciais e todos nós devemos pensar sobre isso.

Algumas ciências procuram responder a isto. A sociologia culpa o meio em que o homem vive, a psicologia atribui isso ao comportamento, a evolução diz que somos seres que lutam pela sobrevivência, a filosofia já questionou isso muito, sem esperança, mudando sempre de opinião, dependendo de como está a era em que vivemos e assim vai.

Fato é que todos são pecadores, diz a Bíblia, e aquilo que fazemos é algo que procede da nossa natureza. Não é somente o testemunho que presenciamos todo dia que nos diz isso, mas a Palavra de Deus, sim, ela nos assegura que o homem nasceu em pecado. Ele recebeu isso de herança da parte de nosso primeiro pai: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12).

Na Queda do homem, toda sua natureza, todas as suas faculdades, foram corrompidas pelo pecado. É claro que elas não foram manchadas de forma absoluta, mas não há nenhuma delas que ficou isenta da mancha! Isto é chamado de Depravação Total. Não é absoluta, porque ainda há coisas em todo ser humano que refletem a imagem de Deus, porém nada disso é perfeito em sua origem. O problema do homem é que ele faz algumas coisas boas, mas a partir de um coração mau.

Há coisas boas no homem? Sim. Entretanto, elas não são suficientes para nos salvar, porque procedem de um coração contaminado e Deus não bebe de fonte contaminada. Tais coisas boas não somente têm uma origem má, que é o nosso coração, como têm um fim, um objetivo mau, que é nossa glória, roubando a glória de Deus para alimentar nosso ego.

O salmista Davi fala claramente sobre isso e o apóstolo Paulo usa a fala de Davi como inspirada para formular sua doutrina da Depravação Total do homem. “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.10-12; cf. Sl 14.1-3).

Esta é a razão por que somos o que somos e fazemos o que fazemos. Somos fruto de Adão e o que fazemos é pecar naturalmente. Nascemos em pecado e, por isso, naturalmente somos inimigos de Deus. A igreja deveria pregar isso. Os pregadores deveriam proclamar sobre isso em seus púlpitos. Não devemos deixar nossos ouvintes irem embora pensando que são bons. Eles devem saber que, como herdeiros de Adão, nasceram em guerra contra Deus e são merecedores da condenação.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0483 - O PAI TRABALHA, O FILHO TAMBÉM; E A IGREJA?

 


Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17).


Antes de desenvolvermos nossa reflexão sobre esse tema, é bom que desvendemos a aparente contradição deste versículo com aquele de Gênesis, onde lemos que Deus descansou no dia sétimo de toda a sua obra que tinha feito. Se Ele descansou, por que Jesus diz que Ele trabalha até agora? Não sugere que não houve descanso?

A questão é que o texto de Gênesis se refere à criação natural, o surgimento de novas obras da natureza por criação. Que Deus trabalha à parte disso, não resta dúvida, pois Ele coopera com Sua criação, no sentido de que é Ele quem faz com que todas as leis estabelecidas no universo funcionem (Hb 1.3); Ele é quem faz a grama crescer (Sl 104.14); os animais pedem a Deus seu sustento (vs. 21,27); Ele é quem trabalha com milagres providenciais, interferindo poderosamente nas leis naturais para glorificar Seu nome (Sl 105, por exemplo); enfim, dessa forma Deus não cessou Sua atividade. Todavia, nunca mais Deus criou novas coisas no que diz respeito à primeira ordem.

Mas na segunda ordem das coisas, Deus trabalha também e, até mesmo, de modo criativo. Ele é quem cria em nós o “novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24). E é sobre isso que Jesus está falando. Tanto que nos próximos versículos, Jesus diz que nada pode fazer, exceto aquilo que vê Seu Pai fazer (v. 19), e uma dessas coisas é ressuscitar os mortos espirituais a quem Ele quiser (v. 21), ou seja, dar vida espiritual ao homem morto em seus delitos e pecados (v. 25).

Fica assim provado, portanto, que o Pai e o Filho continuam em atividade por meio do Espírito Santo até hoje e continuarão até à segunda vinda. Mas, e quanto às pessoas na igreja? Será que podem repetir essa fala de Jesus? O Pai trabalha até agora, o Filho trabalha e nós também trabalhamos? Só para efeito de exemplo, nessa obra que Pai e Filho trabalham, criando uma nova natureza nos eleitos para que creiam, o Espírito opera isso através do quê? Através da pregação do evangelho! Então, a pergunta se repete: a igreja está trabalhando nisso?

São muitas as desculpas para não trabalhar: “o teu trabalho é descansar em mim”; “não sou salvo pelas obras”; “não descobri meu chamado”; “isso é para pastor ou evangelista”; enfim, não vamos repetir as conhecidas justificativas para negar o trabalho. Entretanto, a Bíblia nos chama ao serviço cristão. Jesus mesmo reconheceu que poucos são os trabalhadores para a seara do Senhor (Lc 10.2).

Somos chamados hoje a repetir a frase de Jesus: “O Pai trabalha até agora, o Filho também trabalha. E nós, como igreja, prosseguimos o trabalho do Filho de Deus, revestidos do poder do Espírito Santo”! E o apóstolo Paulo, o que mais trabalhou na causa do Senhor, nos diz: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0482 - A MALDIÇÃO DE JECONIAS

 


Tão certo como eu vivo, diz o Senhor, ainda que Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, fosse o anel de selar na minha mão direita, eu dali o arrancaria” (Jr 22.24 – NAA).


Jeconias foi um rei de Judá, que reinou apenas 3 meses em Jerusalém, na época da invasão babilônica. Ele tinha 18 anos quando foi coroado, mas a Bíblia diz que ele “fez o que era mau aos olhos do Senhor” (2Re 24.9). Seu nome é citado como Joaquim e também Conias, uma abreviação de Jeconias.

Como Deus já estava irado com os reis anteriores, entre alguns justos e outros ímpios, o Senhor resolve amaldiçoar este rei através do profeta Jeremias. Além de ter que ir para o cativeiro babilônico em plena juventude, este rei não teria descendente que viesse a assentar-se no trono de Davi: “Assim diz o Senhor: Registrem que esse homem não teve filhos. É homem que não prosperará nos seus dias, e nenhum dos seus filhos prosperará, para se assentar no trono de Davi e ainda reinar em Judá” (Jr 24.30).

De fato, este rei foi ao cativeiro, nenhum filho seu se assentou no trono de Davi, antes, o seu tio Matanias (cujo nome foi trocado para Zedequias) é quem foi posto rei em seu lugar por Nabucodonosor (2Re 24.17). Mesmo no cativeiro, mais tarde, Jeconias é tratado bem pelo filho de Nabucodonosor, Evil-Merodaque (37 anos depois). É retirado da prisão, é honrado à mesa do rei babilônio, além de receber do rei uma pensão vitalícia e subsistência diária diante dele (2Re 25.27-30).

Porém, Mateus coloca Jeconias como ancestral real de Jesus na sua genealogia (Mt 1.11). Assim, os críticos logo argumentam: “Este rei foi amaldiçoado e nenhum de seus filhos foi rei, então sua linhagem foi interrompida, e, se Jesus descendeu dele, conforme diz Mateus, logo, Jesus não é herdeiro legítimo, pois os que se assentaram no trono foram os descendentes de Zedequias e não de Jeconias”!

Todavia, Deus é perfeito! Somente Ele pode amaldiçoar e somente Ele pode revogar a maldição! Perceba que há um descendente de Jeconias chamado Zorobabel (Mt 1.12). Em Ageu 2.23, lemos uma promessa feita a Zorobabel, herdeiro legítimo de Jeconias: “Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, tomarei você, Zorobabel, filho de Salatiel, você que é meu servo, diz o Senhor, e farei de você um anel de selar, porque eu o escolhi, diz o Senhor dos Exércitos”. Veja que repete o termo amaldiçoado por Jeremias: “anel de selar”!

Até o próprio Talmude e o Midrash testemunham que a maldição foi retirada, tanto pela expiação do cativeiro, como pela promessa de Deus a Zorobabel. Sendo assim, nem os próprios judeus opositores de Jesus, poderiam negar Sua messianidade! Podemos continuar pregando o evangelho que, segundo Paulo, “diz respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi” (Rm 1.3).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0482 - SENHOR OU DÉSPOTA?

 


E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.11).


Déspota é uma palavra que designa um governante que rege com autoridade arbitrária ou absoluta; aquele que usa de autoridade tirânica para governar; é o ditador, o opressor, o dominador. Essa palavra vem do grego despótēs, que em geral quer dizer “senhor, dono, ou amo de escravo”. Há outra palavra grega para significar “senhor”, que é a palavra kyrios. O NT foi escrito em grego e, em geral, kyrios é usado para Jesus, enquanto despótēs é usado para Deus Pai. Normalmente, kyrios carrega um tom mais cavalheiresco do que despótēs.

Ambas as palavras aplicadas, tanto ao Pai como ao Filho, querem dizer muita coisa. Deus não é Senhor apenas daqueles que O declaram como tal. Na realidade Ele é Senhor de tudo e de todos. Quando alguém confessa a Cristo como Senhor de sua vida, obviamente, a palavra usada kyrios a este evento é aplicada. Mas independente de se alguém confessa ou não a Cristo, Ele é Senhor de todas as coisas.

A Bíblia diz que Deus fez Jesus “Senhor e Cristo” (At 2.36). Essa fala de Pedro aos ouvintes no dia de Pentecostes, após ter falado da morte, ressurreição e ascensão do Senhor, compungiu o coração daquelas pessoas, de modo que elas ficaram atemorizadas e perguntaram: “Que faremos, varões irmãos?” (v. 37).

Nós não sentimos culturalmente o peso da palavra “Senhor”. Geralmente a associamos a um patrão, um empregador, um gerente, algo assim. Mas essa palavra tem a conotação de um soberano mesmo. Alguém cujo governo é inquestionável e sua direção tem que ser seguida. Claro que quando se refere a homens no governo despótico, nós vemos todo tipo de abuso de poder, de tirania arbitrária e leis estúpidas.

Porém não é assim com o Senhor dos senhores. A Bíblia diz que “a lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma” (Sl 19.7). Diz também que “justo é o Senhor em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras” (Sl 145.17). E, mesmo santo, perfeito e justo como é, ainda nos recebe em Sua presença. Mas somente por intermédio de Seu Filho Jesus. Não por outro caminho.

Na antiguidade, se alguém entrasse na presença do rei sem ser chamado, sua sentença era a morte, a não ser que o rei estendesse para essa pessoa o seu cetro (Et 4.11). Assim, o homem que tenta se aproximar de Deus a não ser por Jesus, já tem sua sentença de morte garantida. O único meio de alguém ser salvo é se Deus lhe revelar Seu Filho.

Esta é a verdade bíblica. Deus é Senhor Soberano e Absoluto de tudo, desde a menor partícula conhecida deste universo, até as maiores extensões indecifráveis para os cientistas da infinitude deste universo, tanto no sentido visível, como no invisível. Deus pode ser Senhor de sua vida de um modo ou de outro, como Kyrios para te salvar, ou como Despótēs para te condenar! Naquele dia “se dobra[rá] todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confessa[rá] que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.10,11).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 19 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0481 - QUANDO CRISTO VOLTAR

 


Depois, finalmente, aparecerá no céu um sinal da minha vinda e haverá profunda lamentação ao redor de toda a terra. As nações do mundo verão o Filho do Homem chegar nas nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24.30 – NBV).


O mundo já foi testemunha de muitos eventos impactantes e admiráveis: nosso planeta já foi inundado pelo dilúvio; impérios já se levantaram e dominaram seus países vizinhos; o maior evento da história teve palco no monte Calvário, onde o Filho de Deus foi crucificado; a Sua gloriosa ressurreição; nosso mundo já foi assolado por duas grandes guerras mundiais; revoluções mudaram o curso da nossa história; enfim, somos figurantes, coadjuvantes e atores num cenário, cujo diretor é Deus, que já estabeleceu o roteiro do início ao fim.

Mas o maior de todos os eventos na história da humanidade ainda está por vir. Será quando Jesus retornar majestoso do Seu trono celeste sobre as nuvens do céu com poder e grande glória! Esse será o marco divisor que põe fim à história e estabelece o que se conhece por “eternidade futura”, que nada mais é do que sucessões intermináveis de contagem de tempo, uma era tombando após outra, sem jamais ter fim!

Quando Cristo voltar, coisas maravilhosas irão acontecer. E, além de várias espetaculares, como a explosão de cada átomo do universo, por exemplo, os inimigos de Deus também serão subjugados para a liberdade da glória dos filhos de Deus. O anticristo que, nessa ocasião, estará perseguindo violentamente o povo de Deus, mas será destruído pelo esplendor da vinda de Jesus e lançado no lago de fogo (2Ts 2.8; Ap 19.20).

Quando Cristo voltar, o diabo também será destruído e lançado no lago de fogo, sim, este que atormentava a humanidade, em especial o povo de Deus, será aquele que mais irá sofrer no inferno. As pessoas pensam que Satanás ficará com algum tridente espetando as pessoas que forem pro inferno, no entanto, não é o que a Bíblia diz. Esse anjo caído é o primeiro ser criado por Deus que praticou o pecado, levando anjos consigo para a rebelião e que fez cair nossos pais Adão e Eva. Será, pois, o que mais sofrerá no inferno eterno!

Quando Cristo voltar, o pecado também será desarraigado dos salvos. Juntamente com seu salário, que é a morte, o pecado será destruído e estará somente no lago de fogo, nos pecadores que ali estarão eternamente. Eles é que pecarão sem fim e, aumentando pecado sobre pecado, também colherão morte sobre morte para sempre! Mas os filhos de Deus estarão não somente livres de pecar para sempre, como também lhes é assegurado que não sofrerão o dano da segunda morte, que é o lago de fogo (Ap 2.11).

Finalmente, quando Cristo voltar, as injustiças todas serão corrigidas. Acontecerá numa grande simplicidade, como nós pensamos: o justo recebe recompensa e o ímpio recebe punição. Sim, é isto que Jesus disse que vai acontecer: “O Filho do Homem enviará os seus anjos e eles separarão do Reino tudo que faz as pessoas tropeçarem e todos os que praticam o mal. Estes serão lançados na fornalha ardente, onde queimarão. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os piedosos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça!” (Mt 13.41-43 – NBV).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0480 - DEUS É TEMIDO QUANDO O SEU POVO O PROCLAMA!

 


Sim, Deus nos abençoará, e todos os habitantes da terra o temerão” (Sl 67.7 – NVT).


O Salmo 67 tem uma estrutura simples e uma mensagem cheia do evangelho, ainda que tenha sido escrito em torno do séc. V a.C. O título do salmo diz que era para tocá-lo com neginot, que, no hebraico, significa “instrumentos de cordas”. Percebe-se que a intenção do salmista é que ele fosse cantado de forma dedilhada e suave.

O primeiro verso deste salmo nos recomenda à misericórdia de Deus: “Que Deus seja misericordioso e nos abençoe. Que a luz de seu rosto brilhe sobre nós”. É assim que o evangelho nos alcança, a saber, pela exclusiva misericórdia de Deus. Somente por isso é que a Sua luz brilhará sobre nós. O evangelho ainda permanece encoberto, diz o apóstolo Paulo aos coríntios, mas permanece encoberto para os que se perdem (2Co 4.3).

No entanto, quando Deus realmente quer fazer Sua luz brilhar, nada pode impedi-lo de fazer isto. “Pois Deus, que disse: ‘Haja luz na escuridão’, é quem brilhou em nosso coração, para que conhecêssemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo” (2Co 4.6 – NVT). Agindo Ele, ninguém pode impedir e assim se cumpre o v. 1 deste salmo.

A seguir, o salmista deseja que os “caminhos sejam conhecidos em toda a terra, e tua salvação, entre as nações de toda parte” (v. 2). Assim também é tarefa dos que já foram salvos tornar conhecidos os caminhos de Deus entre as nações. Só então os povos louvarão ao Senhor (v. 3,5).

No v. 4, o salmista deseja que os povos conheçam também a justiça de Deus. Em todas as épocas dos governos humanos, os povos foram sempre oprimidos e injustiçados. Mas quando Deus governa, a justiça é algo certeiro e, como Supremo Pastor, por Ele somos guiados. As pessoas reclamam de governos injustos, mas rejeitam o único que pode governar com justiça. Outra contradição da nossa sociedade é que diz se alegrar com governantes justos, mas não admite se alegrar com a condenação dos injustos no inferno...

O v. 6 parece nos mostrar que o salmista compôs esse salmo para ser cantado nas festas das colheitas. No dia de Pentecostes (que era a mesma festa das colheitas), o Espírito Santo desceu sobre a igreja e fez uma enorme colheita espiritual, conquistando 3 mil pessoas pela pregação do apóstolo Pedro (At 2). Como diz o v. 6 deste salmo, o nosso Deus nos abençoará ricamente. Sim, com muitas vidas sendo alcançadas pelo evangelho, de fato, não há maior bênção do que essa!

Assim se encerra esta canção. Deus nos abençoando, todos os habitantes da terra O temerão (v. 7)! Uma igreja que foi alcançada pela graça, cujo rosto foi resplandecido pela luz do evangelho de Cristo, uma igreja que proclama os caminhos de Deus por toda terra, que fala de Sua justiça e Seu pastoreio, com certeza será uma igreja que se deleita na conversão de muitas vidas para o Senhor e sempre será motivo para que o Seu nome seja temido em toda terra!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 17 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0479 - PLANTAS QUE SERÃO ARRANCADAS JUNTAMENTE COM SEUS SEMEADORES

 


Ele, porém, respondendo, disse: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mt 15.13).


Em uma de muitas perseguições que os fariseus faziam a Jesus, uma delas foi porque eles O viram comendo sem antes lavar as mãos. É óbvio que eles não estavam falando mal de Jesus por uma questão higiênica. Afinal, se alguém come sem lavar as mãos por esse motivo, o máximo que um intrometido possa fazer é explicar-lhe os riscos de saúde que ele corre.

Entretanto, aqueles falsos piedosos criticavam o Senhor por questões religiosas e completamente cerimoniais! Escritos judaicos falam sobre que tipo de utensílio deveria ser usado para lavar as mãos, que tipo de água, que partes da mão deveriam ser lavadas e quem deveria derramar água. Em João 2.6-8 nos é mostrado que havia talhas exclusivas para a lavagem das mãos.

Observe que estas coisas não constavam da lei de Moisés. Por isso Jesus disse que toda planta que Seu Pai não houvesse plantado seria arrancada. Ele estava falando dos ensinos dos homens. O que Deus ordenou ser escrito é o suficiente. O que o homem inventa é planta não plantada pelo Pai. Veja que Jesus não diz que vai arrancar o que não se plantou, mas o que foi plantado sim, todavia, não pelo Pai.

Os falsos mestres são realmente semeadores de plantas não divinas. Elas procedem dos demônios, diz o apóstolo Paulo. Ao lermos 1Tm 4.1-3, logo vemos que algumas coisas aparentemente inofensivas que são ensinadas, procedem de demônios e não de homens, ainda que sejam homens que as ensinem. Ele diz: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (v. 1).

E quando Paulo cita dois exemplos dessas doutrinas de demônios, elas não parecem tão danosas: “proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis” (v. 3). Não parece que é coisa de homem? No entanto, Paulo diz que é coisa de demônio. Realmente, se não foi o Pai celestial que plantou, dificilmente seria o homem. Este pode até propagar, mas o semeador é o próprio diabo, como disse Jesus sobre a parábola do trigo e do joio (Mt 13.24-43).

Sabemos que tais plantas serão arrancadas. Mas pelo visto, agora elas só são arrancadas do coração dos eleitos. Daqueles que são cegos guiados por cegos e também dos cegos que guiam os cegos, elas só serão arrancadas no dia do juízo. Tarde demais para eles perceberem que viveram enganando e sendo enganados. Viveram errantes e fizeram pessoas errar. Quando tais plantas forem arrancadas, seus semeadores e propagadores também o serão!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0478 - SEM JESUS, O QUE ESTÁ RUIM VAI PIORAR!

 


E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então, diz: Voltarei para a minha casa, donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má” (Mt 12.43-45).


Jesus pronunciou esta fala aos Seus conterrâneos, logo depois de ter expulsado um demônio da vida de um homem cego e mudo; expulso aquele espírito, o homem passou a falar e a ver (v. 22). Embora a multidão dissesse que Ele era o Filho de Davi, por causa desse sinal, os fariseus, entretanto, blasfemavam, dizendo que Ele expulsava demônios por Belzebu (vs. 23,24).

Após dizer que eles blasfemaram contra o Espírito Santo e que, por isso mesmo, jamais teriam perdão, Jesus então ensina que não poderia ser diferente, pois da árvore má, só pode vir fruto mau. Aqueles fariseus não podiam tirar coisas boas de seu tesouro, pois seu tesouro era mau. Ainda assim, Jesus insiste que eles teriam de dar conta de suas palavras no dia do juízo (vs. 33-37).

Grande lição aprendemos aqui: as pessoas não são responsabilizadas apenas se puderem fazer a vontade de Deus e não fazem; elas não podem fazer e mesmo assim terão de responder sobre isso no dia do julgamento. A incapacidade do homem não o torna isento do juízo. O ser humano é uma árvore má e mesmo assim terá de responder por seus frutos maus.

Mesmo Jesus tendo repreendido aquele demônio e ter liberto a vida daquele homem, as pessoas ainda pediam a Ele um sinal do céu para que cressem em Jesus (v. 38). Se aquele milagre de libertação não era o suficiente, então Jesus lhes diz que os ninivitas da época de Jonas e a rainha do Sul da época de Salomão já são um sinal para aquela geração. Pois ouviram a Jonas e a Salomão, mas aquelas pessoas não queriam crer em Jesus Cristo, maior que Jonas e Salomão (vs. 39-42).

Jesus continua, dizendo que a situação daquela geração iria piorar, pois, quando um demônio sai de um homem e tal homem não invoca a Cristo para habitar nele, então o demônio volta com outros 7 espíritos piores do que ele e habitam naquela pessoa novamente. Assim aconteceu com aquela geração de judeus da época de Cristo. O espírito de incredulidade voltou pior para eles, a ponto de rejeitarem veementemente a Cristo e O crucificarem! Seu estado ficou pior que o anterior.

As pessoas deveriam pensar sobre isso, pois o princípio permanece. É muito cômodo pedir oração aos crentes quando a coisa aperta. Mas se o indivíduo é liberto e mesmo assim permanece em sua vida de pecado, é óbvio que o Espírito de Deus não vai habitar ali. Então o que acontece? O espírito imundo, que o perturbava, agora volta com outros espíritos piores do que ele e atormentam 7 vezes mais a vida da pessoa, de modo que seu estado só caminha de mal a pior. Não tenha Cristo como visitante de sua vida e sim como habitante, pois sem Ele, o que está ruim vai piorar!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0477 - VÁRIAS FORMAS DE AMAR?

 


Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).


Vivemos em um mundo onde o slogan mais divulgado é: “Várias formas de amar”. Mas é óbvio que o mundo diluiu o conceito de amor a tal ponto, que o seu significado se perdeu por completo. Enquanto a Bíblia eleva o conceito do amor, colocando-o em seu devido lugar, que é o nível divino, o mundo o rebaixa a ponto de colocá-lo no nível de seus mais primitivos e animalescos instintos!

Para o mundo, amar de várias formas é a prática indiscriminada de relações sexuais, de modo que ninguém interfira na escolha de ninguém. Relações homossexuais, relações com animais, relações de incesto, relações transgêneras, enfim, são tantas aberrações pecaminosas e sujas em nome do amor, descidas a seu mais baixo grau de moralidade, que o conceito fica totalmente perdido, dando assim, vazão para as mais aberrantes práticas licenciosas que nem se pode imaginar!

A Bíblia diz então o que é o amor. Em um mundo pervertido e corrupto, o que a Bíblia diz sobre qualquer coisa é considerado ofensivo, intolerante e ultrapassado. Não seria diferente com o amor. Quando se fala sobre o amor, as pessoas pensam em uma aceitação de todas as práticas imorais, recheadas de orgias e devassidão, dando a isso uma roupagem aceitável, chamando de amor. Porém não para a Palavra de Deus.

Quer goste o homem ou não, a Bíblia chama isso de obras da carne, concupiscência, cobiça, imoralidade, e os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21). Porém, a Bíblia diz que o amor é mostrado nisso: em que Deus enviou Seu Filho unigênito ao mundo para vivermos por meio dele (1Jo 4.9). A Bíblia diz que o amor não é recheado de corrupção sexual. Ele não vive em ciúmes, em vaidade, em orgulho, em ressentimento, ele não é inconveniente, não é egoísta, não se irrita, não se alegra com a injustiça e sim com a verdade (1Co 13.4-6).

O amor sublime é aquele que supre a necessidade de seu irmão e não as cobiças dele. O amor verdadeiro é aquele que se opõe ao mal em todas as suas formas. O verdadeiro amor odeia o que Deus odeia e ama o que Deus ama, pois Deus é amor. Um suposto amor que deixa seu irmão fazer o que quer sem avisá-lo de suas consequências e sem repugnar suas obras não é o amor verdadeiro. O verdadeiro amor chama a atenção com bondade, mas com firmeza. Ele não transige com a imoralidade, mas obedece humildemente às leis da Palavra de Deus.

O mundo pode inventar suas formas de se relacionar e chamar isso de amor, embora seja um assalto ao termo que é exclusivo da Bíblia. Mas isso nunca será amor, senão apenas atender aos desejos concupiscentes e desordenados da natureza caída que, além de não se arrepender de seus terríveis pecados, ainda se gaba de propagá-los em alto e horrível som.

Sujeitemos nossos conceitos aos conceitos da Escritura, pois esta é a vontade de Deus: a nossa santificação; que nos abstenhamos de toda imoralidade (1Ts 4.3)! Ainda mais se usurparmos o conceito de amor, que pertence à Bíblia, para aplicá-lo a estes malditos desejos carnais!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 12 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0476 - POR QUE OS ÍMPIOS NÃO SÃO LOGO CASTIGADOS

 


Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro do Líbano; plantados na casa  o Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus” (Sl 92.12,13 – NVI).


Às vezes, a Bíblia usa uma linguagem que pode confundir a mente do leitor ingênuo. E não somente o leitor de hoje em dia, mas em todos os tempos, servos de Deus questionaram a prosperidade dos ímpios e as duras desvantagens que os fiéis sofrem nesta vida. Foi o caso de Jó (Jó 21), do salmista Asafe (Sl 73), de Jeremias (Jr 12) e também de Habacuque (Hc 1).

Mas também, o que lemos em alguns textos bíblicos, nos parece dizer que o justo sempre se dará bem, enquanto os maus serão desarraigados da terra... Veja, por exemplo, este provérbio: “Os justos jamais serão desarraigados, mas os ímpios pouco duram na terra” (Pv 10.30). Será isto mesmo que nossos olhos testemunham? Observe o que diz Davi: “A desgraça matará os ímpios; os que odeiam o justo serão condenados” (Sl 34.21). Tem sido isso o que vemos?

Se a Palavra de Deus não se contradiz e a realidade como observamos não tem sido da forma como lemos em alguns textos da Escritura, então como podemos afirmar que a Palavra não se contradiz? De fato, a Palavra de Deus não pode falhar, como disse Jesus em Jo 10.35. Logo, se a Escritura não falha, então nós é que estamos olhando nossa realidade por outro ângulo e vendo as coisas de modo distorcido.

Em primeiro lugar, devemos entender que os Salmos, os textos poéticos do AT em geral, falavam da esperança que a justiça fosse executada na terra, ainda enquanto ambos viviam (justos e ímpios – estes para serem vingados e aqueles para serem vindicados). Por isso é que lemos Jó dizendo que seu Redentor Se levantaria sobre a terra e que ele, ainda em sua carne veria a Deus, isto é, veria a justiça de Deus sendo feita, o que, de fato, aconteceu (Jó 19.25-27).

Ou seja, para os fiéis da antiga aliança, a salvação significava livramento de perseguições, doenças, aflições, enfim, algo mais relacionado a vitórias na esfera terrena. Quando eles oravam “faze-me justiça”, estavam pedindo justamente que ela ocorresse aqui deste lado do céu, enquanto o justo violado e o ímpio violento ainda existissem, para que a glória da justiça de Deus fosse mostrada e Deus fosse reconhecido como justo.

Em segundo lugar, devemos compreender que Deus não está cativo a esse tipo de pensamento para que Ele seja realmente justo. Desde toda eternidade Ele é o que é agora e o será para sempre. Se Ele foi justo no passado, nunca deixará de ser no futuro, pois Ele não muda. Na realidade, o que acontece é que Deus, sendo justo, deixa muitos ímpios sem punição imediata, porque uma sentença imediata não revelaria a verdadeira maldade do coração do ímpio e, consequentemente, não revelaria a grandeza da punição de Deus!

Sua justiça deve ser mostrada tanto retribuindo ao pior ímpio o maior castigo, quanto ao menor ímpio um castigo de acordo com sua menor impiedade, diferenciando assim entre eles, para que os justos se regozijem na justiça perfeita de Deus. Um dia, os justos florescerão sim, na eternidade, nos átrios do nosso Deus, veremos os justos rejuvenescidos e cheios de vida, a vida eterna, enquanto todos os ímpios terão o seu quinhão de acordo com suas obras! Com tudo isto, Deus será sempre glorificado por Sua justiça!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0475 - A GLÓRIA DO MARTÍRIO CRISTÃO

 


E enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (At 7.59 – NAA).


Embora o primeiro mártir da história da igreja tenha sido o diácono Estêvão, não parece que tenha existido alguém com um sofrimento comparável ao do apóstolo Paulo. Em 2Co 11.22 a seguir, encontramos uma lista de suas duras perseguições e terríveis sofrimentos. Bem na sua conversão, Jesus já havia dito a Ananias que mostraria a Paulo o quanto deveria sofrer pelo Seu nome (At 9.16).

As pregações de Paulo e Barnabé nas regiões da Galácia, Listra, Icônio, mostravam para os discípulos que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Paulo dizia a Timóteo em sua 2ª carta que “os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). Também, aos filipenses, Paulo disse que eles “receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele” (Fp 1.29). Se multiplicarmos os exemplos, veremos Paulo falando desse tema em todas as suas cartas.

O que entendemos sobre isso é que o caminho normal para a glória é o caminho do sofrimento. Como disse Ana Maria Ribas no título de seu livro: “Não há Jerusalém sem Gólgota”. Esta é uma grande verdade. Mas, ao que parece, Deus tem chamado algumas pessoas específicas para passarem pela trilha do martírio. Claro que, em todo o tempo da história da igreja, essa história foi traçada por linhas de sangue. Mas há pessoas que possuem de forma mais profunda o senso de entrega de sua vida pelo reino de Deus.

Inácio de Antioquia escreveu várias cartas enquanto atravessava a Síria a caminho do seu martírio em Roma. Em uma delas, ele disse que lutava com feras por terra e mar, que estava preso entre 10 soldados ferozes como os animais selvagens, que mesmo assim estava aprendendo e que seu maior interesse era ganhar a Cristo por sua morte. Ao chegar a Roma e ter sido lançado às feras, ele disse a célebre frase: “Sou como o trigo debulhado de Cristo, que precisa de ser moído pelos dentes das feras antes de se tornar em pão”.

Houve mártires em todos os séculos da história da igreja. Entre eles, citamos João Huss, Jerônimo Savonarola, Thomas Mann, William Tyndale, Ivan Moiseyev, soldado cristão soviético, enfim, a galeria destes homens é imensa e com certeza abrilhanta a dignidade de padecer pelo seu Senhor sem temer a horrível face cadavérica da morte.

Ainda que Deus tenha chamado alguns cristãos de forma especial para representar Sua glória pelo martírio, tais homens e mulheres de Deus devem sempre se lembrar de que “eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo diante da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11).

Estaria você preparado para glorificar a Deus com sua morte? Sabendo que esta seria por martírio, tendo seu sangue derramado para honrar o seu Senhor? Assim disse o Senhor: “Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; e quem perder a vida por minha causa e por causa do evangelho, esse a salvará” (Mc 8.35).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 10 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0474 - O JUSTO FOI CHAMADO DE PERVERSO

 


O que disser ao perverso: Tu és justo; pelo povo será maldito e detestado pelas nações” (Pv 24.24).


Estamos vivendo em dias inéditos em nossa nação. Muita corrupção e uma enxurrada de podridão moral estão sendo expostas diante do povo, como esgoto a céu aberto! Muitos inquéritos sendo estudados e investigações em andamento, bem como já concluídas, dão notícia para a nação de que muitos poderosos, antes considerados intocáveis, estão tendo agora suas máscaras retiradas e, aos poucos, a sentença vai sendo executada.

Entretanto, como disse este provérbio, muitos ainda chamam o perverso de justo. Alguns por ignorância, outros por lavagem cerebral, mas outros ainda por descaramento. O resultado é exatamente como disse este versículo: o povo de sã consciência amaldiçoa e detesta esses de senso trocado de valores, pois ainda que muitos chamem o perverso de justo de forma ingênua, todavia, muitos outros o fazem para proteger a perversidade. Ainda que muitos confundam os valores por ser uma massa ignorante, outros o fazem com toda lucidez e diplomas invejáveis!

Claro que, de acordo com a Palavra de Deus, tais coisas assim devem acontecer. É uma repetição da história, pois na época antiga, o povo também chamava o mal de bem e o bem de mal (Is 5.20). O v. 23 diz assim, completando essa ideia: “os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!”. Assim também acontece no fim dos dias, ainda que de forma mais intensa e dramática.

Porém, houve um homem a quem atribuíram o contrário. Ele era justo e O chamaram de perverso! Sua própria família O considerou como louco (Mc 3.21), os religiosos O chamaram de endemoninhado (Mc 3.22), Ele foi objeto de desprezo e chacota da própria nação a que serviu com o bem!

Jesus sofreu todo tipo de rejeição e mal-entendido que se possa imaginar. Rejeição, porque as pessoas até queriam Seus milagres, mas não suportavam Seu discurso. Mal-entendido, porque confundiram-no com coisas e pessoas que Ele não era. Aliás, até hoje fazem isso. Jesus é tido como grande mestre, um sábio, um filósofo, curandeiro, até mesmo um socialista... Mas quando se diz a verdade acerca dEle, que Ele é Filho de Deus e o único, mas o único mesmo, caminho para Deus, as pessoas rejeitam.

Mas Ele não Se espantou com isso. Foi para isso que Ele veio. Para ser rejeitado pelos perdidos, mas para encontrar os Seus, que também estavam perdidos. E, uma vez encontrados, os pecados foram lançados sobre Seus ombros e Ele pronta e voluntariamente os levou sobre a cruz! Ali, sim! Foi onde Ele, sendo justo, assumiu nossa perversidade, foi chamado de perverso, para que os que nEle creem sejam chamados justos!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0473 - A FALSA LIDERANÇA



No passado também havia falsos profetas no meio do povo, tal como haverá falsos mestres entre vocês” (2Pe 2.1a – NBV).


Desde a queda de Adão, a humanidade sempre desejou o poder e teve cobiça por dominar e oprimir seu semelhante. Esta inclinação pelo domínio absoluto é a maior característica da perdição humana. É a contaminação da doença incurável de Lúcifer, que desejou ser como Deus e foi expulso do céu, assim como a humanidade foi expulsa do paraíso.

O ser humano sempre teve que lidar com isso, querendo ou não. A opressão e a tirania abusiva do homem sobre seu igual é uma das terríveis manchas que o pecado deixou na terra. Porém, Deus separou um povo para Lhe representar. Na história antiga, esse povo era a nação de Israel, que Deus chamou através de Abraão. Na nova aliança, esse povo é a igreja, pessoas de todas as nações que creem em Cristo Jesus como único Senhor de tudo.

Mas também no meio do povo de Deus, a falsa liderança sempre esteve presente. O povo de Israel sempre foi atacado por falsos profetas, sacerdotes corruptos e reis idólatras. Sendo uma nação teocrática, toda sua liderança tinha que estar voltada para o regimento divino, que era a lei mosaica. Todavia, como bem conhecemos a história desse povo, o que imperava era a falsidade, embora aqui e ali, Deus sempre tenha reservado os Seus verdadeiros servos.

Na igreja não é diferente. Pedro diz: “No passado também havia falsos profetas no meio do povo, tal como haverá falsos mestres entre vocês” (2Pe 2.1a – NBV). Estamos vivendo esta realidade. Os falsos mestres são sorrateiros. Eles não aparecem dizendo que são falsos. Eles não falam somente o engano. A verdade também está na sua boca, mas só para cobrir o veneno da mentira. Pedro diz que “Esses contarão com habilidade as suas mentiras sobre Deus”.

Eles se passam por apóstolos, por profetas, alguns chegam a tomar o título de Messias, embora esses sejam mais claramente identificáveis. Eles são tão contundentes em suas palavras, a ponto de enganarem a si mesmos, pensando que são salvos. Paulo dizia a Timóteo que eles “tornar-se-ão cada vez piores, enganando a muitos, e sendo eles próprios enganados” (2Tm 3.13 – NBV). Eles convencem tanto as pessoas aqui, que acham que poderão convencer o próprio Cristo no dia do juízo, alegando suas profecias, milagres e exorcismos (Mt 7.22).

Para se proteger da falsa liderança, a igreja precisa estar atenta à Palavra. Não de qualquer jeito. A Bíblia não é para ser entendida do jeito que eu quero, mas ela mesma se explica. Os versículos têm seu próprio sentido à luz dos demais versículos que vêm antes e depois. A igreja deve entender que os falsos profetas jamais terão o fruto do Espírito, embora tenham muitos de Seus dons. Então não se iluda com o carisma deles. Fique de olho em sua humildade e simplicidade que pertencem a Cristo. Os falsos não possuem isso.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0472 - CRISTO ABRIU O CAMINHO DA JUSTIÇA PARA NÓS

 


A justiça irá adiante dele, e ele nos fará andar no caminho aberto pelos seus passos” (Sl 85.13).


Um dos mais belos versículos e totalmente cristológico é o versículo 10 deste salmo: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram”. Foi, de fato, na cruz do Calvário que a justiça de Deus, que feriu a Jesus por nossa causa, se encontrou com a paz que Seu castigo trouxe sobre nós.

Assim foi que Deus fez com que Sua justiça fosse adiante dEle. Ela se antecipou sobre Cristo, ao invés de cair sobre nós. Cristo abriu um caminho com Seus passos na justiça de Deus e nos colocou nele para que, ao andarmos em Suas pegadas, sejamos salvos.

Devemos compreender que a justiça de Cristo que nos salvou não foi apenas em Sua morte. Os teólogos chamam a vida de Cristo de “obediência ativa” e Seu suplício e morte de “obediência passiva”. Quando se fala da obediência ativa, aqui é levado em conta todo o caminho de Jesus, Suas obras, Suas palavras, Seu cumprimento da lei, da vontade do Pai, Sua impecabilidade em vida. Não houve um só segundo da vida terrena de Jesus que Ele tenha pecado ou sequer cogitado isso em Seu coração!

Ele perguntou aos judeus de Sua época: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46) e não obteve resposta. Pedro testemunhou: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1Pe 2.22). Jesus viveu uma vida perfeita, de modo que pode se dizer somente dEle que cumpriu a lei, toda a lei de Deus! Eis aí está o único homem que cumpriu toda a vontade de Deus sem sequer um segundo de falha!

Os passos perfeitos de Cristo, obedecendo em absolutamente tudo a vontade do Pai, inclusive até sobre a hora de comer alguma coisa (Jo 4.31,32) ou ir a algum lugar (Jo 7.6-8), é que abriram o caminho da salvação para aqueles que nEle confiam. Mas, além de sua obediência ativa, Seus sofrimentos também nos incluem no caminho da salvação. Porém, não devemos confundir uma coisa: algumas pessoas dizem que Cristo sofreu para que nós não precisássemos sofrer. Isto é verdade somente em parte.

Nós não sofreremos a ira de Deus, isto é o que a Bíblia nos diz, que estamos livres por Cristo da ira do Pai (Rm 5.9; 1Ts 1.10). Mas o sofrimento comum do cotidiano é atribuído a nós na imitação de Cristo. A vida justa de Jesus não nos isenta de sermos santos, assim também Sua vida de amargura não nos isenta do sofrimento.

O caminho aberto pelos passos de Jesus já foram trilhados de modo perfeito pelo nosso Salvador. Foi dEle que o Pai Se agradou. Agora, os filhos que Ele comprou para Deus, o Pai, trilham também o caminho da justiça, não porque são justos como Ele, mas por terem confiado que somente Ele é justo e com Sua vida e morte (além da ressurreição, é claro) nos justifica, então andam por este caminho imitando seu Senhor, movidos pelo mesmo Espírito que habitou plenamente nEle e que agora habita em Sua igreja, e a conduz até chegar perfeita diante dEle!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0471 - OS FILHOS DO MALIGNO

 


Não como Caim, que era do Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas” (1Jo 3.12 – A21).


A Bíblia fala de alguns homens que eram do Maligno. É um tanto assustador e parece chocante aos ouvidos das pessoas dos nossos dias, que estão acostumadas a ouvir coisas agradáveis e se ofendem facilmente ao menor pronunciamento discordante de sua opinião. Mas a realidade é que a Bíblia fala de tais homens e ainda mais, alguns deles especificados pelo nome. É o caso de Caim, pelo versículo que lemos; de Judas, chamado de “filho da perdição” em Jo 17.12; e do anticristo, chamado assim também em 2Ts 2.3.

Porém, pelo contexto da história de vida de alguns personagens da Bíblia, acabamos por entender que também eram filhos da perdição, como é o caso de Ninrode (Gn 10.8-10); Esaú (Rm 9.13; Hb 12.16,17); o rei Saul (1Sm 16.14), o qual nós conhecemos seu fim; vários outros reis ímpios da nação de Israel, como Jeroboão e Acabe, bem como reis do sul também, como Acaz e Zedequias. Mesmo no meio do povo de Deus, na antiga aliança, havia pessoas ímpias e, certamente, filhas do Maligno, destinadas à perdição.

Soa mal aos ouvidos das pessoas dizer que os filhos do Maligno já nasceram assim. Eles não se tornaram filhos do Maligno porque eram maus; mas praticavam a maldade por serem filhos do Maligno. Veja, o versículo que lemos diz que Caim era do Maligno e matou seu irmão. Ele não matou seu irmão para se tornar filho do Maligno. Afinal, diz o apóstolo João: “por que o matou”? Porque suas obras eram más. Ele já era mau antes de matar seu irmão.

Muitos podem protestar, dizendo que os filhos do Maligno não nascem assim, mas se tornam assim por causa de suas maldades. Mas a pergunta é: quem nasceu bom? Exceto o Filho de Deus, quem nasceu sem pecado? E, uma vez nascido em pecado, o homem pode ser filho de Deus? O apóstolo João responde em seu Evangelho que não. Ele diz que só se torna filho de Deus aquele que nasceu de novo e assim, creu em Jesus (Jo 1.12,13).

Ele diz também em sua carta o seguinte: “Quem vive habitualmente no pecado é do diabo, pois o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo” (1Jo 3.8 – A21). Ele não diz que a pessoa se torna do diabo porque peca. Ao contrário, ela peca habitualmente porque é do diabo. Foi o que Jesus disse aos judeus que se achavam filhos de Abraão e de Deus. Ele disse que estes judeus eram filhos do diabo que era seu pai (Jo 8.44). Agostinho dizia que não somos pecadores porque pecamos, ao contrário, pecamos porque somos pecadores. Isso é totalmente bíblico!

Certamente, esta é uma palavra que ninguém quer receber. E, aliás, não podemos saber quem são os filhos do Maligno, embora o apóstolo nos dê algumas características (além dessa do v. 8). Ele diz: “Os filhos de Deus e os filhos do diabo manifestam-se assim: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem quem não ama seu irmão” (1Jo 3.10 – A21). Como sabemos, o amor verdadeiro, aquele que vem de Deus, somente os regenerados podem tê-lo. Todos os demais tipos de amor são enganosos e pertencem ao coração dos filhos do Maligno!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 5 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0470 - PORÇÃO DOBRADA

 


Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito” (2Re 2.9).


É muito comum, em alguns círculos cristãos, pessoas orarem, pedindo a porção dobrada do Espírito Santo. Geralmente, se faz esse tipo de pedido baseado nesse texto de Elias e Eliseu. O problema é que nossa cultura não tem muito a ver com a cultura hebraica, ainda mais na antiguidade. O pensamento nosso é que Eliseu estava pedindo duas vezes mais do Espírito Santo que habitava em Elias. Mas mesmo se fosse isso, não existe porção dobrada do Espírito Santo, uma vez que Ele é eterno. Porção dobrada do Espírito Santo não existe.

A segunda coisa que devemos entender é a maneira como o Espírito Santo atuava no AT. Ele não habitava nas pessoas. Isto só foi concedido à igreja na nova aliança depois da ascensão de Cristo, conforme Sua promessa (Jo 14.16,17; At 1.8; 2.1-4). A igreja sim, é habitada pelo Espírito Santo (1Co 3.16; 6.19), mas no AT, o Espírito Santo apenas distribuía porções de capacitação ministerial para os servos de Deus, tais como reis, profetas, sacerdotes, juízes, etc.

Em terceiro lugar devemos compreender o significado de “porção dobrada” no AT. Este termo significa a porção da herança do filho primogênito em uma família. O filho primogênito recebia porção dobrada em relação a seus irmãos, pois segundo a cultura da época, o filho primogênito era quem continuava o nome do seu pai. Assim, Eliseu estava apenas usando uma linguagem comum da época, dizendo a Elias que desejava receber dele uma herança generosa do seu ministério profético e milagroso, assim como um primogênito recebia uma porção generosa da herança de seu pai.

Como já vimos, não é correto pedir porção dobrada do Espírito Santo, pois não existe dobro do que é eterno! Mas seria correto pedir porção dobrada da unção de alguém hoje em dia? Quando vemos alguém realmente cheio do Espírito Santo, com um dom maravilhoso, seja de pregação, de cântico, de oração, de evangelismo, enfim, é correto pedir ao Senhor que nos dê o dobro daquilo?

Hoje em dia não é correto fazer esta oração. Primeiro, porque o Espírito habita igualmente em todos os membros do corpo de Cristo. Não existe ninguém menos ou mais habitado pelo Espírito. Segundo, porque os dons espirituais são distribuídos pelo Espírito Santo “como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12.11). E terceiro, porque, mesmo se fôssemos pedir a porção dobrada com o sentido do AT, isso não serviria, pois o Primogênito de Deus é Cristo. Somente Ele pode ter a porção dobrada da herança do Pai.

Portanto, o correto hoje seria que cada cristão descobrisse o dom que lhe foi dado para se esmerar nele e assim abençoar as pessoas (Rm 12.6-8), como também que cada crente buscasse ser cheio do Espírito Santo (Ef 5.18). Assim, ninguém se preocuparia em ter porção dobrada, mas em ser cheio do Espírito e realizando as funções que lhe foram designadas por Deus!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0469 - ARREPENDIMENTO POR CONVENIÊNCIA

 


Todas as autoridades e todo o povo que haviam entrado na aliança obedeceram, libertando cada um os seus escravos e cada um as suas escravas, de maneira que já não os retiveram como escravos; obedeceram e os despediram. Mas depois mudaram de ideia, e fizeram voltar os escravos e as escravas que haviam libertado, e os sujeitaram outra vez à escravidão” (Jr 34.10,11 – NAA).


Diante de uma profecia ameaçadora de Jeremias, o rei Zedequias fez uma aliança com o povo de Jerusalém, para que todos os judeus libertassem seus escravos compatriotas (vs. 8,9). A lei de Moisés dizia que se porventura algum judeu fosse feito escravo de outro judeu, ele só deveria servi-lo por seis anos. Ao sétimo ano, ele deveria ser libertado (Êx 21.2; Dt 15.12).

Uma das razões pelas quais o povo de Judá estava sendo levado para o cativeiro era exatamente essa e outros tipos de injustiça social. Mas diante da ameaça, o rei resolveu fazer aliança com o povo e cumprir essa parte da lei que, por desobedecerem, estava sendo uma das razões para sua ruína.

Contudo, nos é relatado que eles “mudaram de ideia, e fizeram voltar os escravos e as escravas que haviam libertado, e os sujeitaram outra vez à escravidão” (v. 11). Assim, o povo judeu apenas aumentou seu pecado contra Deus, pois, além de descumprirem com seu voto, o fizeram diante do templo do Senhor (v. 15).

A palavra de condenação do Senhor é curiosa. Ela relembra o método de como eram feitas as alianças no antigo oriente: as partes contratadas cortavam um animal ao meio e passavam entre os pedaços daquele animal. O pacto era de que se algum deles quebrasse a aliança que ali era feita, o seu fim seria como o daquele animal partido ao meio! É exatamente essa a condenação à qual o Senhor sujeita aquele povo (vs. 18-20).

Era melhor para aqueles judeus desobedecerem à lei mantendo seus irmãos escravos, a fim de se enriquecerem às custas de seu trabalho, do que libertá-los após seis anos de servidão, o que, naturalmente, não lhes causaria prejuízo algum. Eles só resolveram obedecer porque outro interesse maior agora estava em jogo, a saber, não serem levados cativos pelo rei babilônio. Ao perceberem que isso havia acalmado as coisas (v. 21), voltaram a cometer os mesmos pecados.

Assim é o coração do homem. Ele se deleita na desobediência, pois esta é conveniente para seus interesses egoístas. Quando ele vê que sua rebeldia está chegando a um ponto insustentável para Deus e que a punição está a caminho, ele toma alguma postura de arrependimento para ver se afasta o juízo de si. Porém, basta um leve sossego para que sua memória se enfraqueça diante dos votos que fez durante seu desespero e ele volte a seus pecados.

Esse vai-e-vem de muitos crentes vai lhes custar muito caro, pois Deus não é Deus de duas palavras. O fato de Deus suspender Seu juízo por um momento, não significa que Ele tenha Se esquecido daquilo que deve fazer. O arrependimento verdadeiro que nos livra do juízo é aquele que, como disse o sábio: “o que confessa e abandona, alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson