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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ACEITANDO O "NÃO" COMO A VONTADE DE DEUS


Por: R. C. Sproul

Fico admirado que, à luz do claro registro bíblico, alguém tenha a audácia de sugerir que é errado para os aflitos de corpo ou alma expressar suas orações por libertação em termos como “se for a Tua vontade…”. Dizem-nos que quando a aflição vem, Deus sempre deseja cura, que Ele não tem nada a ver com sofrimento, e que tudo o que devemos fazer é invocar a resposta que desejamos pela fé. Somos exortados a invocar o sim de Deus antes de Ele falar.

Afaste-se dessas distorções da fé bíblica! Elas são concebidas na mente do Tentador, que nos seduz a trocar fé por magia. Nenhuma quantidade de palavreado piedoso pode transformar tamanha falsidade em sã doutrina. Devemos aceitar o fato de que Deus às vezes diz não. Às vezes, Ele nos chama para sofrer e morrer mesmo se quisermos reivindicar o contrário.

Nunca um homem orou de modo mais fervorosamente do que Cristo orou no Getsêmani. Quem vai declarar Jesus falhou ao orar com fé? Ele colocou o Seu pedido diante do Pai com suor como sangue: “Passe de mim este cálice.” Essa oração foi simples e sem ambiguidade – Jesus estava gritando por socorro. Ele pediu para o cálice horrivelmente amargo ser removido. Cada grama de Sua humanidade encolheu-se diante do cálice. Ele implorou ao Pai para livrá-lo de Seu dever.

Mas Deus disse não. O caminho do sofrimento era o plano do Pai. Era a vontade do Pai. A cruz não era ideia de Satanás. A paixão de Cristo não foi o resultado de eventualidade humana. Não foi o plano acidental de Caifás, Herodes, ou Pilatos. O cálice foi preparado, entregue e administrado pelo Deus Todo-Poderoso.

Jesus qualificou Sua oração: “Se for a Tua vontade….” Jesus não “tomou posse e reivindicou”. Ele conhecia o Pai bem o suficiente para entender que era provável não ser a Sua vontade remover o cálice. Então, a história não termina com as palavras “e o Pai se arrependeu do mal que Ele havia planejado, removeu o cálice, e Jesus viveu feliz para sempre”. Tais palavras beiram à blasfêmia. O evangelho não é um conto de fadas. O Pai não negociaria o cálice. Jesus foi chamado para bebê-lo todo. E Ele o aceitou. “Contudo, não se faça a Minha vontade, e sim a Tua” (Lc 22.42).

Esse “contudo” foi a oração suprema da fé. A oração da fé não é uma exigência que apresentamos para Deus. Não é a suposição de um pedido garantido. A oração autêntica da fé é aquela que é moldada na oração de Jesus. É sempre expressada em espírito de subordinação. Em todas as nossas orações, devemos deixar Deus ser Deus. Ninguém diz ao Pai o que fazer, nem mesmo o Filho. Orações são sempre solicitações feitas em humildade e submissão à vontade do Pai.

A oração da fé é uma oração de confiança. A própria essência da fé é confiança. Confiamos que Deus sabe o que é melhor. O espírito de confiança inclui uma disposição de fazer o que o Pai quer que façamos. Cristo encarnou esse tipo de confiança no Getsêmani. Embora o texto não seja explícito, é claro que Jesus saiu do jardim com a resposta do Pai à Sua declaração. Não houve maldição ou amargura. Sua comida e Sua bebida foram a vontade do Pai. Uma vez que o Pai disse não, estava feito. Jesus se preparou para a cruz.

Dia tes písteos.


Pr. Cleilson (recebido por e-mail)

3 comentários:

  1. É maravilhoso entregarmos nossas vidas nas mãos de Deus.Quando fazemos isso com confiança, até nossas orações são aceitas por ele, pois elas sempre serão cheias de humildade e submissão.Dessa forma,jamais seremos frustrados.É triste para aquele que busca a todo custo a realização de seus próprios desejos em detrimento da percepção real da vontade e proprósito de Deus.Não é em vão que exista tantos crentes decepcionados com Deus, pois passam a vida desprezando o conselho de Deus.Estejamos ciëntes e aceitemos a soberania de Deus em nossas vidas.É arrogäncia pensar que Deus sempre irá nos responder com um "sim".Ele sabe o que é melhor para nós e jamais fará tudo o que quisermos.Sejamos no mínimo inteligentes para não "quebrarmos a cara".

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  2. Excelente observação, querido Wesley. Que Deus nos livre de sermos cegos a esse ponto.

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  3. Este sentimento de aceitação provém de Deus. Pessoas que não aceitam o "não" como resposta de Deus não estão sendo movidas pelo Espírito de Cristo quando oram. Sempre que eu orei pedindo que O Senhor fizesse conforme a sua vontade, Ele me levou por caminhos maravilhosos, em situações mais difíceis, como, quando perdi meu pai, oramos para que Deus O curasse, não foi de sua vontade, mas, tenho a certeza que todas as decisões de Deus são sábias.

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