Teolatria

No Teolatria você encontra diversos estudos bíblicos em slides (power point) para baixar, além de muitas pregações, sermões expositivos, textuais, temáticos em mp3, dos pregadores da IMVC - Vilhena/RO: Pr. Cleilson, Pb. João, Pb. Alex, Pb. Wesllen Ferreira, Dc. George Michael, irmã Clair Ivete e pregadores convidados. Para ouvir os sermões em alta qualidade, peça seu cd por e-mail especificando seus dados para recebimento e qual mensagem você deseja adquirir: prcleilson@hotmail.com

domingo, 25 de dezembro de 2011

TODO OLHO O VERÁ




"Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém" (Ap 1.7).

Por este versículo podemos tomar como claras algumas verdades.

Primeiro, que Ele voltará, como disseram os varões (anjos?) que apareceram aos 120 que foram testemunhas da ascensão de Cristo (At 1.10,11). Jesus virá pela segunda vez e, da mesma forma que uma nuvem O recebeu (At 1.9), assim também Ele virá com as nuvens (Ap 1.7). Barnes salienta, em seu comentário bíblico, que as nuvens representam majestade e glória, o que combina com as descrições anteriores que o Senhor tinha feito de Sua segunda vinda (Mt 24.30; 26.64). A Sua segunda vinda será de juízo e nada poderá superar Sua autoridade naquele dia! Então, a primeira coisa que ressalta aos nossos olhos aqui é a certeza de que Ele voltará e voltará em juízo! Veremos mais sobre isso na quarta verdade.

A segunda verdade é que Sua vinda será visível! A expressão "e todo olho O verá" não pode ser diminuída de sua clareza! No grego diz: "e O verá cada olho". Não consigo entender a doutrina do dispensacionalismo que divide a segunda vinda do Senhor em duas etapas, sendo a primeira invisível! Quer dizer, até entendo, mas não vejo base bíblica que seja coerente com este ensino. O que vejo é um contraste frontal que este versículo faz com tal doutrina. Todavia, eles alegam que este versículo refere-se à "segunda etapa da segunda vinda" (difícil é mostrar versículos claros como este que comprovem a tal primeira etapa, a invisível...). Portanto, a segunda mensagem deste versículo é que a segunda vinda de Cristo será visível.

O terceiro ensino desse texto é que na segunda vinda de Cristo haverá ressurreição de mortos, tanto dos crentes como dos incrédulos. Sim, é verdade. Este versículo deixa claro não somente que "todo olho O verá", como também completa esta frase com um arremate impressionante: "até quantos O traspassaram", que no grego diz: "também os que O perfuraram". Logicamente os que mataram Jesus já morreram. Mas se inclusive eles O verão, então o versículo supõe que os tais estarão ressuscitados na ocasião da segunda vinda. O ensino pré-milenar ensina que haverá primeiro a ressurreição dos mortos crentes quando Jesus voltar e só depois de mil anos é que haverá a ressurreição dos ímpios. Baseiam este ensino interpretando Ap 20 como ressurreição literal. No entanto, este versículo destrói com a doutrina pré-milenista, pois diz que na segunda vinda de Cristo "todo olho O verá, até quantos O traspassaram", ou seja, na segunda vinda de Cristo, não só os crentes O verão, como até os ímpios que O mataram O verão! Veja o que diz At 2.23: "A Este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-O pelas mãos de iníquos". Pedro declarou em sua pregação que Jesus foi morto por ímpios; e a profecia de Apocalipse diz que quando Cristo voltar, até os ímpios que O mataram O verão. Como, pois, ressuscitarão depois de mil anos? Não! Eles ressuscitarão na ocasião da segunda vinda, conforme diz o versículo! A mesma ocasião em que ressuscitarão os crentes também, conformando assim com o ensino do profeta Daniel (Dn 12.2) e do próprio Cristo (Jo 5.28,29). Caso contrário, a Bíblia estaria se contradizendo, o que não é possível! Aí está a terceira verdade deste versículo!

A quarta verdade é que Sua segunda vinda será para juízo. O versículo nos diz que todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. A preposição "sobre" aqui tem o sentido de "por causa de" (Ele). Barnes diz: "por conta do tratamento que deram a Ele". E o verbo "lamentar" tem a mesma raiz de "bater ou cortar-se no peito como uma expressão de tristeza". De fato, o verbo kóptō também significa "cortar", além de "lamentar". Por que as tribos (ou nações) da terra se lamentariam, se Ele não viesse para julgar? Não haveria razão de lamento se Ele viesse instalar os mil anos de paz na terra, até pelo contrário, haveria razão de júbilo por parte das nações! Mas infelizmente não é isto o que vai acontecer! Com Sua segunda vinda, o juízo virá e não haverá tempo para arrependimento, por isso se "lamentarão", todavia, em vão! Barnes diz que as tribos "chorarão em voz alta e sofrimento intenso" por dois motivos principais: a) A segunda vinda será um evento que chamará os pecados dos povos à lembrança e, b) porque eles serão esmagados com a apreensão da ira vindoura. Então a quarta expressão deste versículo é que não haverá segunda chance: Sua segunda vinda será para juízo inescapável e final!

A quinta e última análise a ser feita deste trecho é que a verdade deste prenúncio é tão certa como se ela já tivesse acontecido! "Certamente. Amém". O apóstolo escreve na língua grega e na hebraica: "Sim. Amém". A segunda vinda visível, com ressurreição de todos os mortos e para julgamento final será certíssima! O Amém no hebraico juntamente com a palavra 'amenam, que quer dizer "certamente, realmente, verdadeiramente", são da raiz da palavra amen que significa "confiança". A palavra grega para "sim" é nai. João quer dar a entender a todos que esta palavra é fiel. Ela se cumprirá desta forma que foi revelada a ele. Por isso o "sim e o amém", como disse Paulo em 2Co 1.19,20: "Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas nele houve sim. Pois, tantas quantas forem as promessas de Deus, nele está o sim; portanto é por ele o amém, para glória de Deus por nosso intermédio". Aí está. Estas palavras de Ap 1.7 são tão verdadeiras como Cristo e as promessas de Deus! Não falharão! Acontecerão da forma como está escrito!

Queridos leitores. Não poderia encerrar sem deixar palavras de alerta. A explicação não é completa sem a aplicação. Por isso quero dizer que a segunda vinda de Jesus irá acontecer verdadeiramente, como aconteceu a Sua primeira. Muitos olhos podem duvidar hoje, mas fatalmente O verão amanhã! Será inescapável e, infelizmente irrevogável! Sua glória e majestade intimidarão o mais sarcástico ateu de nossos dias (aliás quase todos eles o são). Ninguém conseguirá encontrar coragem para pronunciar o menor dos deboches que hoje se diz e se faz. O silêncio diante do Todo-Poderoso será profundo e cortante, porque a consciência dará um estampido nos ouvidos dos incrédulos, vivos e mortos (que estarão ressuscitados, é claro), sobre sua estupidez em acreditar na mentira pensando e querendo que ela fosse a verdade. Os que perfuraram nosso Senhor se aterrorizarão de pavor infinito ao vê-lO e, por incrível que pareça, ao reconhecê-lO como Aquele mesmo que eles mataram... o indefeso crucificado, agora é o Rei dos reis no Trono Branco do Juízo Final diante de Quem todos hão de prestar contas!

A única chance que temos sobre esse Dia não está no v. 7, mas nos vs. 5b,6: "Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém". Somente os libertos do pecado, feitos reis e sacerdotes para Deus é que poderão se ver em pé diante do Filho do homem!

Dia tēs písteōs

Pr. Cleilson

38 comentários:

  1. São palavras esclarecedoras, que vem como alívio a minha alma; que enche-me de esperança e renova meu desejo de estar mais perto do Senhor.
    De tantas interpretações referentes a vinda de Cristo por aí ministradas, consegui perceber que esta interpretação tem mais fundamento e quero a cada dia me preparar, a fim de estar pronto para esse maravilhoso encontro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Palavra de Deus não tem a menor contradição, pois Ele não pode negar-se a si próprio, certo?
      Como interpretar, então, Apocalipse 20 que fala de PRIMEIRA RESSURREIÇÃO, na qual uns foram vivificados e outros não?

      Excluir
  2. Independente das diversas linhas de interpretação escatológica, entendo que o mais importante é crermos que jesus virá pela segunda vez.A questão que fica é a seguinte:"Eu e vc, leitor do teolatria, estamos preparados para o econtrarmos?"

    ResponderExcluir
  3. E QUE PENSANDO TUDO ISSO POR TER MEDITADO NESTAS PALAVRA QUE NOS TEMOS QUE CADA DIA estar preparado para vinda de cristo porque nos naõ sabemos o dia nem a ora que ele vem certo que vira pela segunda vez para jugar todos a humanidade certo te aquele que transpassarão vão ressusita todo olho vera poriso cada dia quero estar preparado para vinda de cristo

    ResponderExcluir
  4. Graça e paz a todos!
    Dou graças a Deus pela certeza da vinda do nosso Senhor Jesus. Isto, sem a preocupação de qual seja a linha de interpretação aceita. Seu entendimento e linha adotada caro pastor Cleilson, é instrutiva e tem embasamento Bíblico. Todavia, uma pergunta não pode deixar de ser feita: A Bíblia por João Almeida nos revela em Ap.1:7b "...todo olho o verá, até quantos O traspassaram". Fica notório falar dos que cruscificaram Já a Bíblia Hebraica por David Corodovitse e Jairo Flidlin assim diz:"..e olharão PARA MIM por causa DAQUELES QUE FORAM TRASPASSADOS". A Pergunta: Qual a versão correta? A Hebráica ou Grega?

    ResponderExcluir
  5. Paz querido. Obrigado pela sua leitura e participação aqui no Teolatria.

    Sobre a Bíblia Hebraica de David Gorodovits e Jairo Fridlin, que você citou em seu comentário, cuidado, tenha reservas fortíssimas com ela, pois em muitos pontos ela tem alterações textuais que impedem a percepção de Jesus como o Messias. Deixo aqui um link para você ler um artigo e baixar uma análise sobre isso:

    http://solascriptura.ning.com/forum/topics/cuidado-a-biblia-hebraica-do

    Selecione-o e vá até ele.

    Sobre a questão colocada por você, eu mantenho a opinião que João escreveu como está no grego mesmo. Tenho acesso a uma Bíblia Hebraica no "biblos.com" e ali está escrito que "todo olho o verá, mesmo aqueles que o perfuraram".

    Meu argumento principal, todavia não é este, sobre qual versão está certa. Meu argumento parte do princípio de que o apóstolo João estava recheado de porções do AT para escrever seus símbolos no Apocalipse. Posso citar alguns para você: quando ele fala das duas testemunhas (Ap 11, ele cita Zc 4); sobre o poder que elas têm, ele cita as pragas de Êxodo; quando ele fala de Gogue e Magogue (Ap 20, ele cita Ez 38); então aqui no texto presente, obviamente ele está citando Zc 12.10. E no texto hebraico de Zacarias está escrito: "e olharão para mim, a quem perfuraram".

    Portanto, prefiro a tradução do grego, que corresponde não aos textos de NT's judaicos que existem por aí, mas por causa da citação que João faz do AT (o hebraico realmente inspirado).

    Dia tes písteos.

    Pr. Cleilson

    ResponderExcluir
  6. Sim, tudo perfeito...mas como explicar a passagem relativa aos mil anos (os quais podem representar UM DIA - o Dia do Senhor)?
    Como interpretar, então, a passagem que fala daqueles que não negaram o nome do Senhor diante da besta, os quais farão parte da PRIMEIRA RESSURREIÇÃO?
    Veja que Ap 20 diz que os demais mortos não ressuscitarão ainda até que os mil anos (ou o Dia do Senhor) se acabem.
    Será que os mortos poderão ver a vinda de Cristo mesmo estando mortos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Srs,
      Não era bem isso que eu gostaria de ter perguntado. Tentarei expressar melhor meu raciocínio.

      Não poderíamos considerar o milênio com o DIA DO SENHOR, no qual todos os eventos finais ocorrerão (em momentos distintos e até em momentos simultâneos) dentro de um só DIA, considerando que para Deus não há limitação de tempo e espaço?

      Como assim?

      Ao receber a vida de volta, as duas testemunhas são chamadas aos céus pelo Senhor com voz de arcanjo e com as trombetas de Deus, marcando o início do Dia do Senhor (mil anos em um DIA), cumprindo-se a ressurreição do ÚLTIMO DIA.

      Tem início, em momentos simultâneos:
      1 - A ressurreição e o arrebatamento da igreja e do remanescente de Israel (os dois castiçais), os quais possivelmente representem as duas testemunhas;
      2 - A batalha do Armagedom, que poderá ser simbólica, representando uma conferência dentro de uma sala de reunião entre os chefes de estado das potências mundiais, acompanhados de seus seguidores, os quais darão poder à BESTA por UMA HORA, provavelmente para invadir Israel; e
      3 – A prisão do diabo no mesmo lugar em que a legião de demônios, que possuía o endemoninhado gadareno, suplicou ao Senhor Jesus que não os enviasse para lá, por razões divinas, pois ele já poderia ser vencido de imediato.

      Ao subirem aos ares, os salvos apresentam-se diante do tribunal de Cristo, para receberem a sentença: "vinde benditos de meu pai"; os israelitas iniciam uma grande lamentação, não só eles, mas todos aqueles que achavam que serviam a Deus, porém foram rebeldes à doutrina (todas as tribos da terra).

      A besta e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo; o diabo é solto para influenciar os ímpios a se rebelarem contra o Senhor.

      Os salvos assentam-se sobre tronos para assistirem a sentença final do diabo e para julgarem: o mundo, as doze tribos de Israel e os anjos.

      Com o sopro da boca de Deus, o diabo é vencido no final do Dia do Senhor, sendo lançado no lago de fogo. Ato contínuo, os demais que estiverem vivos serão julgados naquele momento quanto ao sentimento de seus corações, de forma que, se permaneceram rebeldes, já estarão em si condenados à destruição, juntamente com o diabo, mas se houver arrependimento, passarão ao juízo final (com o corpo do pecado?).

      É estabelecido o juízo final para os demais mortos, os quais ressuscitarão para o desprezo eterno. Seus olhos, como os dos justos, também comtemplarão o Senhor Jesus em grande esplendor (nos ares), no ÚLTIMO DIA, para receberem a sentença: “apartai-vos de mim malditos...quando não fizestes a um destes meus pequeninhos, a mim não fizestes”.

      Submeto à apreciação do amigo para análise de possíveis incongruências com as Escrituras Sagradas.

      Respeitosamente.

      Excluir
  7. A paz, querido Marcelo.

    Sua visão se parece com o dispensacionalismo, mas vejo que o irmão desenvolveu uma visão melhor ainda. Parabéns pelo desenvolvimento.

    A visão que defendo aqui é a visão amilenista, então vai haver algumas diferenças significativas do conceito pré-milenista dispensacionalista, que vejo que é o seu caso.

    Foi interessante a analogia das Escrituras que você fez com relação ao termo "Dia do Senhor", associando-o aos mil anos de 2Pedro, que para Deus é como um dia (e na sua analogia, o "Dia do Senhor").

    Também sua visão dos acontecimentos simultâneos se parece com o que eu creio, com poucas diferenças. Por exemplo:

    Não vejo o Milênio como o Dia do Senhor porque:

    1) Ap 20 diz que Satanás está preso - no Dia do Senhor, ele estará vencido e sendo julgado.

    2) Ap 20 diz que no Milênio almas reinam com Cristo e parece que desfrutam de gozo e paz - o Dia do Senhor, porém é dia de aflição.

    3) Os mil anos de 2Pedro não são os mesmos de Ap 20, porque Pedro fala num contexto onde homens ímpios zombavam da promessa da parousia, dizendo que ela tardava em acontecer, mas para Deus, diz Pedro, isso nada é, pois não há diferença temporal para Quem é eterno. Já em Apocalipse, o termo mil anos dá a entender simbolicamente que é de fato um longo período.

    Acredito nos acontecimentos simultâneos que você citou, exceto:

    1) O texto de Ap 11 que fala das duas testemunhas não transparecem que seja Israel e Igreja.

    2) A prisão do diabo no mesmo lugar onde ocorreu a libertação do gadareno não tem base bíblica, histórica, nem geográfica, uma vez que abismo é um lugar espiritual e não geográfico.

    3) A Bíblia não dá possibilidade de nenhuma salvação depois do aparecimento de Cristo em glória.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com a mesma educação e cordialidade, faço minhas observações acerca das suas observações, não como uma forma de refutá-las e tê-las como errôneas, mas para que aprendamos em conjunto, investigando as Escrituras:

      I - Quanto à sua afirmação de que não crê que o Milênio seja o Dia do Senhor, pergunto:

      1) Sua afirmação: “Ap 20 diz que Satanás está preso - no Dia do Senhor, ele estará vencido e sendo julgado”.

      Obs minha: As Escrituras dizem que o diabo foi lançado no Lago de Fogo, onde já estavam a besta e o falso profeta, sugerindo-nos que esse lançamento no fogo eterno ocorrerá depois da batalha final, ou não? Quanto à condenação do diabo a Palavra fala: "... porque o príncipe deste mundo já está julgado" - João 16.11; 2 Coríntios 4.4; Hebreus 2.14).

      2) Sua afirmação: “Ap 20 diz que no Milênio almas reinam com Cristo e parece que desfrutam de gozo e paz - o Dia do Senhor, porém é dia de aflição”.

      Obs minha: quem possui o Espírito de Deus já reina na presente vida, porque Cristo fez morada nele, tendo a verdadeira PAZ (não a paz do mundo). Após receber a sentença de salvação, creio que uma felicidade eterna invadirá a alma do salvo, ficando a aflição reservada para os infiéis.

      3) Sua afirmação: “Os mil anos de 2Pedro não são os mesmos de Ap 20, porque Pedro fala num contexto onde homens ímpios zombavam da promessa da parousia, dizendo que ela tardava em acontecer, mas para Deus, diz Pedro, isso nada é, pois não há diferença temporal para Quem é eterno. Já em Apocalipse, o termo mil anos dá a entender simbolicamente que é de fato um longo período”.

      Obs minha: Creio que, de fato, uma coisa não tenha nada a ver com a outra, mas o Dia do Senhor parece ser breve, contrapondo-se ao longo período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, o que fortalece ainda mais esse ponto de vista (será que eu não entendi sua observação?).


      II - Quanto aos acontecimentos simultâneos:

      1) Sua afirmação: "O texto de Ap 11 que fala das duas testemunhas não transparecem que seja Israel e Igreja".

      Obs minha: há longas discussão a esse respeito, todavia nada diz que essa possibilidade deva ser excluída definitivamente, pois castiçais representam igrejas, conforme o próprio livro de Apocalipse, podendo, como disse, representar a igreja dos gentios e o remanescente de Israel, os dois povos que comprovam para todos os habitantes da terra que Deus é verdadeiro (tratam-se de duas testemunhas verazes).

      2) Sua afirmação: "A prisão do diabo no mesmo lugar onde ocorreu a libertação do gadareno não tem base bíblica, histórica, nem geográfica, uma vez que abismo é um lugar espiritual e não geográfico".

      Obs minha: De fato nós podemos dizer que abismo é simbologia para trevas espirituais, mas as Escrituras falam que há possibilidade de confinamento, fato que ocorreu, por exemplo, com o próprio diabo, quando foi lançado para a terra e vedado seu acesso às partes que antes frequentava livremente, ou isso também é espiritual? Lago de fogo, por exemplo, trata-se de um lugar real, mas que, atualmente, não é visto por nós, ou não? Veja que em Lucas 8:31 é falado de um abismo, indesejado pelos demônios, para onde não queriam ir. Como poderíamos entender essa passagem? Será que quando os demônios possuem uma alma eles saem das trevas (abismo espiritual) e para lá não querem voltar porque são lugares áridos?

      3) Sua afirmação: "A Bíblia não dá possibilidade de nenhuma salvação depois do aparecimento de Cristo em glória".

      Obs minha: o juízo final, que ocorrerá após a volta de Cristo, não dará oportunidade de salvação para ninguém?


      Respeitosamente.

      Excluir
  8. Sobre os mil anos de Apocalipse, em resumo, o que o Amilenismo ensina é o seguinte:

    1) Os mil anos não são literais, mas aludem a um longo período.

    2) Este período começou com a 1ª vinda de Cristo, quando Ele prendeu Satanás (Mt 12.29). Satanás “preso” não significa “inativo”, mas extremamente “limitado”.

    3) Este período se encerrará na 2ª vinda de Cristo, quando, um pouco antes Satanás será solto, ou seja, terá maior liberdade, dará seu poder ao anticristo e reunirá as nações para guerrearem contra o povo de Deus (a grande tribulação) – ver v. 3.

    4) Os que se assentam nos tronos são os 12 apóstolos que Jesus prometeu que julgariam as 12 tribos de Israel (Mt 19.28) e os que reinam no milênio são as “almas” (não os corpos) dos que morreram em Cristo e/ou foram martirizados por amor a Cristo, desde os dias do ladrão da cruz e Estêvão até os dias anteriores à 2ª vinda. Ou seja, o milênio acontece no céu e não na terra (v. 4).

    5) O fato do texto dizer que “viveram” e reinaram com Cristo, refere-se à vida espiritual e não física. A palavra grega, pelo contexto, mostra vida no aspecto espiritual εζησαν – ezesan (Ap 20.4). Os demais mortos não reviveram (no grego ουκ εζησαν – úk ezesan) “não viveram”, isso não quer dizer que eles não vão ressuscitar, mas que mesmo ressuscitados continuam sendo chamados de mortos. Quer uma prova disso? Observe os vs. 12-15. Mesmo depois que esses mortos (nekroi) ressuscitam para serem julgados, eles ainda continuam sendo chamados de “mortos”, mesmo estando ressuscitados (isso porque estão separados para sempre de Deus, por isso “mortos espiritual e eternamente”). Então isso prova que o que João quis dizer é que durante o milênio dos que “viveram” espiritualmente, esses “demais mortos” (v. 5) estavam mortos espiritualmente (claro que fisicamente também) e depois do milênio, apesar de ressuscitarem fisicamente, todavia espiritualmente continuam mortos (v. 12)! Isso prova que o verbo “viveram” e “não viveram” que João usa nos vs. 4,5 fala de vida espiritual e não física. Mesmo quando os outros mortos ressuscitarem fisicamente depois do milênio, ainda serão chamados de “mortos”, pois a vida à qual João se refere é a vida espiritual, a qual eles não têm.

    6) Portanto, o termo “primeira ressurreição” não quer dizer aquela ressurreição física que acontecerá na 2ª vinda. Mas João usa o termo η αναστασις η πρωτη (he anastasis he prōtē – lit. “a ressurreição, a primeira”) num sentido totalmente inédito, apropriado somente para o contexto de Ap 20. Como se ele dissesse: “As almas dos que foram degolados por amor de Cristo não estão mortas, estão como que numa espécie de ‘primeira ressurreição’ reinando com Cristo no céu”. Por isso que ele diz que sobre estes “a segunda morte” não tem poder. Note que João não fala da “segunda ressurreição”, pois para ele e todos os crentes do 1º século, a ressurreição de justos e injustos se daria no mesmo evento (Dn 12.2; Jo 5.28,29), ou seja, na 2ª vinda. Então, ele jamais usaria o termo “segunda ressurreição”, porque esta seria a ressurreição já conhecida de todos, que se dará na 2ª vinda. Se fôssemos chamar de “segunda ressurreição”, João nos proibiria, pois ele não quis dizer com “primeira ressurreição” que houvesse outra separada e distinta, e sim que há apenas uma “única ressurreição” tanto de justos como de injustos. Ele usou o termo “primeira ressurreição” de forma inédita e incomum apenas para ilustrar sua visão do milênio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço sua gentileza e segue meu parecer:

      Na desobediência de Adão, todos nós morremos espiritualmente, em decorrência da sentença que o Senhor havia lhe dado antes dele pecar, havendo dois sentidos nessa sentença, um espiritual (que ocorreu no ato da desobediência) e outro material (que ocorreu muitos anos depois), pois, como disse o Senhor Deus, Adão fora tomado do pó e ao pó tornaria.

      Assim que houve a desobediência, o pecado entrou no mundo e com ele a morte (1ª MORTE, a espiritual), provendo, o Senhor, um meio de resgatar o homem através de Cristo.

      A morte física por sua vez veio ao mundo (à humanidade) somente com o lançamento do homem fora do Jardim do Éden (onde havia a árvore da vida), tratando-se de uma providência da parte de Deus para uma futura remissão dos pecados através da morte e ressurreição de Cristo.

      Os que crêem no Senhor, em vida, acabam recebendo o Espírito Santo e são vivificados, passando da morte para a vida (a 1ª RESSURREIÇÃO), recebendo os títulos de rei e sacerdote, para reinar em vida sobre o pecado e oferecer sacrifícios agradáveis a Deus .

      Todavia quem não crer já está condenado (à morte espiritual) em Adão, restando-lhe o juízo final e a possibilidade de salvação pelas obras.

      Um dia todos nós morreremos fisicamente (justos e injustos) sem chance alguma de rever, durante o sono da morte, o que fizemos em vida, pois há uma só chance.

      Na volta de Cristo, mediante o soar da trombeta, todos os mortos ressuscitarão fisicamente para comparecerem diante do Tribunal de Cristo, num lugar intermediário entre o novo céu e o lago de fogo, pois este céu que vemos e esta terra onde estamos terão fugido da presença de Deus.

      Os que se arrependeram em vida e fizeram um concerto com Deus serão colocados à direita de Cristo e lhes será dito: "vinde benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparada desde a fundação do mundo" (Mt. 25:34).

      Todavia os que não se arrependeram, à esquerda, ouvirão: "apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos", Mt. 25:41. Estes sofrerão o dano da 2ª MORTE (espiritual e física) eternamente.

      Os mil anos citados em Apocalipse 20 provavelmente estejam tratando da morte espiritual (a 1ª MORTE), pois os que não foram ressuscitados em Cristo, continuam mortos (descartando a possibilidade de João estar falando de ressurreição física, pois essa ocorrerá de uma só vez e não com uma diferença de mil anos entre justos e injustos).

      As Escrituras afirmam que, após o soar da trombeta de Deus, todos os mortos sairão dos sepulcros para comparecerem diante do Tribunal de Cristo, uns para a salvação e outros para a condenação eterna (todo olho O verá).

      Se houver algum santo que já ascendeu aos céus com Cristo, creio que isso só seja possível se forem os que ressuscitaram na morte de Cristo, quando os sepulcros se abriram e muitos santos foram vistos (podendo ser eles os 144 mil que foram comprados pelas obras da lei, os heróis da fé), mas não creio que haja almas do período pós-Cristo reinando no céu.

      Lembremo-nos de que não falta referências bíblicas que afirmam peremptoriamente que no sepulcro não há mais consciência de nada, pois aquele lugar é a terra do silêncio.

      Seria, a meu ver, impróprio que almas do período pós-Cristo já tenham sido julgadas e gozem do prêmio da fidelidade, para depois voltarem a assumir um corpo e passarem novamente pelo Tribunal de Cristo, em Sua vinda.

      Outrossim, tenho por mim que, quando as Escrituras afirmam que foram vistas por João algumas almas clamando debaixo do altar de Deus, me perece que não passa de simbologia, pois o Senhor usou uma expressão semelhante para dizer a Caim que o sangue de Abel clamava a Ele por justiça (como clama até hoje).

      Nós sabemos que sangue não clama, assim com as almas dos mortos também não, pois eles estão MORTOS. Todavia, para Deus, todos vivem e nada está esquecido diante Dele. É exatamente isso que essa visão quis dizer-nos.

      Respeitosamente.

      Excluir
  9. Caro amigo,
    Gostaria de fazer-lhe uma pergunta, visto que o amigo é um estudioso das Escrituras: Ezequiel 38,39 falam da mesma batalha de Ap 19, ou é referência à batalha citada em Ap 20 (Gog e Magog)? Ou será que todas elas fazem referência à mesma batalha?

    Obrigado.

    ResponderExcluir
  10. 1) Realmente Satanás já está julgado. Quando disse que ele estará sendo julgado, quis dizer apenas que a sentença estará sendo executada sobre ele no Dia do Senhor, que é o Dia do Juízo.

    Se o livro de Apocalipse for um livro sequencial, então Satanás realmente será lançado para o lago de fogo mil anos (simbólicos) depois do anticristo. Mas se Apocalipse for um livro escrito em blocos (talvez 7 blocos), onde cada bloco repete a ideia do anterior, porém de forma mais dramática na medida em que se avança para o próximo bloco (proposta de William Hendricksen no livro “Mais que vencedores”, comentário de Apocalipse), então Satanás será lançado juntamente com o anticristo no lago de fogo, o que significa que as guerras de Armagedom e Gogue/Magogue são as mesmas. Apenas que Gogue/Magogue é uma forma mais dramática de se tratar sobre o Armagedom. Mas nada exclui a possiblidade das coisas acontecerem de forma sequencial como você citou. Porém entendo que seja como blocos mesmo, pois ficaria sem explicação ainda haver sobreviventes para a guerra de Ap 20, uma vez que todos já morreram no final do cap. 19.

    2) Realmente já há paz no coração dos salvos aqui na terra. Eu me referi ao texto de Ap 20, onde diz que almas reinam em gozo com Cristo, nada falando dos vivos que estão na terra. Claro que já reinamos em vida, mas eles (os mortos em Cristo) reinam em vida espiritual no céu e isso é tido como milênio. O autor aos Hebreus diz que chegamos à universal assembleia, à igreja dos primogênitos que estão inscritos no céu, a Deus, o Juiz de todos e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. O que isso significa pra você? Eu vejo como sendo uma referência à igreja triunfante que já se reúne nos céus em adoração. Isso é uma referência ao milênio. São as almas que estão debaixo do altar, aguardando até que o número de seus irmãos se complete para que toda a igreja triunfante se encontre no céu (Ap 6.10). O Dia do Senhor é de aflição para os infiéis, claro.

    3) Sobre o Dia do Senhor, eu vejo como sendo mesmo diferente do Milênio. O Dia do Senhor é o Dia do Juízo, da parousia, onde essas coisas escatológicas acontecerão sequencialmente.

    4) Sobre as duas testemunhas, veja o que escrevi sobre isso:
    http://teolatria.blogspot.com.br/2012/02/quem-sao-as-duas-testemunhas-de.html

    5) Sobre a questão do abismo, a Bíblia diz que apenas alguns anjos caídos estão no abismo (Jd 6). Não todos. Muitos deles estão na terra (Ap 12.9), outros são principados e potestades, estão nas regiões celestiais (Ef 6.12), e alguns dos que estão no abismo sairão de lá em um dado momento (Ap 9.14,15). O abismo é uma prisão temporária, até que todos eles sejam lançados no lago de fogo (Mt 25.41). Com certeza trata-se de um lugar espiritual, pois os demônios são espíritos. Mas também deve tratar-se de um lugar geográfico, pois os ímpios serão ali também lançados depois de ressuscitados e julgados.

    6) Sobre o Juízo Final, realmente não vemos base para salvação em lugar nenhum das Escrituras depois da volta de Cristo. A Bíblia diz que cada um será julgado pelas suas obras. E como sabemos, à parte de Cristo, obra nenhuma será capaz de salvar homem algum. Pedro diz que “debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Fora de Cristo não há salvação. O conhecimento que os homens tiverem de Deus pela natureza (Rm 1.18), ou pela consciência (Rm 2.15,16) não será capaz de salvá-los, apenas torna-os indesculpáveis (Rm 1.20).

    ResponderExcluir
  11. Você diz: "Todavia quem não crer já está condenado (à morte espiritual) em Adão, restando-lhe o juízo final e a possibilidade de salvação pelas obras".

    Veja bem, em Adão todos os seres humanos já nasceram mortos (1Co 15.22; Ef 2.1). Jesus disse que quem não crê já está julgado (Jo 3.18). Eles não estão condenados à morte espiritual, mas à morte eterna (que é a 2ª morte).

    Você diz: "Os mil anos citados em Apocalipse 20 provavelmente estejam tratando da morte espiritual (a 1ª MORTE), pois os que não foram ressuscitados em Cristo, continuam mortos (descartando a possibilidade de João estar falando de ressurreição física, pois essa ocorrerá de uma só vez e não com uma diferença de mil anos entre justos e injustos)".

    Concordo e vou estudar esta posição. Pode ser que João chame de mortos os que estão vivos sem Cristo... muito bom! Não tinha pensado nisso.

    Você diz: "Se houver algum santo que já ascendeu aos céus com Cristo, creio que isso só seja possível se forem os que ressuscitaram na morte de Cristo, quando os sepulcros se abriram e muitos santos foram vistos (podendo ser eles os 144 mil que foram comprados pelas obras da lei, os heróis da fé), mas não creio que haja almas do período pós-Cristo reinando no céu".

    Há controvérsias se esses santos ressuscitados realmente ressuscitaram com o corpo em glória, ou se sua ressurreição foi física, semelhante à de Lázaro e outros na Bíblia. De toda forma, os 144.000 não são comprados por obras da lei, pois Paulo diz que pelas obras da lei ninguém será justificado (Rm 3.20; Gl 3.16).

    Já sobre almas reinando no céu pós-Cristo é evidente pelo texto de Ap 20 e como já expliquei acima.

    Você diz: "Lembremo-nos de que não falta referências bíblicas que afirmam peremptoriamente que no sepulcro não há mais consciência de nada, pois aquele lugar é a terra do silêncio".

    Esse me parece um pensamento adventista, sobre o qual não encontro base bíblica suficiente para concordar. Os textos para apoiar a inconsciência no Sheol são veterotestamentários, mas nada há no NT que comprove essa visão "debaixo do sol", que é extremamente salomônica, muito pelo contrário. As cartas paulinas mostram que estar com Cristo é muito melhor e não me parece ser por estar inconsciente. Ademais o texto de Hb 12 que já citei acima, bem como a parábola de Jesus da consciência do rico no Hades nos revelam que não somente há consciência no estado intermediário, bem como há também adoração da parte dos fiéis. O que não há é interferência deles em nosso cotidiano, mas isso não prova que eles estão inconscientes.

    Você diz: "Seria, a meu ver, impróprio que almas do período pós-Cristo já tenham sido julgadas e gozem do prêmio da fidelidade, para depois voltarem a assumir um corpo e passarem novamente pelo Tribunal de Cristo, em Sua vinda".

    Não é incoerente que isso aconteça, uma vez que passar pelo Tribunal de Cristo não mudará em nada o seu estado eterno de gozo. Apenas completar-se-á esse gozo, assumindo estas almas seu corpo ressurreto glorificado. Lembre-se que elas também não estão gozando do "prêmio da fidelidade", apenas estão em descanso com Cristo. Este prêmio será dado no julgamento final, o que, como já disse, em nada vai alterar o estado desses fiéis.

    Considerando o que já respondi, acredito que não preciso falar sobre o sangue de Abel e das almas dos mortos justos, pois isso nada mais é do que uma figura de linguagem chamada metonímia. As almas de fato não precisam clamar se é que isso vem ao caso, e que "sangue" naquele caso significa a própria alma do justo Abel, isso é claro para quem estudou figuras de linguagem. Mas que as almas estão conscientes, isso não podemos negar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço sua preocupação e o carinho em responder minhas colocações, embora não concorde com muitas das suas posições (e vice-versa).

      Porém quem se arrisca a falar da Palavra de Deus em público deve estar preparado para ouvir posições diferentes, o que o amigo faz muito bem e com grande respeito.

      As coisas de Deus se discernem espiritualmente e pela sabedoria humana jamais o homem poderá compreendê-las, pois lhe parecem loucura (isso vale para todos nós).

      O ensino das Escrituras sobre o estado do homem na morte não admite dubiedade, a meu ver, independentemente de onde, na Bíblia, esteja escrito, pois toda ela é inspirada pelo Espírito Santo, não podendo haver contradição, sob pena de ser julgado um livro apócrifo.

      A Palavra fala claramente que não há consciência na morte. Para tanto, basta lermos: Salmo 146:4; Ecles. 9: 5,6,10; Mat. 10:28; João 11:11; I Tes. 4:13.

      Os católicos, e até muitos protestantes, afirmam, por exemplo, que, enquanto Cristo esteve morto, Ele passou esse tempo (3 dias e 3 noites) pregando aos espíritos em prisão. Eles justificam essa crença baseados em I Pedro 3:18-20.

      Mas eu pergunto: estaria essa crença em harmonia com o ensino geral das Escrituras Sagradas?

      De modo nenhum, a meu ver, porque, afirmar que entre a crucifixão e a ressurreição, Jesus foi a algum lugar, ou desceu ao Hades (que quer dizer tão somente SEPULTURA), selecionou os espíritos dos antediluvianos, dos dias de Noé, e lhes pregou, concedendo-lhes segunda oportunidade, seria crer que a Bíblia advoga:
      1 - A segunda oportunidade;
      2 – O estado de consciência na morte; e
      3 - A existência de algum lugar (uma espécie de purgatório), onde estão os espíritos desencarnados.

      Todas essas HIPÓTESES não passam de doutrinas ESTRANHAS ao Livro Sagrado, creio eu.

      A parábola do rico e do Lázaro , a meu ver, trata-se apenas de uma maneira do Mestre esclarecer-nos sobre a distinção dos dois caminhos que podemos seguir, com as respectivas recompensas pela decisão. Ao se referir, por exemplo, a uma possível ressurreição de alguém da família do rico, o Senhor Jesus está falando, na verdade, do que ocorreria consigo mesmo, pois Ele mesmo ressuscitou milhões de pessoas ainda assim não crêem Nele, cumprindo a profecia feita por Ele nessa parábola.

      Quanto ao juízo final, não tenho condições, e acredito que ninguém as possui, de definir os critério de julgamento e o sentimento de Deus a respeito desta ou daquela alma, até porque as pessoas que não tiveram conhecimento da Graça, segundo a Palavra, serão julgadas, "testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens...". Romanos 2:15-16

      Quanto aos 144 mil israelitas descritos no Apocalipse, ainda acredito que seja referência aos heróis da fé, pois o fim desse assinalamento marcou o início do endurecimento de Israel, no que diz respeito à aceitação do evangelho.

      Foram comprados pelas suas demonstrações de fé (circuncisão do coração), manifestadas em suas obras, como é o caso de Abraão. Não houve batismo físico para eles, mas espiritual, como que por semelhança (dilúvio, mar vermelho, Jordão...), conferindo-lhes aceitação diante de Deus.

      Respeitosamente.

      Excluir
  12. Imagina, meu querido. É um prazer expor aquilo que tenho alcançado pela graça de Deus.

    Quando você diz que o ensino das Escrituras não admite dubiedade, eu concordo plenamente, porém tenho que me fazer mais claro: apesar de não haver dubiedade na Bíblia, todavia há dubiedade na nossa compreensão. A Bíblia é inerrante, infalível e inspirada, mas minha mente não é. Ela não se contradiz, mas minha compreensão limitada ainda não alcançou a perfeição das Escrituras. Por isso continuamos estudando, orando e compartilhando para aprendermos juntos.

    Sobre a ideia que o amigo defende, do sono da alma, não posso aceitá-la, pois como já disse, carece de fundamento doutrinário que tenha base neotestamentária. No AT, os hebreus não tinham conhecimento pleno acerca de muitas coisas. A vida após a morte para eles ainda era um mistério sendo desvendado pouco a pouco. Chamamos isso de “revelação progressiva”. No NT essa doutrina já é mais plenamente revelada. Mas as referências que você citou do NT não apoiam esse ensino do sono da alma. Em Mt 10.28, o inferno que Jesus fala, no grego é o geena, o estado final, o lago de fogo, e não o hades, o inferno do estado intermediário para onde vão as almas dos mortos sem Cristo. No geena haverá pranto e ranger de dentes. Não me parece que pessoas prantearão e rangerão os dentes inconscientemente... As referências de Jo 11.11 e 1Ts 4.13 falam do corpo em estado de morte e não da alma, sob a figura chamada “eufemismo” ao utilizar o verbo dormir no lugar do verbo morrer. Mas não quero prolongar sobre esse tema, porque a meu ver, o NT é mais abundante para dar referências à consciência após a morte do que o contrário e poderíamos fugir do assunto do presente artigo.

    Sobre o texto de 1Pe 3.18-20 eu também concordo com você (exceto o ponto nº 2), Jesus realmente não foi pregar para ninguém no intervalo do Seu sepultamento e tenho, inclusive um artigo escrito sobre isso também:

    http://teolatria.blogspot.com.br/2011/02/cristo-no-inferno-o-que-ele-foi-fazer.html

    Acho estranho como Jesus poderia ensinar a inconsciência da alma após a morte, e depois, numa parábola, Ele dizer que a alma do rico morto tinha consciência... não condiz com o tipo do Mestre, não é mesmo? Não é do feitio dEle entrar em contradição. Ele fala uma verdade e, de repente, em uma parábola que vai ilustrar a verdade que Ele está dizendo, Ele fala o contrário do que estava dizendo...

    ResponderExcluir
  13. Quanto ao Juízo Final, me parece que você titubeou em relação à afirmação que fez da não dubiedade da Escritura. Da mesma forma que a Escritura não é dúbia em relação ao estado do homem na morte, menos ainda em relação ao critério do Juízo Final. Para isso, uso o mesmo versículo que o amigo usou, Rm 2.16, porém não finalizou: “no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens... de conformidade com o meu evangelho”. Qual o evangelho de Paulo? Não era outro, senão o que já vinha sendo anunciado. Se fosse, então Paulo mesmo diz que seria anátema (Gl 1.8). Portanto, o critério que Deus vai usar é esse e somente esse: o Evangelho de nosso Senhor e Seus apóstolos! Fora disso não há salvação, pois a Bíblia entraria em contradição – não há salvação pelas obras (Ef 2.8,9) e nem há como se chegar ao Pai sem Cristo (Jo 14.6). Se houvesse salvação por obras, Deus não precisaria enviar Cristo, bastaria cada ser humano obedecer à sua consciência para ser salvo, ou não obedecer para ser condenado, isso é óbvio, como já sabemos. A justiça dos homens para Deus não passa de trapo da imundícia (Is 64.6). Não há justo, nenhum sequer (Rm 3.10-12). O salário do pecado é a morte (Rm 6.23) e se todos pecaram (Rm 3.23), então o que merecem é a morte. Por si mesmo, qualquer ser humano, por mais justo que pareça aos nossos olhos, ainda é pecador e digno da condenação aos olhos de Deus.

    Sobre os 144.000, tenho uma pregação em áudio que gostaria que o amado amigo ouvisse:

    http://www.mediafire.com/?budgqp2e6umc4fx

    Concordo plenamente com sua última frase: “Foram comprados pelas suas demonstrações de fé (circuncisão do coração), manifestadas em suas obras, como é o caso de Abraão. Não houve batismo físico para eles, mas espiritual, como que por semelhança (dilúvio, mar vermelho, Jordão...), conferindo-lhes aceitação diante de Deus”.

    Realmente os santos do AT foram salvos pela fé, da mesma forma que qualquer pessoa deve ser salva, somente pela fé. Claro que ela resulta em obras, mas não são as obras a razão da salvação, mas a salvação a razão das obras.

    ResponderExcluir
  14. Quanto a Gogue e Magogue, eu vejo que João, como sempre, utiliza algumas imagens do AT para ilustrar suas visões apocalípticas.

    Assim como o príncipe Gogue da terra Magogue (possivelmente uma referência a Nabucodonosor, rei de Babilônia, visto que era uma força que vinha do Norte - 38.6,15) foi uma ameaça para o povo de Israel e depois a justiça de Deus foi vindicada nele, assim também na visão de João. O Senhor vindicará Sua justiça sobre o maior perseguidor da Igreja, o anticristo.

    O texto de Ezequiel era muito apropriado para João fazer uso dele. Tanto porque era simbólico até mesmo para Israel (Judá) nos dias de Ezequiel, como também porque figurava símbolos de significados assustadores condizentes com a visão que João tinha do Armagedom, ou Gogue/Magogue, como queira.

    Vejo que ambas são a mesma batalha. A batalha final. Apenas que João usa nomes diferentes (Armagedom - Ap 16.16 e Gogue/Magogue Ap 20.8). Nela, o anticristo, cheio do poder e eficácia de Satanás será derrotado e, assim como em Ezequiel, o Senhor chamou as aves do céu para se fartarem da carne dos poderosos (Ez 39.17-20), assim também Ele as chama para o mesmo fim em Ap 19.17,18.

    ResponderExcluir
  15. 1ª Parte

    Caro Pr Cleilson,

    Sem querer lhe contradizer, mas para que aprendamos um pouco mais com a investigação das coisas santas, gostaria que o amigo falasse sobre sua posição a respeito das seguintes passagens:
    1 – “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas OBRAS” (Ap 20:12).
    Será que essa passagem diz respeito somente aos crentes ou também à humanidade em geral? Digo isso porque as Escrituras nos ensinam que deve haver evidências para a fé que dizemos possuir, as quais são comprovadas pelas nossas obras.
    Naquele dia, minha vida deverá provar a realidade da minha fé e serei julgado pelas evidências dela (minhas obras), as quais mostrarão publicamente se minha vida foi ou não baseada na confiança em Cristo (minha fé), correto?
    Quanto aos demais, serão julgados pelas obras, conforme o Evangelho de Cristo. Ou seja, o julgamento deverá ocorrer não segundo a aparência, mas segundo os sentimentos do coração, conferindo com isso as consciências de cada qual, correto?

    2 – As diferenças de entendimento sobre os assuntos espirituais parecem vir de longa data, antes mesmo da vinda de Cristo. O que dizer da passagem escrita em Atos 23:7-8: “E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa”?
    Parece-me que Jó, por exemplo, talvez não tivesse a exata consciência de tudo que disse pelo Espirito de Deus, inclusive sobre a morte, mas ele parece demonstrar claramente um entendimento que nos falta a nós, nos dias de hoje, ou não? Salomão é um caso bem parecido, pois, mesmo com a sabedoria vinda de Deus, inigualável, nos assegurou que após tudo investigar acabou concluindo que o homem não pode descobrir a obra que Deus fez desde o princípio.
    3 – Quando o Senhor ressuscitou e disse às discípulas, que foram ao sepulcro no primeiro dia, que O não detivessem, pois ainda não havia subido ao Pai, Ele estaria confirmando a tese de imortalidade da alma? Ou será que ele falava da Sua pessoa como um todo, sugerindo-nos que o ser humano é um conjunto que só existe quando completo (corpo, alma e espírito)?
    Será que o Senhor Jesus Cristo, a Palavra de Deus, ao entregar Seu espírito ao Pai, na Sua morte, não teria cumprido o que Ele próprio estabeleceu, pelo Espírito, a respeito do sono da morte? (“a carne volta ao pó e o espírito volta a Deus que o deu”)

    ResponderExcluir
  16. 2ª Parte

    4 - Em uma parábola o Senhor disse aos discípulos que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai, porque procede do coração”, correto?

    Pois bem, isso pode parecer contraditório, pois sabemos que muitas coisas que entram pela boca podem contaminar o homem, inclusive espiritualmente, no caso dos judeus, se eles comessem determinados animais chamados de “imundos”. Todavia, sabemos que, no caso citado, o Senhor está falando espiritualmente com os seus discípulos.

    Ficar preso a certa linguagem de um texto que não tem respaldo do ensino global das Escrituras é um sério problema, como o próprio uso de linguagem alegórica de Cristo ao falar de como é preferível arrancar um olho, ou braço, ou perna, que levaram alguém ao pecado, a ir para o inferno com corpo inteiro (Mar. 9:43-45)

    Assim sendo, as parábolas parecem ser recursos utilizados pelo Mestre para nos ensinar algumas ideias centrais, ou não?

    Levando determinados detalhes ao pé da letra, não corremos o risco de estabelecer e confirmar certas heresias tal como a teoria platônica da imortalidade da alma?

    Parece ser claro que o Senhor Jesus Cristo não tinha a intenção de ensinar a imortalidade da alma na parábola do rico e do Lázaro, pois jamais ensinou isso em qualquer outra parte dos evangelhos, nem é ensinado em qualquer outra parte da Bíblia. Pelo contrário, Cristo parece ter negado isso ao enfatizar a ressurreição dos mortos como única possibilidade de se alcançar a vida, e que esta será concedida somente quando Ele retornar em glória (ver João 5:25, 28, 29 e 14:1-3).

    Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hb 9.27), de sorte que o juízo segue-se à morte (muda-se o parâmetro temporal, do tempo linear para a eternidade). Logo, para o cristianismo bíblico não há imortalidade nem sono da alma, mas apenas a mudança de estado do tempo para a eternidade (na Parousia, tempo e eternidade se encontrarão).

    Além disso, as Escrituras Sagradas parecem não estabelecer uma diferença exata entre alma e espírito, por mais que o homem queira criar uma explicação para tal.

    Por isso, fico com as citações escriturais, as quais nos asseguram que, na morte, ocorre o fim de todas as coisas, e, dessa forma, credito a Deus a capacidade de trazer de volta alguém que já morreu, exatamente como era em vida, com suas obras escritas em livros, pelas quais há de ser julgado no último dia.

    Respeitosamente.

    ResponderExcluir
  17. É difícil aceitar que Deus fará um julgamento baseado nos sentimentos como você disse. Deus disse que o coração é enganoso e desesperadamente corrupto (Jr 17.9). Julgados por isso, todos os homens seriam condenados. Se Deus deu a lei e ninguém conseguiu cumprir, de modo que por ela ninguém será salvo, como disse Paulo, como alguém pode ser salvo pelas obras de sua consciência? Será que nossa consciência é superior à lei de Deus que revela Sua santa vontade? Não é possível ninguém ser salvo nem pela lei, muito menos pela consciência, ainda que ambos revelem a vontade de Deus. Todavia, os homens não terão desculpa no dia do juízo.

    Pelo contexto de Apocalipse 20, os mortos ali são os que morreram pela espada da boca de Cristo no cap. 19.21. Ou seja, os mortos ímpios representados pelos seguidores da besta. Pois é evidente que todos os que se rebelam contra Deus são seguidores do anticristo, ainda antes mesmo que o tal tenha se revelado. São os mortos espirituais que você citou em uma de suas colocações. Ali não se trata do juízo sobre os crentes, a meu ver (embora eles possam participar), porque sua sentença de glória já está decretada.

    Quanto à morte de Cristo, Ele mesmo prometeu ao ladrão convertido que estaria conSigo no Paraíso ainda aquele dia (hoje). Não vejo como esse ensino do sono da alma se encaixa nessa promessa de Jesus ao moribundo ladrão, visto que Jesus passaria 3 dias sepultado e teria prometido ao rapaz que "hoje" estaria com Ele no paraíso...

    Suponho que o amigo responderá que para quem morre o tempo não se conta, pois pode, por exemplo morrer hoje e se o dia da ressurreição for daqui a 100 anos, para ele é como se fosse ainda hoje, devido ao seu estado de inconsciência, ou seja, ele acordará daqui a 100 anos e para ele é como se fosse hoje. Perdoe-me se estiver sendo precipitado.

    Já adianto, portanto, que se assim for, então os versículos de Ap 6.9,10 perdem completamente o sentido, por mais simbólicos que sejam, pois expressam o desejo de pessoas mortas pelo martírio, que seu sangue seja vindicado pelo Soberano e Justo Deus. Tais almas não deviam clamar nada, pois estão, segundo você, os adventistas, testemunhas de jeová, etc., em estado de inconsciência. Nunca vi uma explicação satisfatória para estes versículos da parte de quem defende esse ensino. Também não ouvi até hoje nenhuma explicação satisfatória para o significado da parábola do rico e Lázaro da parte de quem defende esse ensino. Não conseguem sequer explicar o que significa o rico "em tormentos" (Lc 16.23). Falam apenas o que isso não quer dizer, mas nunca o que quer dizer.

    Obviamente identificamos nas parábolas as linguagens figuradas que elas carregam. Metáforas, sinédoques, alegoria, metonímias, etc., mas nesta parábola, qual a figura envolvida? Qual seu significado e interpretação? Se Jesus não quis dizer que ele estava em tormentos quando disse que ele estava em tormentos, o que Jesus afinal quis dizer? Reconheço, por exemplo, que o fogo ali pode ser simbólico, um tipo de tormento espiritual, pois fogo literal nada faz à alma de alguém; reconheço que molhar a ponta do dedo para refrescar a língua, seio de Abraão e outras são figuras que avivam nossa imaginação do estado pós-morte. Mas a pergunta acima permanece.

    Claro é também, pelo texto de Hb 12.22,23, que os justos quando morrem, seu espírito é aperfeiçoado; ainda mais, nós cristãos, vivos, nos achegamos a eles, bem como aos anjos, à igreja que está nos céus, etc. Isso se dá de um modo místico, completamente espiritual, porém real e inegável. Não me parece apoiar essa doutrina.

    Portanto, vejo que a doutrina do sono da alma é infundada e só subsiste diante de uma hermenêutica escorregadia. As bases para a consciência pós-morte são maiores e mais fidedignas.

    Quanto à diferença entre alma e espírito, eu concordo contigo, ou seja, não há diferença. O homem é um todo e jamais é completo sem corpo ou sem alma. Entretanto isso não significa que sua alma sem o corpo seja inconsciente, como o corpo é sem a alma.

    ResponderExcluir
  18. Com todo respeito e temor eu digo ao amigo e a todos os que acreditam na doutrina do sono da alma que vocês se assemelham aos 5 irmãos do rico que ainda estavam em vida. Pois não acreditariam naquela cena horrível em que seu irmão se encontrava nem mesmo se Lázaro ressuscitasse e fosse contar a eles.

    Pois Jesus contou detalhadamente a cena e vocês não acreditam ainda.

    Não sei o amigo, mas os adventistas e testemunhas de jeová chegam a negar que o inferno (lago de fogo) seja para sempre. Dizem que um Deus de amor não suportaria ficar olhando para sempre aquela cena horrível de gente criada à Sua imagem e semelhança ser atormentada pela eternidade. Então ensinam a doutrina chamada "Aniquilacionismo". Totalmente antibíblica e enganosa aos ouvidos dos homens, o que levaria muitos deles a não se arrepender mesmo de seus pecados, já que o sofrimento não é eterno.

    Claro que não é isso que deve motivar as pessoas a virem a Cristo. Entretanto, essa verdade não pode deixar de ser avisada, nem tampouco aliviada, subestimando a justiça de Deus.

    Não me entenda mal e peço desculpas se assim lhe ofendo.

    ResponderExcluir
  19. 1ª PARTE

    Caro Pastor,

    Entendo plenamente o que dizes em várias partes da sua argumentação e confesso que em muitas delas já tive o mesmo pensamento e em outras concordo plenamente. Todavia com a leitura das Sagradas Escrituras, com as pregações que ouvi, com o dia-a-dia na Graça do Filho de Deus e com as divinas revelações, o Senhor tem me feito entender algumas coisas sob o ponto de vista celestial (nem tudo é claro, pois nenhum de nós suportaria).

    Não que eu tenha alcançado um nível de espiritualidade superior a quem quer que seja, mas a promessa de Deus é fiel e verdadeira, e, se vivermos em comunhão com Ele, Seu Espírito, passo-a-passo, acaba nos esclarecendo toda a verdade acerca de algo.

    I - Imortalidade da Alma:

    Também cri na imortalidade da alma, todavia tenho como premissa básica aquilo que já disse em outra mensagem, ou seja, não dar crédito a um pensamento, por mais brilhante que pareça, que se contraponha a outra parte das Escrituras Sagradas (venha de quem vier).

    Se uma interpretação que faço de determinado ponto das Escrituras vai de encontro a uma ou mais partes da Bíblia, tal pensamento não provem de Deus, não é verdadeiro e deve ser abandonado. Ou seja, se as Escrituras dizem tacitamente NÃO para determinado assunto, porque eu vou considerar a possibilidade de outra passagem dizer SIM para esse mesmo assunto?

    Quer um exemplo tácito? O livro dos Salmos 115.17 diz “Os mortos não louvam ao SENHOR, nem os que descem à cova” (há outros pontos que já citei que são tácitos).

    No tocante à parábola do rico e do Lázaro, a questão tratada é a respeito da justiça divina, mostrando-nos que quem vive neste mundo indiferente aos princípios de justiça e de misericórdia, pode até pensar que está levando alguma vantagem, mas, no devido tempo, as coisas serão invertidas. Maldito aquele que põe seu coração nas riquezas desta vida e despreza o sofrimento de seu semelhante.

    Tenho duas observações que julgo importantes sobre essa parábola:
    1 – Se tal parábola reflete uma realidade, como explicar que a língua da alma do rico pode ser molhada? Que tipo de alma é essa? Que água é essa? Ou será que agora eu posso dizer que isso é simbólico e não a parábola como um todo?
    2 – Havendo lembrança das coisas do passado (pois o rico sabia de seus irmãos e conheceu Lázaro), como, por exemplo, um pai ou uma mãe poderão gozar no céu, vendo ou sabendo que seu filho está em sofrimentos?

    II – Juízo Final

    Como o amigo, creio que o juízo final seja uma incógnita, pois quem é aquele que escapa do olhar de Deus? (o qual penetra na divisão da alma e do espírito).

    Todavia, como se trata de um julgamento, é possível que o olhar de Deus seja diferente do nosso, pois, como no caso dos pecados de Davi, por exemplo, quem é que deixaria de condená-lo pelas terríveis transgressões que cometeu? Eu mesmo seria o primeiro a atirar a pedra (mesmo cheio de pecados, como sou), todavia, sob o ponto de vista divino, ele foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”.

    Dessa forma, prefiro não entrar nessa questão, para não me condenar a mim mesmo, até porque, os critérios pertencem a Deus e Ele é o dono do céu, dando a salvação a quem quer, como o fez com o ladrão da cruz, um mal feitor.

    Quem poderá intentar acusação contra os escolhidos de Deus?

    ResponderExcluir
  20. 2ª PARTE

    III – Tribunal de Cristo

    A grande verdade é que só o Senhor sabe quem irá se salvar e quem são os Seus escolhidos, porém nós não sabemos e por isso devemos crucificar a nossa carne para que naquele dia não sejamos confundidos por Ele na Sua vinda (morrendo com a esperança da vida eterna dentro do coração).

    Isso, a meu ver, de forma nenhuma nos livra do Tribunal de Cristo, pois as Escrituras testificam que todos haveremos de comparecer diante dele, para salvação eterna ou para condenação eterna.

    IV - Almas

    Como disse, a Palavra de Deus (especialmente o apocalipse) é repleta de simbologias que só são reveladas pelo Espírito de Deus. Tenho por mim, por causa das passagens que falam da morte completa do ser humano, que as tais almas citadas em Apocalipse representem algo que martela no coração do Criador, clamando por justiça (como o sangue de Abel).

    Veja que quando ocorre a queda da babilônia (a mulher que se assenta sobre a besta), o Espírito de Deus afirma que, naquele momento, “se lembrou Deus das abominações da babilônia” (como se Ele se esquecesse de alguma coisa...).

    V – Justos Aperfeiçoados

    Aqueles que desce às águas do santo batismo e recebe o Espírito de Deus, passa a ser um “justo aperfeiçoado”, pois acaba de receber a PERFEIÇÃO dentro de seus corações, para andar em novidade de vida (não depois da morte, pois, como nos assegura a Bíblia, na morte não pode haver mais aperfeiçoamento).


    Assim, concluo reforçando meu sentimento de que devemos abandonar, passo-a-passo, as teses que contrariam uma afirmação tácita das Escrituras, lembrando-nos de que as Escrituras foram escritas assim (da forma que lemos) propositadamente pelo Espírito de Deus para confundir os sábios e entendidos.

    Respeitosamente.

    ResponderExcluir
  21. É exatamente o que disse ao caro amigo. Identificamos as figuras de linguagem nas parábolas. As formas humanas são ditas na parábola do rico e Lázaro de forma vibrante para entendermos seu significado. Tudo o que ele passava no hades foi dito por Jesus para nos dar uma ideia do sofrimento que se passa ali. Negar isso é negar a luz do sol. Não estou dizendo que alma tem língua, ou fogo pega na alma, existência de água, etc. Apenas que as figuras ali usadas explicitam o sofrimento. Beira ao absurdo negar o sofrimento da alma nesta parábola. Claro que tudo é símbolo, não neguei isso. Mas o símbolo quer dizer alguma coisa, meu caro. E nesse texto diz claramente sobre o sofrimento do que morre sem Cristo. Inegável.

    Achei estranha sua colocação nº 2 da 1ª parte. Você diz: "2 – Havendo lembrança das coisas do passado (pois o rico sabia de seus irmãos e conheceu Lázaro), como, por exemplo, um pai ou uma mãe poderão gozar no céu, vendo ou sabendo que seu filho está em sofrimentos?"

    Eu lhe digo: Devo supor que o amigo é adventista, ou testemunha de jeová. Mais provável adventista, visto que os tj's não são tão estudiosos quanto o irmão. Mas esta afirmação não procede, meu amigo. Ap 15.3,4 nos diz que os salvos cantarão a justiça de Deus. Então não há problema algum em um salvo ver ou saber que seu amigo, parente, ou familiar esteja justamente sendo condenado. Os sentimentos celestes não se comparam com os daqui. Os nossos sentimentos de preferências burlam o verdadeiro regozijo pela justiça divina. Tanto é que o amigo citou sentimentos de pai e mãe sobre seu filho ou filha. Lá isso não vai existir. Só haveria isso que você citou se alguém considerasse Deus injusto... Mas como sabemos que Ele não é, então iremos cantar Sua justiça, mesmo vendo aqueles que mais gostávamos sendo condenados, pois nossa alegria pela justiça divina não pode e nem vai ser menor que nossos sentimentos preferencialistas...

    Sobre Davi, todos sabemos que ele sofreu as consequências de seus atos. Por ser ele um eleito de Deus, suas consequências foram sofridas aqui nesta vida, o que não se dá com o ímpio.

    É claro que passaremos pelo Tribunal de Cristo. Também não neguei isso. As Escrituras nos afirmam isso várias vezes. Apenas afirmo o que disse o apóstolo João: "Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" (1Jo 4.17). Não passaremos por um processo, para ver se vamos ser ou não condenados. Já estamos salvos, como disse o próprio João: "Estas coisas vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, a vós os que credes no nome do Filho de Deus" (1Jo 5.13). Paulo também disse que não há condenação para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). Portanto, o Tribunal de Cristo não mudará a sentença de um salvo, nem mesmo de um perdido.

    Sua hermenêutica do texto de Hebreus ficou um tanto duvidosa, até deficiente. Ninguém recebe perfeição ainda nesta vida, pois como disse o apóstolo João: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1Jo 1.8). Portanto, dependemos dAquele que nos aperfeiçoa até a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo (Fp 1.6). Concordo que depois da morte não haverá aperfeiçoamento, mas também não posso afirmar que ele existe em vida, pois a Bíblia o nega. Então resta apenas que Deus nos aperfeiçoa no momento da nossa morte, ou no momento da parousia.

    Concluo dizendo para o amigo que não estou me baseando em teses humanas. Assim como o caro colega, estou usando também as Escrituras.

    Paz seja contigo.

    ResponderExcluir
  22. 1ª PARTE

    Caro Pastor,
    Agradeço imensamente os elogios e também as opiniões sinceras do amigo.

    Não faço parte da comunidade adventista e nem das Testemunhas de Jeová, mas deixo claro que não tenho absolutamente nada contra essas doutrinas religiosas, pois o que importa é que o Evangelho de Jesus Cristo seja pregado, independentemente do objetivo.

    Também creio que a parábola em pauta fala do terrível sofrimento daqueles que forem condenados naquele grande dia, em oposição aos salvos, porém, como venho dizendo desde o princípio, não creio na imortalidade da alma, pois alguns versículos das sagradas Escrituras deixam claro que isso é uma heresia.

    Assim sendo, dizer alguma coisa a respeito dos sentimentos pós-mote seria perda de tempo, pois, para mim, como dizem as Escrituras, a morte faz cessar a existência de todas as pessoas (não para Deus, é claro, pois para Ele todos vivem – Mt 22:32). Ainda assim, e para ilustrar o que digo, deixo registrados três versículos que, no meu modo de entender, diluem qualquer dúvida:
    “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol... Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças; porque no Seol, para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” Eclesiastes 9:5-6, 10

    Todavia respeito sua posição e creio que aquele grande dia declarará a VERDADE (como ela é), lembrando que para os servos de Deus não convêm contender.

    A Palavra fala que o que sucede ao justo, sucede ao ímpio e aquilo que o homem fizer isso mesmo ele receberá, de sorte que tanto justos como injustos já desfrutam da justiça divina em vida, e nem mesmo os que fizeram um concerto com o Senhor estão livres de sofrer as consequências dos seus atos.

    Finalizando, quanto à salvação, entendo que não basta descer às águas do santo batismo para ser salvo, necessitando ser fiel aos preceitos neo-testamentários até a morte para receber a coroa da vida eterna (Ap 2:10).

    ResponderExcluir
  23. 2ª PARTE

    Lembre-mo-nos de que até o Apóstolo Paulo temia quando falava nesse assunto sobre a sua própria pessoa: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, JUSTO JUIZ, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Timóteo 4:7-8).

    Suas palavras nos confirmam a exclusividade de Deus nesse assunto, pois, por mais que o homem faça alguma coisa de bom (segundo seu próprio juízo), os segredos do coração só o JUSTO JUIZ (que julgará a todos naquele dia) é quem conhece.

    Claro que os que procuraram fazer a vontade de Deus, segundo a doutrina que Ele estabeleceu no Novo Testamento, possuem uma melhor esperança do que os ímpios. Todavia nenhuma pessoa tem em si própria a total certeza da salvação, pois não sabemos o que nos sucederá no minuto seguinte das nossas vidas (a GARANTIA da salvação me lembra muito a tese da idolatria romana sobre batismo, a qual além de não assegurar nada diante de Deus, está arrastando milhões para o abismo, não passando de outra heresia terrível).

    Para esclarecer melhor o que digo, há, por exemplo, muitos preceitos dados aos homens pelo Espírito de Deus que não são observados por muitas instituições religiosas que se dizem igrejas do Senhor. Insistem em afirmar, por exemplo, que algumas tradições entregues a nós, pelo Espírito Santo, são coisas temporais e regionais, adotando para si somente aqueles que lhes interessa.

    Por isso é que eu prefiro me calar a respeito de salvação, para não ser injusto comigo mesmo e com o Senhor, deixando que o Espírito Santo (a perfeição) trabalhe dia-a-dia em meu coração, aperfeiçoando-me até alcançar a estatura do varão perfeito no último dia, como disse Paulo em Fp 3:13 ” Irmãos, não julgo que o haja alcançado. Mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mm , prossigo para o alvo……”.

    Respeitosamente.

    ResponderExcluir
  24. Bem, amigo. Vejo que nossas colocações tomaram o rumo que eu não desejara. Ficamos a falar sobre a imortalidade ou não da alma, mas acredito que os leitores do blog poderão dirimir suas dúvidas através dos nossos posicionamentos, pois vejo que foram muito bem colocados. De todo, essa análise não é vã.

    Os versículos veterotestamentários citados não conseguem, a meu ver, promover a doutrina do sono da alma, visto que os autores do AT não tinham a mesma abertura de revelação que os do NT. Creio que não precisarei explicar o porquê, visto que já conhecemos a "revelação progressiva" das Escrituras. Para tanto, é preciso que nossos leitores saibam a diferença entre Teologia Sistemática e Teologia Bíblica, entre outros aspectos que a Teologia aborda, os quais não me convêm desgastar-me para explicá-los aqui.

    O que sucede ao justo e ao ímpio de igual modo é a morte física, jamais seu destino ou estado entre sua morte e a 2ª vinda, que chamamos de "Estado Intermediário". Ainda assim, nem mesmo a morte física tem o mesmo significado para o justo do que tem para o ímpio, uma vez que o ímpio, na morte física recebe o salário do pecado chamado "original", enquanto que para o justo, sua morte física é o transporte que o leva para o seio de Abraão. Portanto, vemos que o autor salomônico está dizendo as coisas como elas são "debaixo do sol" (uma das frases pelas quais se interpreta o livro de Eclesiastes) e não como elas são acima do sol, ou seja, na visão de Deus. Como sabemos, Eclesiastes é um livro sim, inspirado pelo Espírito, porém que retrata uma visão humana das coisas da vida e da morte. Cantares, por exemplo, é um livro inspirado, mas que trata do amor entre um homem e sua esposa. Há verdadeiras lições nestes livros, todavia, seus ensinos devem ser analisados à luz do NT, pois este é a revelação maior, visto que traz Cristo encarnado no seu bojo. Basear-se nos livros do AT para formular doutrinas tem sido um dos maiores erros tristes da igreja durante os séculos. O AT não lança luz sobre o NT e sim o contrário.

    Quanto à certeza da salvação, creio que mais uma vez divergimos. Não me parece que o NT queira nos deixar nessa infernal incerteza. Por outro lado não desconsidero que o NT também viva a nos alertar de nossa posição como salvos. Ambos os fatos são verdadeiros no NT: tanto podem os verdadeiros crentes terem certeza de sua salvação, como também devem viver alertados quanto à sua posição de salvos santificados.

    Sei também que há casos em que pessoas podem tranquilizar-se numa falsa segurança de salvação, ou seja, pensam que são salvas, sem, todavia, o serem de fato. Mas isso não nos deve levar ao extremo de afirmar que o NT não nos dá certeza da nossa salvação. Jesus mesmo disse que ninguém pode arrebatar Suas ovelhas de Suas mãos e das mãos do Pai (Jo 10.28,29). Disse também que jamais perderá um só sequer dos que o Pai Lhe deu (Jo 6.37-39). Bem, poderia multiplicar as referências que nos garantem a salvação, mas não vejo razões para isso por ora.

    Com isso não quero dizer que todos os que têm certeza sejam realmente salvos, pois pode haver certezas acerca de falsa segurança como já falei. E nisso concordo com o amigo, que para sabermos de nossa salvação devem se manifestar os frutos de salvação na vida dos que professam a Cristo (2Tm 2.19).

    ResponderExcluir
  25. Caro pastor,

    Mudando um pouco de assunto, mas voltando ao amilenismo, gostaria de perguntar-lhe sobre o posicionamento do amigo com relação à teoria da substituição de Israel pela Igreja.

    Outrossim, apenas para esclarecer melhor minha fé, creio que TODA a Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo, não havendo, como disse anteriormente, nenhuma contradição em nenhum dos versículos, capítulos e livros, seja do VT ou NT (conforme nos é assegurado em 2 Pedro 1.21).

    Portanto, dizer que tal trecho é mais digno de fé do que outro, para mim, é um grande equívoco, para não dizer que beira à blasfêmia, pois se isso for verdade e determinado trecho não for tão fidedigno quanto outro, podemos supor que houve falta de clareza ou até um erro por parte do autor, que é o próprio Espírito Santo de Deus (o qual se usou de um homem).

    Outrossim, pensar que havia "desconhecimento" por parte do autor sobre o que dizia, para mim, salvo erro, significa dizer que tal trecho não foi inspirado por Deus, e se não foi inspirado por Ele, por quem foi então? Só pode ser pelo outro.

    Quanto à garantia da salvação, a meu ver, ela se resume no versículo apresentado anteriormente: "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida eterna". Daí podemos deduzir que é imprescindível que haja um esforço de cada qual para buscar a salvação, e, mesmo assim, eu pergunto: quem é o homem que pode "bater no peito" e dizer que é (e que será) fiel a Deus todos os dias da sua vida? Quem é o homem que não peca? Quem pode dizer que é justo? Quem é o homem que não está sujeito às paixões deste mundo?

    Dessa forma, creio que a garantia da salvação de qualquer um não está nem mesmo no coração malvado do homem, mas somente na infinita misericórdia do Criador, o único que conhece aqueles que são Seus.

    Respeitosamente.

    ResponderExcluir
  26. Compartilho com o amigo da crença na revelação, inspiração e inerrância da Escritura como um todo, sem "graus de inspiração". Apenas não devemos desconsiderar que toda revelação, apesar de verdadeira, não é total.

    Na Bíblia não há contradições, seja anátema quem disser isso. Mas as revelações do NT são mais esclarecedoras que as do AT e quem usar o AT como luz mais abundante do que o NT está ferindo regras básicas da hermenêutica. Pontos de vista diferentes não significa contradição. Exemplo, Mateus fala de dois cegos curados em Jericó, Marcos fala de um. Não há contradições, apenas o enfoque de um evangelista foi diferente do do outro.

    Quanto a Israel ter sido substituído pela Igreja, a visão amilenista é baseada na "revelação progressiva". Ou seja, o plano de Deus sempre foi Sua Igreja. Israel no AT foi um protótipo do que Deus realmente iria fazer no futuro.

    Paulo fala que a parede da separação foi derribada em Cristo (Ef 2.14,15), ele chama a igreja de Israel de Deus (Gl 6.15,16), diz também que os descendentes de Abraão não são os da carne, mas os que creem em Cristo (Rm 9.8; Gl 3.29), Pedro diz que os gentios é que são "geração eleita" e etc., usando os textos de Êx 19.6 e Is 43.20.

    O plano de Deus para Israel é que ele se tornasse um povo missionário: "em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.2,3; 22.17,18). Israel falhou nesse plano, desenvolvendo um nacionalismo idolátrico. Mas quando chegou o tempo certo, Deus cumpriu Seu plano na Igreja, tornando-a um povo missionário, para que através dela várias nações, tribos e línguas sejam alcançados para a vida eterna.

    Paz e graça.

    ResponderExcluir
  27. Caro Pastor,
    Também acredito que as promessas feitas por Deus a Israel (segundo a carne) cumpriram-se todas na pessoa de Jesus Cristo, pois Ele mesmo é o REPOUSO, a terra prometida, enfim: o TUDO de Deus (anunciado primeiro aos judeus e depois ao mundo).

    Assim sendo, entendo que as profecias apocalípticas acabam por relacionar-se com a Igreja e possuem um sentido ESPIRITUAL, com batalhas espirituais e não com armas desta terra (batalhas que têm ocorrido nos plenários da ONU e nos diversos organismos anti-cristãos que estão a elaborar leis para disciplinar condutas).

    A Igreja é quem sofrerá as grandes perseguições do fim dos tempos, tendo privado o direito de cultuar a Deus livremente (o sacrifício contínuo), não significando que a nação israelita (segundo a carne), nos dias do fim, também não seja oprimida, até porque a Palavra fala que, no Oriente Médio, estão determinadas assolações, em cumprimento ao pedido que os judeus fizeram, por ocasião do julgamento de Cristo: " “Que seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!

    Dessa forma, é possível entender que as duas testemunhas tenham um sentido ESPIRITUAL e que o falso cristo (e seus discípulos) se levante contra tudo que se chama DEUS, ou se adora, através da extinção ou alteração significativa da Bíblia, do fechamento de determinados templos, mudança das leis terrenas para serem contrárias ao cristianismo, impedimento da pregação da verdade, disseminação das condutas anti-cristãs, etc.

    Agora, quanto ao arrebatamento, o amigo entende que a ressurreição de justos e injustos ocorrerá em horas distintas ou todos ressuscitarão ao mesmo tempo para comparecerem diante do Tribunal de Cristo, de forma que o arrebatamento dos salvos ocorra somente após o juízo?

    Encerrando a questão da parábola do rico e do Lázaro, eu só acrescento que tal parábola (e nenhuma outra) deve ter interpretação literal e não se deve prender a determinados pontos dela para se formular teorias "sagradas". Isso porque essa parábola, por exemplo, não nos dá detalhes das condutas de ambos os envolvidos.

    Supõem-se que o pobre seja um servo de Deus fiel e que o rico seja um ímpio, fato esse que, para alguns, pode significar uma regra, caso interpretem-na literalmente, o que seria outra heresia, pois há pessoas abastadas financeiramente que são caros servos de Deus e miseráveis que são arrogantes e orgulhosos.

    Por isso, trata-se de um risco muito grande prender-se aos detalhes das diversas parábolas bíblicas, ignorando as suas ideias centrais. Desse modo, ainda fico com os dizeres do VT (que são claros e taxativos sobre a inexistência de consciência após a morte), mesmo existindo as tais regras de hermenêutica.

    Respeitosamente.

    ResponderExcluir
  28. Apenas para complementar meu raciocínio a respeito das simbologias do Livro de Apocalipse, salvo erro, Apocalipse 6:9 trás uma mensagem central aos cristãos para que não desistam de lutar mesmo diante das mais duras provações que lhes sobrevirão, pois, conforme Ap 20:5, os fiéis receberão o prêmio pela vitória, na consumação de todas as coisas, qual seja: o reino eterno com Deus e o Cordeiro, preparado antes da fundação do mundo.

    O clamor e as orações do santos estão todos diante de Deus e serão atendidos um a um, com justiça conforme ocorrerá no cumprimento de Ap 14:20; 16:4-7; 18:20-24 e 19:2.

    ResponderExcluir
  29. Eu vejo o arrebatamento no mesmo momento da vinda visível de Cristo para destruir o anticristo. Mais ou menos assim na sequência:

    1 - A igreja na terra (hoje).
    2 - Sinais continuam a se manifestar.
    3 - As nações entregam seu poder para o anticristo.
    4 - Início da Grande Tribulação (poupo-me de alguns detalhes).
    5 - Aqui se encaixa, a meu ver, as duas testemunhas (que nada mais são do que a própria igreja no seu papel de reis e sacerdotes), como no link que indiquei para o amigo ver meu ponto de vista.
    6 - Epifania de Cristo (parousia), onde se dá a destruição do anticristo e sua horda, bem como a imediata ressurreição de todos indistintamente.
    7 - Juntamente com essa ressurreição, o arrebatamento da igreja (tanto vivos, que são transformados, como mortos crentes ressuscitados e também transformados).
    8 - Encontro com o Senhor nos ares e imediata instalação do Trono do Juízo Final, pois na minha visão, o milênio já ocorrera no céu, enquanto Cristo não voltava.
    9 - Nesse julgamento (que não é para investigação e sim para sentença), os justos para a vida eterna e os ímpios com Satanás e seus anjos para a destruição eterna.

    Resumidamente é dessa forma que enxergo os textos paulinos, do Sermão Profético e figuras já interpretadas do Apocalipse.

    ResponderExcluir
  30. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  31. Srs,
    Após analisar o debate, passarei às minhas impressões pessoais:
    1 - É um erro formular teorias baseando-se em parábolas, ainda mais quando aquele que as analisa se prende aos detalhes das mesmas, como, por exemplo, defender uma suposta imortalidade da alma, considerando a parábola do rico e do Lázaro.
    2 - As parábolas apresentam uma ideia central, a qual deve ser unicamente considerada, caso contrário, corre-se o risco, por exemplo, de se “cortar a mão, por ela ter sido, em algum momento, motivo de escândalo” (fato que já aconteceu com algumas pessoas por falta de luz de quem leu ou de quem as ensinou).
    3 - As Escrituras são claras em afirmar que na morte há uma completa inconsciência (Eclesiastes 9:5-6, 10) e essa verdade não pode ser contestada em qualquer outro versículo da Bíblia, por não haver duas verdades.
    4 – A morte é comparada pelo Senhor Jesus como um SONO (mais uma parábola), e, assim como no sono não há nenhuma consciência, na morte também não há. Haverá um despertamento de todos, justos e injustos, na RESSURREIÇÃO DO ÚLTIMO DIA, conforme disse o divino Mestre, onde todos comparecerão diante de um tribunal para serem julgados pelas suas obras (Se o Tribunal do ladrão da cruz foi na própria cruz eu não sei, só sei que no último dia ele despertará do sono para que se cumpra, em sua vida, a promessa do Senhor Jesus, este que é o primeiro e o derradeiro, o paraíso de Deus, a ressurreição e a vida eterna.
    5 – As Escrituras afirmam que “quem crer em Jesus passou da morte para a vida” e dormirá o sono da morte com a esperança da vida eterna, mas quem foi rebelde às boas novas, embora esteja condenado em Adão, também comparecerá diante do Tribunal para ser julgado nos parâmetros estabelecidos pela carta de Paulo aos Romanos 2:12. O mundo está condenado em Adão e até Cristo passou pela morte, mas as obras realizadas em vida por cada pessoa, serão pesadas em balança, no juízo final, tanto para justos como para injustos.
    6 – Possivelmente a teoria da imortalidade da alma não seja de Platão, mas do diabo, com origem no jardim do Éden, quando a serpente disse a Eva “certamente não morrereis”.
    7 – Há pessoas que afirmam que os justos ressuscitarão primeiro baseando-se na parábola das virgens prudentes, afirmando que as prudentes entrarão para estar com o esposo e depois de mil anos as loucas (que foram comprar azeite) baterão na porta, querendo entrar, e serão rejeitadas pelo esposo. Todavia isso me parece mais um erro de interpretação dos detalhes de uma parábola, pois contraria o dito do Senhor Jesus, que diz que haverá um momento em que TODOS ouvirão as voz do esposo e despertarão, uns para a ressurreição da vida e outros para a ressurreição da condenação.
    Obrigado.

    ResponderExcluir
  32. Caro amigo,
    Há muitos versículos bastante esclarecedores que tratam das questões em pauta:
    1 - "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27).
    Creio se tratar de um "juízo", no qual a sentença será dada às criaturas de Deus (homens e anjos), segundo as OBRAS praticadas em vida, não havendo condenações e gozos prévios, mas novas situações que ocorrerão somente após o momento da sentença, não havendo nas Escrituras (pelo menos para os homens) afirmações contrárias.
    Além disso, as afirmações desse versículo são tácitas e não oferecem suposições intermediárias, nem exclusivas (creio eu), ou seja, uma coisa vem após a outra e para TODOS.

    Outro versículo esclarecedor quanto à imortalidade das coisas criadas por Deus é o seguinte: "aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível" (1 Timóteo 6:16).
    Com isso, o dito do diabo ("certamente não morrerás") cai por terra, bem como qualquer ideia de consciência após a morte, concordando com isso a ideia de SONO apresentada nas Escrituras, tratando-se de uma comparação bastante esclarecedora, pois, no sono, além da inconsciência, há a possibilidade de se acordar, ou ser acordado.

    O homem (também chamado de alma vivente) tornou-se mortal (Salmo 8:4) e a alma que pecar, essa morrerá (Ez 18:20), cabendo aí uma série de considerações. Todavia creio que o importante é não aceitar idéias que contrariem afirmações Escriturais, trazendo "segundas verdades" ou interpretações pessoais contrárias ou parcialmente contrárias a outros pontos das Escrituras.
    Na própria ideia de SONO, já existe a possibilidade de se dizer que quem dorme possui a capacidade de "sonhar". Isso nos mostra a complexidade da mente humana.
    Fiquemos com a ideia principal dos textos e basta, pois a Palavra de Deus é infinita e a mente do homem, sob determinados aspectos, também.

    Deus abençoe.

    ResponderExcluir