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sábado, 11 de janeiro de 2014

"PARA QUE VADES E DEIS FRUTO" - O SIGNIFICADO DO FRUTO DE JOÃO 15


Já conhecemos essa chamada parábola, que na verdade é uma alegoria. A alegoria da "videira verdadeira" em João 15. A principal diferença entre parábola e alegoria é que na parábola existe apenas um ponto central e todas as demais informações apenas preenchem seu significado. Já na alegoria, cada elemento tem seu significado individual, de modo que o todo ganha sentido quando isto é considerado.

A questão principal deste artigo é focada mais especificamente no v. 16, que diz: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda". Sublinhamos a parte que nos importa comentar por ora. Que fruto é esse para o qual Jesus nos designou? Que fruto temos que dar? De antemão informo aos leitores que Jesus não está falando de "ganhar almas", como a maioria das pregações nos dizem. Vejamos:

Desde o início do capítulo, Jesus vem falando disso, de dar fruto. Observemos o andamento do texto: o ramo que está em Cristo tem que dar fruto, caso contrário, será cortado (no grego, "tirado" - v. 2). A seguir, Ele fala da importância de se permanecer nEle para a produção do fruto (vs. 4,5): não se pode dar fruto se não permanecer nEle. Observe que em todo o texto, a palavra "fruto" está sempre no singular, o que nos leva a pensar no "fruto" do Espírito (Gl 5.22).

Para fortalecer essa interpretação temos o v. 7: "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito". Continuamos entendendo que o fruto é o fruto do Espírito e não ganhar almas, pois afinal, o que tem a ver ganhar almas com nossos pedidos serem atendidos? Porém, quando frutificamos no fruto do Espírito, nossos pedidos serão atendidos, pois nos identificamos com o caráter de Cristo, pediremos como Cristo (aliás, isto é o que significa pedir em nome dEle - pedir como se fosse Cristo pedindo...).

No v. 8 aprendemos que o Pai é glorificado quando damos fruto. Não resta dúvida de que o Pai realmente é glorificado quando vidas se entregam a Seu Filho; mas o texto se ajusta mais corretamente ao fruto do Espírito quando lemos a parte final deste v. 8: "E assim vos tornareis meus discípulos". Ninguém se torna discípulo de Jesus por ganhar almas, mas se torna discípulo de Jesus pelo fruto do Espírito - o cristão se assemelha cada vez mais a Jesus.

Agora, no v. 9, Jesus revela o que é esse fruto - o amor! "Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor". Isso é dar fruto! Alguns estudiosos da língua grega entendem que em Gálatas 5.22 não há o sinal de pontuação que corresponde aos "dois pontos" na língua portuguesa. Na nossa versão está escrito: "Mas o fruto do Espírito é: (dois pontos) amor, alegria, etc.". Não. No original está escrito assim: "Mas o fruto do Espírito é amor". As demais características estão atreladas ao fruto do Espírito que é o amor. Concorda com o apóstolo Paulo quando escreve aos coríntios, o famoso capítulo do amor (1Co 13). Paulo está se referindo ao fruto do Espírito! Àquilo que nos faz parecer com Jesus!

Observe que depois que Jesus explica isso para os discípulos, Ele fala acerca de uma característica do amor, que é obediência (v. 10) - "Se guardardes meus mandamentos, permanecereis no meu amor"... Fala ainda de outra característica do fruto do Espírito, que é a alegria, o gozo (v. 11) - "Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo". Perceba que Jesus está se referindo ao mesmo fruto que Ele vem falando desde os primeiros versículos, mas agora explicado mais claramente (v. 12) - "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei". Eis aí o fruto que devemos dar, o fruto para o qual fomos designados e escolhidos por Jesus para produzir.

Os vs. 13-15 Jesus exemplifica como deve ser esse amor. É um amor eletivo. Ele deu Sua vida em favor dos Seus amigos. Alguém perguntaria: "Senhor, quem são Teus amigos?" A resposta vem no v. 14 - os que fazem o que Eu lhes ordeno!

Agora ligue o v. 16 ao 17. "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando, que vos ameis uns aos outros". Quem tem o amor de Deus em sua vida, pedirá e o Pai lhe concederá, pois pedirá em nome de Jesus, ou seja, pedirá como se fosse Jesus, pedirá como o próprio Jesus pediria! 

Não fica bem claro agora, que Jesus não está falando de evangelização? Agora fica evidente que Ele está falando do fruto do Espírito, que é a maior virtude cristã, a saber, o amor!

Irmãos, não tenho dito estas coisas para negar o mandamento da evangelização. De maneira alguma. Há outros textos no NT que nos ordenam à prática da mesma. No entanto, achei necessário escrever-lhes acerca deste texto, pois ele tem sido torcido por muitos, não somente por ignorância, mas alguns no intuito de colocarem um peso nos ombros dos ouvintes, dizendo que eles têm que dar fruto ("ganhar almas") e esse fruto tem que permanecer (as pessoas ganhas para Jesus não podem se desviar)... Quanto tormento! Ficarmos implorando a Deus e aos que conduzimos a Jesus para que não sejam afastados da igreja... Se isso acontecer, nosso fruto não permaneceu... Isso é um tormento, um fardo desnecessário e desonesto!

O que Jesus aqui nos ordena é que sejamos discípulos parecidos com Ele, cheios do fruto do Espírito. Isso sim, tem que permanecer, caso contrário, nunca nos convertemos! Temos que evangelizar sim, mas com amor! Ganhar almas não é com a gente, é com o Espírito que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo! Nossa obrigação é pregar o Evangelho, mas quem ganha almas é o Espírito Santo! Porém aqui em João 15, Jesus não está falando disso. Ele diz que sejamos cheios do fruto do Espírito.

Dia tes písteos.

Pr. Cleilson

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