“Porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29).
O contexto deste versículo, por incrível que pareça, está dentro do assunto da graça! As pessoas banalizaram tanto a graça de Deus, que não conseguem imaginar, na era da graça, um Deus que seja fogo consumidor. O pensamento popular é de um Deus brando, suave e só. Causa aversão à mente pós-moderna, a ideia de Deus consumindo com fogo.
Este pensamento é bastante popular entre os crentes também. Quanto aos incrédulos, não podemos esperar que tenham um conceito correto sobre Deus. Mas na igreja, deveria ser obrigação dos crentes não apenas saberem disso, dessa característica de Deus, como também de viver em santo temor a Seu respeito (v. 28).
A ideia do escritor bíblico é que a revelação de Deus cria responsabilidades. Na revelação natural, isto é, somente aquela que Deus Se revela por meio das coisas criadas, o apóstolo Paulo diz que o homem já é indesculpável (Rm 1.20). Na revelação por meio da consciência também, da mesma forma, o homem não terá desculpa (Rm 2.14-16). Na revelação por meio da lei, que foi dada no monte Sinai, o autor aos Hebreus diz que “não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra” (v. 25). Assim também, os que receberam a revelação da graça serão muito mais cobrados!
Observe a intensidade da cobrança. A responsabilidade diante de Deus aumenta na medida em que a revelação é maior. Alguém que conheceu a graça será mais cobrado do que aquele que conheceu a lei, que, por sua vez, será mais cobrado do que aquele que só conheceu a criação. No entanto, não há ninguém que possa se justificar. A verdade é única: todos já são culpados – a revelação apenas define o grau de culpa.
Contudo, esse alto grau de revelação da graça, não deve nos amedrontar. Ela é muito mais gloriosa. O autor diz: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel” (vs. 22-24).
A revelação da graça é superior à revelação da lei e traz consigo muito mais glória. Mas a advertência vem junto: “Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte” (v. 25). Os que recusaram ouvir a lei não escaparam, muito menos os que se recusarem ouvir a Cristo.
A conclusão do autor é que nós, que recebemos a graça,
recebemos com ela um “reino inabalável”. Por isso devemos reter essa
graça e servirmos a Deus de modo agradável. Se rejeitarmos a graça deste Deus
que é amor, conheceremos então, o Deus que é fogo consumidor! Qual é o grau de
nossa revelação e como estamos respondendo a ela?
Día tes písteos.
Pr. Cleilson






