quarta-feira, 2 de abril de 2025

A VIDA EM FAMÍLIA - PARTE 03



Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como convém no Senhor” (Cl 3.18).

 

Célula é a menor parte funcional do corpo de um ser vivo. Chama-se célula a unidade de estrutura de um ser. Assim, um famoso jurista brasileiro chamou a família, de “célula mater da sociedade”. Para que qualquer estrutura funcione bem, ela precisa ter ordem, é necessário ter organização. Antes de falarmos da sociedade como um conjunto, precisamos olhar para a família, como a célula, a menor parte funcional da sociedade. É dali que a sociedade brota.

Assim como a sociedade mais ampla precisa de ordem, de estrutura, de hierarquias, de sujeição e autoridade, assim principalmente, a sociedade mater que é a família. Sem essa organização, nada pode subsistir, especialmente uma família. A estrutura da família é uma maquete da estrutura da sociedade. A sociedade mais ampla está em colapso porque as famílias estão em colapso. A sociedade destrói a família porque a família formou mal esta mesma sociedade que hoje a destrói.

E sobre a estrutura familiar, Deus começa em Sua Palavra falando aos crentes, justamente sobre a parte que deve submissão, a parte da esposa. Se não houver submissão, não haverá ordem, então a família estará em colapso, o que leva a sociedade a ser formada sem estrutura e mais tarde ela se voltará contra as famílias. Veja, se você se insurge contra seu chefe, você é despedida, se você se volta contra a ordem, a polícia te prende, e assim por diante. O que seria de uma sociedade sem submissão e autoridade? Assim também com a família.

Poderíamos falar dos vários motivos por que as mulheres odeiam ser submissas. Mas não somos mundanos, não iremos falar sobre isso. O que deveria nos espantar é por que as mulheres crentes também odeiam isso! Se a Palavra diz para que você seja submissa a seu esposo e você sabia disso desde sua infância e era contra, então por que se casou? Para afrontar a Bíblia? Não é ela sua regra de pensamento? Ainda mais, se você sempre foi contra a submissão, então por que você diz que é crente? Uma mulher que é contra o que diz a Palavra de Deus é suficientemente ofensora para apontar o dedo na face de Deus e Lhe dizer que está errado!

Se você responde que isso era para a época da Bíblia, então você não entendeu justamente que a Bíblia atravessa as eras, por isso que ela está intacta até hoje. Os céus e a terra passam, menos as palavras do Senhor! Se você diz que não concorda com a Bíblia, então você ultraja a Deus com sua arrogância maligna! Se você diz que concorda com a Palavra, que a aceita, mas não consegue, então você está dizendo que não nasceu de novo. Se você diz que aceita outras partes, mas não essa, então você está se colocando como juíza e a Bíblia como ré. Agora se diz que luta por isso, porque sabe que a Palavra é o ideal da glória de Deus, então, mesmo que às vezes consiga e às vezes não, então você é filha de Deus e está no caminho certo.

A submissão, mulheres, é tão gloriosa, que, na Trindade, ela representa a sujeição do Deus Filho ao Deus Pai! Isso é maravilhoso, você poder imitar a Cristo no seu relacionamento de casada! No plano eclesiológico, a mulher representa a submissão da igreja a Cristo e isso também deve lhe causar alegria! Nenhuma estrutura, seja social, política, empresarial, sobrevive sem submissão e autoridade. Aliás, elas imitam o que Deus ordenou para o casamento. Por isso muitas empresas sobrevivem e muitos casamentos não.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 1 de abril de 2025

A VIDA EM FAMÍLIA - PARTE 02

 


Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27).


O princípio para uma vida a dois é o mesmo princípio para uma vida de solteiro, ou seja, a glória de Deus. Assim como o solteiro deve refletir a glória de Deus em sua vida sem união conjugal, assim os casados devem viver para a glória de Deus em sua vida de casal. Quando um casal cristão se une em matrimônio, ambos devem pensar como cristãos e não como o mundo. E devem manter seu pensamento cristão durante toda sua vida e não somente nos primeiros dias.

O maior erro de um casal cristão é olhar para seu casamento como o mundo olha. Isso acontece de diversas formas. São muitas as maneiras de se desagradar a Deus. Quando o casal disputa o poder na relação, quando pensa que beleza física mantém o casamento, quando briga por causa de dinheiro, quando permite a entrada de relações pecaminosas em seu leito, quando vive independente um do outro, quando cada qual diz que tem seu salário e vai usar como quiser, quando eles desautorizam um ao outro na frente do filho, quando se esfriam na relação sexual e assim por diante. Não dá para enumerar.

Antes, o casal cristão deveria seguir um único padrão para seu casamento, que é o padrão de toda sua vida, para todas as coisas, a Bíblia Sagrada. Quando você aceita apenas uma parte da Bíblia (em geral a que lhe é mais conveniente), então você não glorifica a Deus. Você tenta, na verdade, humilhá-lo, dizendo em outras palavras que você sabe o que é melhor para seu relacionamento e não Deus, que você sabe mais do que aquilo que Ele revelou em Sua Palavra! Isso é arrogância maior que a do mundo!

O casal cristão que vive para glorificar a Deus não busca sua felicidade e paz no seu casamento, antes, ele continua feliz e em paz com Deus. Se você busca felicidade e paz no seu casamento, então este não passa de um ídolo, no qual você tenta encontrar a razão de sua vida, ao invés de ter isso em Deus. Seu casamento, assim, passa a ser um concorrente de Deus. O resultado é frustração, como todo ídolo frustra mesmo.

Você não se casa para ser feliz nem tampouco para fazer o outro feliz. Ambos, se são cristãos, já devem ser felizes em Cristo antes de se casar. Quando se casam, apenas se juntam duas pessoas felizes e em paz com Deus para compartilhar mais intimamente sua felicidade. Quem busca paz e felicidade no casamento é um idólatra e quem acha que vai fazer o outro feliz é um usurpador da divindade, visto que somente Deus pode fazer alguém feliz.

Não resta a menor dúvida sobre a destruição dos relacionamentos. Houve procura por coisas que o mundo ensina e não um objetivo de refletir a glória de Deus. Quando um casal cristão deseja mesmo a glória de Deus e não seu pensamento mundano, não há o que possa destruir seu relacionamento. Se houver acertos, Deus é glorificado; se houver erros, haverá perdão e Deus será glorificado também.

Mas quando se vive para sua própria glória, então, os acertos servirão para exaltar um e, quando houver erros, servirão para humilhar o outro. Em todo caso, a glória de Deus está sendo roubada e o casamento não subsistirá.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 31 de março de 2025

A VIDA EM FAMÍLIA - PARTE 01

 


Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para aceitar este ensinamento, mas apenas aqueles a quem isso é dado” (Mt 19.11).


Nossa mente humana, finita e pecaminosa, tem a tendência de configurar todo o objetivo final de qualquer coisa para os limites do mundo caído em que vivemos. E não é diferente com o objetivo final da vida em família, a qual passaremos a meditar a partir de hoje, claro que não com riquezas de detalhes, pois não dispomos de tempo relativo a isso em devocionais.

Porém, quando Cristo nos redimiu, o propósito foi convergir todas as coisas, sejam as aparentemente mais insignificantes, sejam as aparentemente mais relevantes, todas elas, para a glória de Deus. E assim também para com a vida em família. Para que isso venha permear a nossa mente, nós crentes precisamos entender algumas coisas antes de falarmos sobre alguns detalhes da vida em família.

Primeiro, vida em família nem sempre quer dizer casamento. Quando se fala em encontro de casais e coisas do gênero, os solteiros ficam de fora, como se não pudessem saber das coisas que acontecem entre um casal, como se não tivessem visto o bastante entre seus pais, como se não soubessem de como deve ser o trato para com uma mulher ou para com um homem, como se fossem proibidos até o último instante de saber sobre os encontros e desencontros antes de entrar em um relacionamento nupcial.

Sobre esse sentido, devo salientar que um solteiro é tão redimido quanto um casado. Não há nada de especial em uma pessoa casada que rebaixe o solteiro a uma condição inferior. Precisamos entender que o celibato é um dom de Deus, assim como o casamento (1Co 7.7). Deus chamou para a Sua obra pessoas casadas, pessoas solteiras que vão se casar e outras que não vão. Piadinhas sobre alguém solteiro são pecaminosas e zombam, não da pessoa, mas de Deus, que estabeleceu a hora certa daquela pessoa se casar, ou que não vai se casar, e ambas as coisas para a Sua glória! Certamente, deboche da glória de Deus é pecado!

De acordo com Paulo, em relação ao reino de Deus, o solteiro, ao contrário, possui mais vantagens do que o casado. Ele diz: “Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor. Mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido” (1Co 7.32-34). O v. 29 mostra que a urgência de Paulo falava mais alto do que um estado civil – “o tempo se abrevia”, dizia o apóstolo.

Sobre esse assunto, posso concluir, dizendo aos solteiros, tanto os que hão de se casar, quanto àqueles que vão permanecer no estado celibatário: você está solteiro, não porque não encontrou alguém especial (só tem um Alguém especial e é Ele quem te encontra). Você está solteiro porque Deus estabeleceu um tempo para sua vida acerca disso. Portanto, prepare-se para glorificar a Deus com sua solteirice! Não perca tempo procurando alguém especial – invista tempo e esforço para que Deus seja glorificado com sua vida sem casamento. Quando se casar, lembre-se de continuar glorificando a Deus, porém de outra forma que antes.

Aos que permanecerão solteiros, levem suas zombarias para os pés da cruz. Não se dê por humilhado, antes receba o celibato como dom de Deus. Jesus disse: “há outros que se fizeram eunucos, por causa do Reino dos Céus. Quem é apto para aceitar isto, que aceite” (Mt 19.12).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

domingo, 30 de março de 2025

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0550 - O PRIMEIRO E GRANDE PASSO PARA A VIDA ETERNA

 


Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38).


Geralmente os pregadores, ao final de suas mensagens, costumam chamar os ouvintes para tomarem uma decisão por Cristo e dizem: “Dê um passo para Cristo e Ele cuidará do resto”. Acredito que convidar uma pessoa para vir a Cristo não seja errado. Sei que há muitos pregadores que são contra o “apelo” que é feito no final dos sermões. Não há nenhum problema em se fazer apelo. Afinal, toda mensagem de Jesus e dos apóstolos terminava com um apelo.

A questão é que muitos mal-entendidos surgem a partir daí. Alguns que são contra a prática de convidar os pecadores para Cristo, são contra, apenas porque quem começou com isso foi um pregador de uma visão teológica diferente da sua, essas coisas, como que para não ficar parecido com alguém com quem você não compartilha sua teologia. Por outro lado, muitos que fazem os apelos para as decisões a Cristo o fazem de tal forma que se torna constrangedor para o convite. Algo que deveria ser suave ou sério torna-se em verdadeiras apelações e ameaças e, outras vezes, em piada e brincadeira.

Duas coisas são absolutamente certas pela Palavra. Primeiro, que o homem não tem condição de dar o primeiro passo para Cristo. A Bíblia é clara quando diz que o pecador está morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Um morto não pode se mover, quanto mais dar um passo. Segundo, que os pregadores não sabem se, no momento de sua mensagem, o Espírito Santo já despertou algum ouvinte dentre os mortos espirituais e ele precisa agora ser chamado pelo pregador para fazer sua confissão do senhorio absoluto de Cristo perante a congregação.

Portanto, quando eu chamo um pecador para que se converta publicamente, estou apenas concedendo que se manifeste publicamente aquilo que o Espírito porventura já tenha feito silenciosamente no coração dele. Lembrando que converter é “arrepender-se e crer”, é a soma do arrependimento de pecados e a fé em Cristo. Pedro, ao terminar sua pregação no dia de Pentecostes, concitou os ouvintes a crerem em Cristo e se arrependerem (At 2.21,38). Certo é que eles, sendo tão compungidos pela Palavra, perguntaram o que deviam fazer (v. 37). Mas convidá-los ao arrependimento foi um ato de apelo, o que, em seu resultado, glorificou a Deus!

Porém, o primeiro e maior passo não é do homem para Cristo; não é da terra para o céu; ao contrário, foi de Cristo para o homem, do céu para a terra! Quando Ele deixou Sua glória e veio a este mundo, aí foi o primeiro e grande passo para a vida eterna. Se não fosse esse passo de Jesus em nossa direção, permaneceríamos em nossos pecados e dali jamais poderíamos sair, perecendo eternamente!

Quando chamar alguém à conversão, certifique-se de que você pregou de fato o evangelho. Contar testemunho, falar das grandezas de Deus, não é pregar o evangelho. Pregar o evangelho é falar à mente e ao coração do ouvinte sobre sua responsabilidade de se arrepender dos pecados e crer em Jesus como Salvador e lhe dar as boas-novas de que o grande passo foi dado por Cristo, do céu para a terra, de Deus para o pecador!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 27 de março de 2025

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0549 - DA BOCA DAS CRIANÇAS NÃO VEM O PERFEITO LOUVOR!

 


Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres calar o inimigo e vingativo” (Sl 8.2).


É muito comum ouvirmos dizer que “da boca das crianças vem o perfeito louvor”, como se as crianças fossem puras, inocentes e, por isso, Deus as considerasse como um exemplo de adoração a ser seguido pelos adultos. Todavia, o texto que lemos não afirma isso em hipótese alguma.

Em primeiro lugar, as crianças também são pecadoras. O próprio salmista que escreveu o Salmo 8, também diz em outro salmo que “em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu a minha mãe” (51.5), testificando assim, o pecado original, a corrupção que todos nós herdamos em Adão.

Segundo, porque o balbucio que sai da boca de uma criança não tem nada de inteligente ou de consciente para reconhecer aquilo que é próprio de Deus. No v. 1, por exemplo, o salmista diz: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus”. Uma criança jamais saberia adorar o Senhor reconhecendo e admirando o Seu nome. Nós mesmos, adultos, deixamos escapar que o primeiro SENHOR está todo maiúsculo (referindo-se a Yahweh, o nome de Deus) e o segundo Senhor só com a primeira letra maiúscula (referindo-se a Adonai), imagine se uma criança iria reparar sobre isso e seu significado...

O que Davi está dizendo então? É que Deus usa os fracos e indefesos para executar Suas maravilhas, destruindo os ímpios, seus inimigos. Veja se não é isso que diz o v. 2... Ele diz que Deus levanta força da boca de uma criança que mama para fazer calar o inimigo! Sim, Deus é esplêndido e, de tal forma gigantesco, que põe Sua glória acima nos céus (v. 1), mas também é tão poderoso que, por meio de um gemido de um recém-nascido, faz correr o inimigo e, assim, traz glória para Seu nome! Não é sobre as crianças, mas sobre o SENHOR!

Foi assim que Ele fez, usando um senhor de 80 anos, sozinho, para livrar Israel da escravidão egípcia depois de tantos séculos! Foi assim que Ele usou um juiz que, sozinho, desbaratava os filisteus, com sua força bruta! Foi assim que Ele usou um profeta sozinho, que, ao pregar a destruição, converteu uma capital, com 120 mil habitantes! Isso é como usar o soluço de uma criança para glorificar Seu nome, destruindo os Seus inimigos.

Jesus, quando entrou triunfalmente em Jerusalém, montado sobre um jumentinho, foi interpelado pelos circunstantes, que ouviam as crianças cantarem “Hosana”: “Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? (Mt 21.16).

Jesus, usando a versão da Septuaginta, disse àqueles sacerdotes que o grito de “Hosana ao filho de Davi” que saía da boca daquelas crianças (Hosana quer dizer: “salva-nos, Senhor”) era o sinal de que logo mais tarde, ali na cruz do Calvário, o Filho de Deus iria desbaratar todos os inimigos de Deus: o diabo, a morte, o inferno, o mundo e o pecado... iria colocá-los debaixo dos Seus pés e realmente salvar os oprimidos. Assim, a glória será para sempre dEle e não das crianças!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 26 de março de 2025

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0548 - AS FRANJAS NAS TÚNICAS E A OBEDIÊNCIA

 


E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes que nas bordas das suas vestes façam franjas, pelas suas gerações; e nas franjas das bordas porão um cordão azul” (Nm 15.37,38).


Deus sempre Se utilizou de elementos visíveis para chamar a atenção do Seu povo para o significado de tais elementos. Tem sido assim até hoje, por exemplo, com a ceia do Senhor. O pão e o vinho são elementos visíveis que chamam a atenção dos nossos olhos para nos lembrarmos daquilo que eles simbolizam. Deus sabe da fragilidade da nossa memória, o quão curtos nós somos em guardar e valorizar os sentidos espirituais, por isso nos supre de elementos visíveis para nos trazer aos significados espirituais que eles carregam, para que sejamos santos.

Na antiga aliança era muito mais do que atualmente. Neste exemplo que lemos, encontramos que Deus ordenou aos israelitas que fizessem franjas nas bordas de suas túnicas por gerações. Tais franjas eram parecidas com pétalas e o cordão azul que as prendia, lembrava aos filhos de Israel de sua ocupação celestial, eles eram o povo escolhido de Deus e seu Deus tinha uma lei à qual eles deveriam obedecer.

É isso que lemos no v. 39 sobre a razão destas franjas na orla de suas vestes. Deus tem uma razão positiva e uma negativa para essas franjas: a positiva era “para que o vejais, e vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os façais” e a negativa: “não seguireis após o vosso coração, nem após os vossos olhos”. Observe bem esse contraste: toda vez que nos esquecemos da Palavra de Deus, logo o que entra em seu lugar são as intenções do nosso coração e os desejos dos nossos olhos. Que perigo isso!

Tanto é que Deus diz sobre os olhos: “após os quais andais adulterando”! Os olhos do ser humano são como foices que abrem caminho para o pecado na densa floresta da escuridão. Nosso coração tem aparência de piedade, mas Deus dá o seu diagnóstico: ele é enganoso e perverso (Jr 17.9). Nossos desejos são capazes de adulterar a própria Palavra de Deus, substituindo-a por conceitos pessoais e convenientes aos nossos caprichos.

Jesus também usou túnicas com franjas em suas orlas (Mt 9.20; 14.36). Pessoas que tocavam nelas eram curadas. Porém, não era ostentação como os fariseus que, inclusive, alongavam suas franjas para serem vistos pelos demais como os únicos que guardavam a lei (Mt 23.5). Jesus sim, era o único que podia honrar esses enfeites em Suas vestes, pois foi o único a guardar toda a lei de Deus sem quebrá-la em qualquer ponto!

No dia de Sua crucificação, os guardas não quiseram cortar a túnica de Jesus por ser ela fabricada inteiriça, sem costura (Jo 19.23,24). Lançaram sortes para ver qual deles ficaria com ela. No entanto, nenhum efeito ela teve sobre eles. Apenas os que recebem a Cristo pela fé, a estes sim, lhes são atribuídas as vestes de Cristo, vestes de justiça, para que sejam recebidos por Deus, o Pai, como se tivessem também obedecido toda a lei, pois Cristo a cumpriu totalmente em seu lugar.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0547 - COMO SABER A VERDADE SOBRE TUDO

 


O malfeitor dá atenção aos lábios iníquos; o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna” (Pv 17.4 – NAA).


A parceria da iniquidade é, por vezes, mais bem estabelecida do que a união dos bons. Vemos isso na política, onde os destruidores se unem para o mal muito mais do que os que realmente têm algum interesse nobre; vemos isso no submundo do crime, onde a organização criminosa é chamada assim mais por causa de sua organização mesmo do que por outro motivo; infelizmente, vemos isso também nas seitas e heresias, que se unem para mentir sobre a Bíblia mais do que os verdadeiros pregadores se unem para combatê-las.

Foi assim desde a torre de Babel, quando “o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que planejam fazer” (Gn 11.6). É claro que o contexto ali não está se referindo à unidade do povo, mas em sua unidade linguística, como podemos bem observar. Mas isso é um estilo de vida dos ímpios. Eles são avessos à verdade e ao bem, mas são unidos em sua maldade.

O próprio Jesus disse que o reino de Satanás não se desfaz, justamente porque o reino dele não é dividido (Mc 3.24-26). Os ímpios são dessa maneira. Porém, os crentes, não deveriam também fazer o processo reverso? Não deveriam os imitadores de Cristo dar atenção à Palavra de Deus? Enquanto os malfeitores dão ouvidos a lábios iníquos, os crentes deveriam dar ouvidos aos sábios critérios da Palavra. Entretanto, o que vemos é divisão demais, discórdia demais, desentendimento e, por fim, o relativismo, onde cada qual alega ter sua própria verdade.

Voltaire, um filósofo dos séculos XVII e XVIII, dizia, zombando dos cristãos, que aquilo que mais deveria uni-los era o que mais os dividia (referindo-se às diversas interpretações protestantes sobre a ceia do Senhor). De fato, observe que as seitas dizem a mesma coisa, a mesma linguagem no mundo inteiro; nenhuma ou poucas são as suas divergências. Entretanto, não é assim entre os que anunciam a verdade.

Certamente não é a maioria que estará correta sobre suas convicções acerca de Deus e, consequentemente, do mundo onde vivemos. Como a maioria dá ouvidos aos lábios iníquos e às línguas malignas, tal maioria jamais terá um entendimento correto sobre Deus. Não tendo um entendimento correto sobre Deus, é impossível que a maioria que se inclina para a mentira tenha uma ideia correta sobre o mundo. Ou seja, sua cosmovisão é corrompida como sua visão.

Apenas aqueles que se inclinam para a verdade da Escritura é que podem ter uma visão correta sobre Deus, sobre si mesmo e sobre o mundo em que vivemos. Pois, quando nosso entendimento sobre Deus for ajustado por Sua revelação, é que teremos assim uma visão clara sobre as demais coisas que procederam de Deus, de Suas palavras, de Suas obras e de Seus decretos. Enfim, só quem tem a mente de Cristo poderá saber a verdade sobre a totalidade das coisas.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson