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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O LIVRE-ARBÍTRIO DE ADÃO


Um dos temas mais controversos acerca do livre-arbítrio para alguns cristãos é o livre-arbítrio de Adão. Talvez os arminianos não tenham esse problema, uma vez que para eles todos os seres humanos, não só Adão, têm livre-arbítrio. Claro que eles têm problema, porque não podem provar que todos os seres humanos têm de fato o livre-arbítrio. Eu me refiro à questão de responder sobre o livre-arbítrio de Adão. Já que para eles todos seres humanos têm livre-arbítrio, então para eles fica óbvio que Adão também teve.

Já para os calvinistas, o fato de Adão ter ou não o livre-arbítrio não justifica essa posição de que todos os demais seres humanos o tenham. Isso porque, se Adão teve, então só ele teve, mais ninguém. Faço uns quadros logo abaixo para mostrar como isso funciona (supondo que Adão tivesse livre-arbítrio):

Adão criado com livre-arbítrio para escolher o bem ou o mal
Adão escolheu o mal em vez do bem, já perdeu o
livre-arbítrio
Toda raça humana, tanto eleitos como réprobos,
nasce no mundo mal que Adão escolheu, portanto,
ninguém tem livre-arbítrio
Cristo vem ao mundo (sem livre-arbítrio). Ele só
pode fazer o bem, porque é Deus - não tem a
natureza de Adão, portanto, não pode pecar
Cristo, na cruz, submete-se ao pecado, sofre a ira de Deus
para pagar a dívida daqueles a quem Deus elegeu
para a salvação, isto é, Ele vai lá no mundo do mal
Cristo nos transporta "do império das trevas" - não é
decisão humana e sim divina. Ele não nos convida,
Ele nos transporta
O fato de estarmos em Cristo (ou conforme a ilustração acima, no "mundo do bem") não quer dizer que não pecamos mais. Quando pecamos é por causa da força externa do pecado que habita em nossa carne (Rm 7.23); quando vencemos o pecado é por causa da força do Espírito que habita em nós (Rm 8.13). Sendo assim, de nenhum modo temos o livre-arbítrio. Nessa ilustração, apenas Adão teve o livre-arbítrio. Ao escolher o "mundo do mal", fica sem o livre-arbítrio e seus descendentes também não têm o livre-arbítrio, porque ninguém nasce no mundo em que Adão foi criado. Todos nascemos no "mundo do mal" que ele escolheu por nós e nós escolhemos nele.

Quando Cristo vem, Ele vem para livrar os eleitos do "mundo do mal" ("O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" - Lc 19.10). Os salvos não vêm a Cristo por seu livre-arbítrio, pois não possuem condições de sair do "império das trevas para o reino do Filho do Seu amor" (Cl 1.13). Eles vêm transportados por Cristo porque são eleitos, não podem ficar lá.

Esta é a explicação calvinista para mostrar que nenhum de nós, exceto Adão, tem livre-arbítrio. Esta posição é bem semelhante à de Agostinho que fez um quadro para mostrar o livre-arbítrio de Adão antes e depois da queda, dos salvos e dos perdidos, bem como dos salvos depois da glorificação. Veja o quadro abaixo.



Já os chamados "hipercalvinistas" ou calvinistas "extremados" dão outra explicação sobre o assunto.

É dito que nem mesmo Adão teve livre-arbítrio. Isto por algumas razões.

1) Quando Eva comeu a fruta, ela não comeu livremente, ou seja, sem que houvesse qualquer motivação externa para isso. Ela comeu porque "viu", "se agradou" e "desejou" (Gn 3.6). Essas motivações anulam a possibilidade de haver algum livre-arbítrio aqui. Pois o que é livre-arbítrio? É a capacidade de escolha sem qualquer influência externa. Mas não é isso que o texto bíblico afirma sobre a decisão de Eva.

2) Outro argumento dos hipercalvinistas é o seguinte: Adão pecar não era uma mera possibilidade, mas um fato inescapável, tanto é que tal fato aconteceu. Se ele aconteceu não é porque estava "previsto" ou "possível", mas que estava "determinado". Sendo assim, não vemos nenhum livre-arbítrio aqui.

3) Outra razão que mostra que Deus já tinha o propósito de que Adão pecasse é que Deus não o criou com um corpo glorificado. Se Deus quisesse mesmo que Adão não pecasse, então que o criasse com corpo de glória e o pecado jamais aconteceria. No entanto, não foi assim que Deus o fizera. Criou o homem com o corpo sujeito ao pecado. Tanto é que assim que Adão pecou, seu corpo começou a morrer (heb. "morrendo, morrerás"). Se fosse glorificado ele nem pecaria, porque não poderia ser "desglorificado"...

Sendo assim, não há nenhuma razão para crermos no ensino do livre-arbítrio a partir do suposto livre-arbítrio de Adão. Pois de qualquer forma, os dois argumentos acima, tanto dos calvinistas moderados, como dos extremados respondem satisfatória e biblicamente que os seres humanos não têm livre-arbítrio.

Você, que é calvinista, pode escolher entre esses dois argumentos acima e de qualquer maneira se livrará da teoria arminiana de que todos os homens têm livre-arbítrio, partindo do princípio de Adão.

Dia tes písteos.

Pr. Cleilson

Um comentário:

  1. bom dia, graça e paz!
    muito boa a sua colocação. até hoje,essa foi a melhor explicação sobre o assunto que eu já lí. e espero que seja a derradeira.(risos).

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