“Cuida-te, não inclines para a iniquidade, à qual
pareces preferir à aflição” (Jó 36.21).
O discurso de Eliú, o mais jovem dos amigos de Jó, foi o mais sábio entre eles, ainda que pensasse que Jó era realmente culpado de tudo que lhe ocorria. Mas sua percepção sobre Deus estava mais alinhada com a revelação do que a dos três amigos mais velhos. E, muito embora Eliú fizesse uma suposição de que Jó sofria por seus pecados, ele disse algo bem verdadeiro sobre a reação dos homens diante da aflição.
Na angústia, em geral os homens são desprovidos de paciência, e sua postura é de se lançarem à iniquidade. Os ímpios são mesmo assim, pois eles confundem sofrimento e pecado, ou seja, o sofrimento não lhes faz cair em si e se arrependerem. Mas vemos isto em crentes! É impressionante o número de crentes que não suportam o sofrimento e decidem se jogar despenhadeiro abaixo em seus pecados nos dias de sua dor.
A famosa frase é sempre repetida: “Quando eu estava no mundo, sofria menos”. E isto, para muitos, se torna um pretexto para se atirar em sua iniquidade. Eliú estava errado quanto a Jó, mas, infelizmente, não estamos errados em relação a muitos crentes. De fato, eles preferem retornar aos seus pecados para escapar de seus sofrimentos.
Assim como um padeiro profissional sabe o grau e o tempo que o pão deve suportar no forno, assim também Deus sabe o tempo e a intensidade da aflição que Ele mesmo impõe sobre nós. Se o pão pudesse falar, provavelmente reclamaria de ter que suportar tal condição dentro daquele forno e por tanto tempo! Mas quem sabe o ponto ideal é o padeiro. E ali ele o deixará, não porque não gosta do pão, ao contrário, justamente porque quer vê-lo em seu melhor ponto, é que ele irá deixá-lo ali.
Nós também, para sermos servidos diante dos famintos espirituais, precisamos estar na temperatura e no tempo adequado do sofrimento, estabelecido por Deus, para que fiquemos no ponto ideal para isto. Não há do que reclamar. Não sabemos o momento em que estaremos prontos para o serviço de Deus, nem sabemos qual é o grau do sofrimento a que estamos à altura. Somente Ele sabe disso.
Os verdadeiros crentes não preferem a iniquidade. Eles
preferem agradar a Deus, ainda que no forno da provação. Lembremo-nos das
palavras de Tiago, irmão do Senhor: “Meus irmãos, tenham por motivo de
grande alegria o fato de passarem por várias provações, sabendo que a
provação da fé que vocês têm produz perseverança. Ora, a perseverança deve
ter ação completa, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes
falte nada” (Tg 1.2-4).
Día tes písteos.
Pr. Cleilson