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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O FALAR EM LÍNGUAS PARA HOJE


Deixem-me abrir esse artigo de cara, informando minha posição sobre a glossolalia hoje. Sou continuacionista e que me perdoem os cessacionistas (que inclusive podem não querer ler o artigo até o fim), mas não consigo encontrar base sólida para o cessacionismo no Novo Testamento. Muito fraca a interpretação de 1Co 13 sobre "o que é perfeito" para sustentar esta posição doutrinária. O uso do texto de At 2 também não prova que a glossolalia sempre tenha que ser obrigatoriamente o falar em idiomas existentes. Claro que então foi o que aconteceu, mas não quer dizer que todos os casos o sejam.

Por outro lado, que me perdoem os pentecostais, pois não encontro base sólida nas cartas para o ensino de que falar em línguas é prova de que alguém foi batizado com o Espírito Santo, ainda que no início do derramamento do Espírito sobre a igreja acontecesse isso em alguns casos. Entretanto, isso não se aplica como doutrina da evidência do batismo no Espírito Santo.

Enquanto explico, vou tentar provar que ambas as doutrinas estão carentes de apoio escriturístico dentro de uma boa hermenêutica para serem sustentadas por seus expositores e defensores. Ora falarei do cessacionismo, ora falarei da glossolalia como evidência do batismo no Espírito.

Começando pelo livro de Atos, que não é doutrinário e sim histórico, o que encontramos no cap. 2 é uma glossolalia idiomática. O propósito do Espírito ali, além de inaugurar Sua era de atuação, como prometida por Cristo, era também anunciar o Evangelho a judeus de outras nações que estavam ali em Jerusalém por ocasião da festa de Pentecostes. Tais judeus da diáspora (dispersão) ouviam os discípulos falarem em sua língua materna. Ali havia judeus egípcios, partos, medos, elamitas, árabes, cretenses e muitos outros, que ouviam nessas mesmas línguas o Evangelho sendo anunciado pelos 120 que foram cheios do Espírito Santo naquele dia, na casa de Maria mãe de Marcos. O resultado daquilo tudo foi a conversão de 3.000 pessoas para Cristo mediante a pregação petrina. Não resta dúvida alguma (e com isso concordo com alguns teólogos) de que no Pentecostes Deus estava revertendo o quadro do que aconteceu na construção da torre de Babel. Lá e então, Deus confundiu as línguas e dividiu os povos. Aqui e agora, Deus usou as línguas divididas para unir os povos ao Seu Filho!

É correto que no caso de At 2 o batismo no Espírito Santo foi evidenciado por tais manifestações sobrenaturais, inclusive a glossolalia, mas vemos que futuramente, casos como aquele foram específicos, tiveram um propósito distinto e não se transformaram em regra fixa nem posterior para a igreja de todos os tempos.

Casos glossolálicos que se evidenciam em Atos posteriormente, aparentemente não carregam o mesmo postulado do primeiro caso em At 2. O segundo caso registrado, embora não mencione o falar em línguas, foi em Samaria (At 8), onde Filipe, o diácono, ao fugir da perseguição que se levantou em Jerusalém contra os cristãos, realizou sinais e prodígios de tal forma, que os samaritanos creram e foram batizados nas águas por ele, inclusive o mago Simão. O Espírito Santo, entretanto, não batizou aqueles samaritanos até que Pedro e João fossem lá e lhes impusessem as mãos (v. 17). Nada se diz que tais samaritanos falaram em línguas como em At 2, embora possamos subentender que houve algum tipo sim de manifestação, uma vez que o mago Simão chegou a oferecer dinheiro a Pedro e João com o interesse de obter esse poder. Qual seria o interesse do mago, se na imposição de mãos dos apóstolos nada acontecesse? Então, subentendemos que houve algum tipo de manifestação do Espírito nos samaritanos mediante a imposição de mãos dos apóstolos, embora Lucas não diga qual foi. E ainda que entendamos que houve línguas, todavia não podemos afirmar que foram semelhantes às de At 2, uma vez que em Samaria, naquele exato lugar e momento não havia estrangeiros precisando ouvir o Evangelho. Aqui já se enfraquece a base dos cessacionistas em afirmar que todos os casos glossolálicos foram idiomáticos. Veremos mais sobre isso na interpretação de 1Co 13.

Ainda em At 8, o caso do etíope eunuco enfraquece a tese dos pentecostais, pois o homem foi discipulado por Filipe, batizado nas águas e nada se diz sobre seu batismo no Espírito, nem tampouco sobre a glossolalia, o que, certamente não houve!

Na conversão de Saulo não houve o falar em línguas e, mesmo assim, ele foi cheio do Espírito Santo (At 9.17,18). Se isso não significar "batizado" no Espírito Santo, então devemos procurar na Bíblia outra referência que informe onde e quando isso aconteceu com ele, o que, definitivamente, não vamos encontrar.

O próximo caso glossolálico em Atos está no cap. 10. Durante a pregação de Pedro, o Espírito caiu sobre os ouvintes na casa de Cornélio, os quais falaram em línguas e engrandeciam a Deus (v. 46). Aqui não há necessidade de entender o falar em línguas como sendo idiomas estrangeiros, uma vez que também não havia estrangeiros ali que precisassem ouvir o Evangelho. Usar o v. 47 para tentar assemelhar o caso Cornélio com At 2 não procede, pois Pedro, em sua pergunta de retórica, apenas quer enfatizar que eles receberam o Espírito Santo como eles. A ênfase está no receber e não no advérbio comparativo. Até porque o próprio Pedro, em sua carta, reconhece a multiformidade da graça de Deus na questão carismática: "servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (1Pe 4.10 - grifo meu). Outra razão para não se entender aqui as línguas como idiomas é a forma como os dois verbos estão interligados. O que eu quero dizer é que geralmente, na construção da frase no grego, verbos, sujeitos ou adjetivos quando estão interligados diretamente pela conjunção aditiva "e" (no grego kai), elas carregam praticamente o mesmo sentido ou ideia, funcionando como sinônimos e não antítese. Um exemplo disso é quando Paulo fala das funções "pastores e mestres" em Ef 4.11. A maioria dos linguistas não vê que pastores e mestres sejam funções para pessoas distintas ou mesmo funções antitéticas, senão que são sinônimas ou complementares. Então, "pastor" não seria uma classe diferente da de "mestre", mas o pastor seria mestre (pastor-mestre). Todo pastor tem que ser mestre, embora nem todo mestre tenha que ser pastor, é o entendimento de Paulo. Outro exemplo é o caso de "apóstolos e profetas", sobre quem está edificado o fundamento da igreja (Ef 2.20). Os linguistas consideram, assim como em Ef 4.11, que aqui os apóstolos eram também profetas, pois no grego não está escrito "dos apóstolos e dos profetas", mas "dos apóstolos e profetas", mostrando que são sinônimos, não na função, claro, mas na pessoa, ou seja, duas funções na mesma pessoa - cada apóstolo era também profeta. O mesmo acontece no v. 46 de At 10. A construção grega reza: "falando em línguas e engrandecendo a Deus", o que pode significar claramente, com base nas anteriores interpretações e de acordo com os linguistas bíblicos, que os da casa de Cornélio "falavam em línguas que engrandeciam a Deus", e não "ora falavam em outros idiomas, ora engrandeciam a Deus em seu idioma". Isso prova que nem todos os casos glossolálicos em Atos são expressamente idiomáticos.

Ainda sobre a casa de Cornélio, aos pentecostais eu digo: não há base alguma que seja forte o suficiente para provar o que eles ensinam, que "o dom do Espírito" seja o batismo no Espírito acompanhado do falar em línguas em contraste com "os dons do Espírito" (onde o Espírito distribui dons como lhe apraz). Concordo que há a diferença. Realmente o dom do Espírito no singular parece referir-se ao batismo no Espírito, enquanto que os dons do Espírito, Ele os distribui como quer (1Co 12.11). Entretanto, não vejo base para que a primeira assertiva dos pentecostais seja correta, ou seja, que o batismo no Espírito tenha que ser acompanhado da glossolalia. Vou dar um exemplo: um teólogo pentecostal me disse que as línguas são a comprovação de que alguém foi batizado no Espírito Santo. Até aqui eu já conhecia o argumento e disse a ele que o dom de línguas não é para todos (1Co 12.28-30). Para minha surpresa, ele concordou e foi mais longe do que isso, me dizendo que agora que a teologia pentecostal está se desenvolvendo no estudo sobre o batismo no Espírito, o ensino funciona assim: realmente nem todos falam em línguas, pois o Espírito distribui os dons como Ele quer. Mas todos os batizados no Espírito falam em línguas, como prova do seu batismo, ainda que não falem mais posteriormente, por não terem recebido o dom de línguas. Ou seja, falaram em línguas no dia em que foram batizados no Espírito, mas nunca mais falaram, porque o Espírito não lhes concedeu o dom de línguas. Neste caso fazem a distinção entre "o dom do Espírito" (que é o batismo no Espírito Santo e as línguas como evidência) e "os dons do Espírito", onde nem todos falam em línguas, pois podem ter recebido outro dom dentre os vários que o Espírito concede.

Fiquei surpreso com a explicação, pois não a conhecia. E, de fato, os versículos que falam sobre "o dom do Espírito" (no singular), o qual os pentecostais o tem como sendo uma referência ao batismo no Espírito evidenciado pela glossolalia estão em At 2.38; 10.45 (este que estamos vendo); 19.6 e Hb 4.6 (se levarmos em conta que "dom celestial" seja o dom do Espírito Santo).

Entretanto, o "dom" do Espírito, no singular, não quer dizer outra coisa a não ser a doação que o Deus Pai e o Deus Filho fizeram do Seu Espírito aos que creram no nome de Jesus. Em outras palavras, poderíamos dizer que o "dom do" Espírito nada mais é do que "o dom, que é o Espírito". Isto é, o cumprimento da promessa de Cristo aos discípulos e aos que creem no Seu nome, que Ele enviaria o Seu Espírito. Eis aí o dom do Espírito Santo. Eis aí o cumprimento da promessa do Pai e do Filho. Seu Espírito sendo dado, o dom do Espírito! Sendo assim, "o dom do Espírito", embora possa significar o batismo no Espírito Santo, não significa necessariamente o envolvimento da glossolalia, mas apenas que aquele que creu O recebeu.

O caso dos 12 homens de Éfeso é semelhante. A diferença está nos verbos. Na casa de Cornélio, eles falaram em línguas e exaltaram a Deus, ou seja, suas línguas exaltavam a Deus. Aqui em Éfeso, eles falaram em línguas e, além disso (no grego está assim) profetizaram. Aqui, sim, há uma diferença entre os verbos. A conjunção grega kai não está ligando diretamente os dois verbos de forma sinonímica, mas a partícula te mostra algo mais, ou seja, além de falarem em línguas, os 12 de Éfeso também profetizavam. Os cessacionistas não podem afirmar que estes casos sejam de glossolalia idiomática, nem os pentecostais podem afirmar que o falar em línguas seja sempre evidência do batismo no Espírito Santo. Sobre outros méritos da questão deste assunto, recomendo o livro do Dr. Stott "Batismo e Plenitude do Espírito Santo".

Temos que ir agora para a carta aos coríntios. Até aqui ficou claro que nem todos os casos glossolálicos em Atos foram idiomáticos e também que nem todos os casos de batismo resultaram em glossolalia. Mas em 1Co 13 é onde se encontra a parte mais fraca do argumento cessacionista. O v. 10 diz assim: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado". Essa parte que diz "o que é perfeito" é considerada pelos cessacionistas como sendo o fechamento do cânon. Segundo eles, Paulo quis dizer o seguinte, que quando os livros inspirados terminassem de ter sido escritos, então a igreja não precisaria mais de línguas, profecias, dons de cura, etc.

Bem, precisamos forçar um pouco a nossa mente para ver isso no texto. Pois uma leitura natural do texto, ainda mais se formos obedecer à regra mais forte da hermenêutica, que é a lei do contexto, nos mostra que Paulo está falando da 2ª vinda. Até porque no v. 12 ele diz: "Porque agora vemos como por espelho, obscuramente, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido". Como é que podemos ver o cânon face a face? Como é que o cânon terá essa comunhão conosco de nos conhecer plenamente e nós a ele? É insustentável. Qualquer leitor desprovido de qualquer preconceito verá que esse texto fala da 2ª vinda de Jesus e não do fechamento do cânon. Todos sabem que, mesmo depois que o último livro do NT foi escrito, ainda se passaram vários anos para que a igreja reconhecesse a canonicidade dos 27 que o compõem. E o mais interessante é que os cessacionistas só creem que cessaram apenas os dons, digamos, miraculosos, mas não acham que isso aconteceu também com o conhecimento, por exemplo. Mas isso é julgar o texto com dois pesos e duas medidas, pois diz no v. 8: "O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá". Por que só cessaram as profecias e as línguas e não o conhecimento (ciência)? Não estão todos no mesmo nível? É incoerência com sua própria maneira de interpretar. Mas, se levarmos em conta que o texto está falando da 2ª vinda, então passa a fazer sentido. Pois quando Jesus voltar, tudo o que é em parte será realmente aniquilado. Tanto as profecias, quanto as línguas e também o conhecimento. Pois na Sua vinda tudo isso será fútil, uma vez que O conheceremos como Ele nos conhece!

Agora vamos ao cap. 14. Apesar da palavra grega para "línguas" ser a mesma usada em At 2, isso não significa que tenha que ter a mesma conotação. O contexto deixará claro a que tipo de línguas o autor está se referindo. Este é o caso de 1Co 14. Desde o cap. 13, Paulo está falando que há uma língua dos homens e outra dos anjos (v. 1). No grego, ali não está "homens e anjos", para serem sinônimas, mas "dos homens e dos anjos", o que mostra diferença. O v. 2 do cap. 14 encerra qualquer discussão sobre a que tipo de línguas Paulo se refere: "Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o entende; porque em espírito fala mistérios". Apesar dos cessacionistas não gostarem desta palavra, ela está no texto: "em espírito fala mistérios". É claro que Paulo está falando de línguas ininteligíveis porque ele diz que o que "fala em língua não fala aos homens, mas a Deus". Então não pode ser idioma, "pois ninguém o entende". Alguém pode dizer que não se entendia porque na igreja não havia um estrangeiro, mas a língua era realmente outro idioma. Porém, se fosse assim, Paulo os proibiria, mas não os proíbe. Apenas regulamenta. Se fosse outro idioma, então o v. 4 não faria sentido: "O que fala em língua edifica-se a si mesmo". Como edificar a si mesmo com uma língua que não se entende? Não estou discutindo aqui a importância do dom. Apenas sua existência ou continuidade. Apesar de Paulo não falar deste dom em outras cartas, contudo os coríntios ainda utilizavam este dom na sua igreja. É muito notório, pelo v. 6 que Paulo admitia a continuidade deste dom, como admitia também dos demais citados ali: revelação, ciência, profecia e doutrina. Entretanto, ele classifica as línguas como de menor importância, salvo se houver interpretação.

O argumento cessacionista de que se profecias fossem válidas deveriam ser inseridas no cânon não procede, porque Ágabo era um profeta da igreja primitiva e, no entanto, não temos nenhuma de suas profecias incluídas no cânon. E olha que ele era da igreja primitiva, quando o cânon ainda não havia sido fechado... esse argumento é "o feitiço virando contra o feiticeiro". Obviamente os pentecostais estão errados quando permitem que um profeta ou sua profecia tomem o lugar das Escrituras na igreja. Mas nada há de errado quando as profecias ou línguas são submetidas ao escrutínio do discernimento e, ao serem avaliadas por um pastor maduro nas Escrituras e na fé, sejam elas recebidas ou rejeitadas.

O medo que os cessacionistas têm de que tais dons superem as Escrituras pode até justificar sua visão doutrinária, mas esta não pode ser sustentada por interpretações forçadas. Ao invés de proibirem as línguas e profecias, poderiam fazer como Paulo, regulamentar seu uso na igreja. Pois educar não é cortar as asas e sim direcionar o voo. Dons de línguas e profecias, visões, curas, milagres e revelações não anulam o sola scriptura.

Por outro lado, os pentecostais deveriam amadurecer com relação a estes dons e não pensar que são mais especiais que os outros crentes por serem pentecostais, nem acharem que são mais espirituais por falarem em línguas, nem tampouco acusar os que não falam em línguas de não crerem no Espírito Santo e que não são batizados nEle. Isso causa divisão e antipatia no meio da igreja de Jesus.

Concordo com os cessacionistas que a Bíblia é insuperável, insubstituível e completa. Aliás, o dom de profecia hoje não significa o contrário disso, embora em muitas igrejas, infelizmente isso aconteça. Vou dar um exemplo: uma igreja pode viver toda sua vida baseada na Bíblia sem nenhuma necessidade de adicionar revelação ou profecia alguma. No entanto, se Deus quer alertar aquela igreja acerca de uma determinada situação que em breve atingirá aquela cidade, Ele pode fazê-lo através de alguém que tem o dom de profecia naquela igreja local. Tome-se como exemplo o caso de Ágabo, que profetizou à igreja que haveria grande fome naquela região, a qual sobreveio nos dias de Cláudio (At 11.28). Isso não feriu a doutrina dos apóstolos, nem tampouco entrou no cânon, a não ser como um relato histórico e não doutrinário. O que impede que o dom de profecia sirva com este mesmo propósito ou algo semelhante em nossos dias? Uma determinada pessoa que esteja passando por situações difíceis na sua vida, seja em que área for, um profeta de Deus pode receber uma revelação específica sobre aquela pessoa e confortá-la, encorajá-la pela profecia. Qual o problema? Desde que ambos sejam ensinados conforme as Escrituras, não haverá problema algum. Nem o profeta será adorado, nem Deus deixará de ser louvado, nem o pastor perderá sua credibilidade, nem o membro que recebeu a profecia será guiado por homens, nem a igreja ficará confusa e assim por diante. Assim funciona uma igreja alicerçada nas Sagradas Escrituras.

Concordo também com os cessacionistas que o derramamento do Espírito em At 2 envolveu glossolalias idiomáticas, mas não posso admitir que todos os casos assim fossem. O que não concordo é que usar textos com interpretação duvidosa ou forçada sirva de base para se ensinar o cessacionismo. Fico penalizado ao ver que tantos cessacionistas são estudiosos profundos da Palavra e ficam acuados com os exageros pentecostais, a ponto de negarem a manifestação do Espírito nos termos de línguas.

Por outro lado concordo com os pentecostais que os dons miraculosos são válidos para os nossos dias, inclusive a glossolalia, mas não posso concordar que tais dons venham reger a igreja do nosso Senhor Jesus, a qual está fundamentada na doutrina dos apóstolos e profetas (que, como já interpretei, significa "apóstolos que também eram profetas"). Não concordo também que as línguas sejam sempre a evidência do batismo no Espírito Santo, pois, como já vimos, houve casos em que isso não se evidenciou.

O que eu quero deixar claro é a minha posição quanto à glossolalia. Sou continuacionista, entretanto, não creio neste dom como sendo importante, a não ser que haja interpretação (a qual também vem do Espírito), ou a não ser que o glossolálico fale consigo mesmo e com Deus para sua edificação pessoal. Nada substitui a Palavra de Deus, mas nem por isso, fechando-se o cânon, os dons precisam cessar. Podem ser usados com inteligência e obediência aos preceitos do apóstolo Paulo. Não creio que o batismo no Espírito Santo seja uma segunda bênção a ser buscada, mas creio que o crente deve buscar a plenitude do Espírito Santo, a qual, geralmente vem acompanhada de dons espirituais, inclusive milagres. A igreja onde pastoreio tem esses dons e mesmo assim é uma igreja sola scriptura, reformada na doutrina e carismática nos dons. Ambos andando juntos sem se ferir mutuamente. E assim espero que pentecostais e tradicionais caminhem juntos sem se ferirem, apesar de suas diferenças e que todos busquemos o equilíbrio entre o poder do Espírito e o conhecimento e submissão à Palavra.

Dia tes písteos.

Pr. Cleilson

4 comentários:

  1. Gostei demais do artigo. Sou a favor da existencia do dom, mas também sou ciente de que nem todo mundo deva recebe-lo. Sou TOTALMENTE contrario ao movimento pentecostal e postmodernista que mostra ou prega que se o individuo nao fala em linguas nao tem o Espirito Santo, pois estao totalmente errados. Sou totalmente contra A PALHACADA de ouvir pessoas falando "em linguas", "canelhinhas de fogo" e gritaria tentando mostrar as pessoas que eles sao espirituais, quando sao mais carnais que muita gente que nem conhece o evangelho. PARABENS meu amigo Pr Cleilson pelo artigo. E continuamos acompanhando o seu blog desde a Colombia!! DIOS TE BENDIGA!! Abracos! Pr. Mauricio Hernandez

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  2. É muito triste ver este desequilíbrio no meio da igreja, eu sou amante dos Dons e tenho sido muito edificada, mas fico revoltada com crentes que, por sinal são muitos, que usam o dom para seus próprios benefícios, mentindo e enganando as pessoas, fico mais triste ainda quando vejo dentro das igrejas os dons tomarem o lugar da Palavra de Deus. Quanto as línguas como evidência do Batismo no Espírito Santo além dos textos citados aqui, tem um que para mim bastaria, é o que está registrado em Jo cap.7 v 38. Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, rios d'água viva correrão do seu ventre., e o mais legal é que não precisa de "sensus plenius", ninguém pode dizer que estes rios seriam manifestações de Linguas ou qualquer outro dom, pois o v 39 interpreta o 38, e isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem.

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  3. Sou da mesma linha de interpretação que o sr pastor cleílson expos.Depois que li o livro citado pelo sr "Batismo e Plenitude do Espírito" de John Stott, compreendi muitas coisas a respeito desse assunto.A compreensão correta do texto bíblico se dá por meio do uso das ferramentas da hermenêutica como o sr fez, e muito bem.Devemos olhar para a bíblia com as lentes da humildade e nunca com pré-conceitos, pois sempre iremos tirar do texto aquilo que não existe ou vamos acrescentar algo de nosso interesse.Infelizmente os pentecostais e cessassionistas tomam essa direção.Contudo, o mais importante é vivermos em união como corpo de Cristo que somos."Naquilo que não é essencial, que aja liberdade, naquilo que é essencial, que aja unidade, mas em todas as coisas que aja amor" (John Stott - Cristianismo Equilibrado)

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  4. É pessoal...
    Esta foi mais uma mensagem esclarecedora. Assim como os médicos receitam aos pacientes doses precisas de remédios, precisamos também, nos dosar em equilíbrio, sem sufocar a manifestação do Espírito Santo e sem deixar de aprofundar no conhecimento da palavra de Deus.
    Agora que estamos lúcidos quanto ao assunto, devemos deixar que o Espírito de Deus cumpra a sua vontade em nossas vidas, de forma que tenhamos o verdadeiro discernimento de sua manifestação, tanto em nós, quanto em nossos irmãos.

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