Teolatria

No Teolatria você encontra diversos estudos bíblicos em slides (power point) para baixar, além de muitas pregações, sermões expositivos, textuais, temáticos em mp3, dos pregadores da IMVC - Vilhena/RO: Pr. Cleilson, Pb. João, Pb. Alex, Pb. Wesllen Ferreira, irmã Clair Ivete e pregadores convidados.

terça-feira, 30 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0343 - LIÇÕES DA SEGUNDA MILHA

 


Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5.41).


Nas épocas bíblicas, uma nação que dominava outras, impunha sobre as conquistadas alguns deveres e obrigações. Os persas, por exemplo, tinham um sistema de correios extraordinário. Todos os caminhos estavam divididos em postos localizados a um dia de viagem um do outro. Em cada posto se achava comida, forro para os cavalos e até cavalos para troca quando necessário. Mas, se por qualquer razão faltasse algumas dessas provisões em algum desses postos, qualquer cidadão seria obrigado a prover comida, alojamento, cavalo, auxílio e ainda levar até o próximo posto a mensagem.

Isso se tornou comum entre as nações, de modo que na época de Cristo, o império romano, que dominava o mundo do 1º século, também se utilizava dessa imposição. De maneira muitas vezes arbitrária, um soldado romano podia encostar sua lança no ombro de um súdito e obrigá-lo a levar sua bagagem por uma milha, ou cerca de um quilômetro e meio, não importava o que aquela pessoa estivesse fazendo. Este, porém, era o limite por pessoa; um soldado não podia obrigá-lo a andar mais que isso. Era muito comum essa ação na Palestina dos tempos bíblicos e os judeus se enfureciam quando um soldado romano lhes obrigava a prestar esse tipo de serviço.

Mas Jesus diz que se um cristão fosse surpreendido nessa tarefa militar, ele teria que cumpri-la com alegria e não com o ódio que era comum aos demais cidadãos. E essa alegria devia levar o cristão a caminhar a segunda milha! Ou seja, se um soldado obrigasse um cristão a carregar sua bagagem por um quilômetro e meio, o cristão deveria andar com ele o dobro, três quilômetros e ainda alegremente!

Isso também não quer dizer que os cristãos tenham que concordar com leis injustas em seu país, mas se tiverem de combatê-las, deverão fazer por meios legais, pois não se combate a injustiça com outra injustiça. Entretanto, deveres cristãos não devem ser negligenciados diante que qualquer que seja sua autoridade, seja civil, domiciliar, profissional, religiosa ou didática. O cristão sempre deve mesmo ir além daquilo que lhe pedem. Aliás, este é o princípio cristão, pois o melhor mundano já faz sua obrigação no limite. E o cristão deve ir além do melhor mundano em tudo (como disse Jesus no v. 20).

Numa ocasião, os soldados obrigaram a um certo homem que vinha do campo a carregar a cruz de nosso Salvador. Era Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo (Mc 15.21) e que se tornou posteriormente um mestre na igreja em Antioquia (At 13.1). Marcos, que escreveu seu Evangelho para os romanos, conhecia Rufo, filho de Simão (Rm 16.13). Este homem, a princípio, pode ter carregado a cruz de Jesus por obrigação, mas depois, seus passos ficaram presos à segunda milha, pois ele caminhou na trilha do evangelho até o fim de sua vida seguindo a Jesus com toda sua casa.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 29 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0342 - HONRA TEU PAI E TUA MÃE

 


Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx 20.12).


Geralmente, quando se lê este 5º mandamento, se pensa logo em quanto tempo de vida teria um filho que honra seus pais. Quanto mais se honrar o pai e a mãe, mais seus dias são multiplicados na terra. Mas não é isto que o mandamento está dizendo.

Para sabermos o sentido desta promessa (Paulo diz que é o primeiro mandamento com promessa), precisamos fazer o contraponto deste versículo. Precisamos saber o que a lei dizia para aqueles que desrespeitassem seus pais. Então vejamos. No próprio livro de Êxodo, a lei dizia: “Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe será morto” (Êx 21.17). E em Levítico: “Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele” (Lv 20.9). Ou ainda em Provérbios: “A quem amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe, apagar-se-lhe-á a lâmpada nas mais densas trevas” (Pv. 20.20).

Há um exemplo em Dt 21.18-21 que diz: “Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá”.

Assim, entendemos que a promessa de que os dias seriam prolongados sobre a terra era porque o filho que honrasse seus pais não seria submetido à pena de morte e não que ele viveria muitos anos. Claro que isso soa ofensivo para nossa sociedade atual. Quem admitiria que merece a morte por “simplesmente” falar mal de seus pais? Isso é pra nós vermos o quanto estamos distantes da santidade do nosso Deus! Se a lei é a revelação de Sua santidade e santa vontade, então estamos mui distantes dessa vontade!

É claro que uma sociedade em que os pais não são respeitados será uma sociedade onde nenhum homem respeitará a outro. Afinal, é exatamente o que estamos presenciando: filhos malignos que, além de tirarem a vida do próximo, são capazes de matar os próprios pais!

O segredo da austeridade desse mandamento está no seguinte motivo: toda autoridade foi constituída por Deus e deve ser honrada como se honra ao próprio Deus que a instituiu (Rm 13.2). Porém, a autoridade paterna é uma autoridade que aponta diretamente para o próprio Deus. Paulo diz em Ef 3.14,15 que toda família no céu e na terra toma o nome do Pai celestial emprestado, ou seja, tudo que se sabe e se percebe como pai, tomou essa paternidade emprestada do único e verdadeiro Pai, que é Deus! Quando um filho desonra, desrespeita, amaldiçoa, desobedece, escarnece ou se volta contra a autoridade de seu pai, ele está, em última análise se posicionando em frente de guerra contra o próprio Deus que ali está representado!

Pv 30.17 diz que os olhos de quem zomba de seu pai serão arrancados por corvos e comidos por filhotes de águia. Assim também todos os rebeldes contra Deus “foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes” (Ap 19.21).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0341 - NÃO RECLAME DAS PROVAÇÕES

 


Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo” (1Pe 4.12).


Nossa geração de crentes é avessa ao sofrimento e à provação. Às vezes passa por situações que são consequências do que ela mesma plantou e acha que está sendo provada. O sistema cultural e ético deste século, que inverte os valores morais e suprime a verdade pela injustiça, ensina aos nossos filhos, usando os próprios pais, que eles devem ser superprotegidos e blindados de quaisquer dificuldades, mínimas que sejam. Em geral, ouvimos dizer: “Não quero que meu filho passe pelo que eu passei”. Entende-se agora por que essa geração é incapaz de aguentar o mínimo por amor de Cristo...

O apóstolo Pedro está dizendo que não devemos estranhar o fogo ardente da provação. Na realidade, deveríamos estranhar a ausência de provas! Mas, quanto menos provações, mais feliz se sente a geração cristã atual, que vai perdendo seu valor a cada dia que passa. Os cristãos de hoje insistem em achar normal viver sem provações. Para o apóstolo, deveríamos nos alegrar, visto que, quando sofremos, nos tornamos semelhantes a Cristo. E, se somos semelhantes a Ele em Suas provações, o seremos também em Sua revelação (v. 13).

Cristo não estranhava o fogo ardente no qual viveu aqui nesta terra. O profeta já dizia que Ele seria um “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). O autor aos Hebreus disse que Cristo, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Mas, se tem uma coisa que os cristãos de nossos dias não querem nem pensar em se parecer com Cristo, é no sofrimento! Pedro perguntaria: como poderão então, se parecerem com Ele na glória?

O apóstolo, então, faz distinção entre o sofrimento que glorifica a Deus e o sofrimento que nós provocamos contra nós mesmos. Ele diz: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome” (v. 15,16). Ao que parece, temos visto exatamente o contrário. Crentes que não têm vergonha de serem chamados de malfeitores, enrolados, intrometidos, mentirosos e outros adjetivos imorais, mas morrem de medo se lhes disser que terão que sofrer por amor a Cristo...

Finalmente, Pedro explica mais um pouco por que o crente sofre. Porque, segundo ele, o juízo começa pela casa de Deus (v. 17). O raciocínio é o seguinte: se nós, que somos salvos, sofremos, passamos pelo fogo da provação aqui para chegarmos ao céu, imagina o ímpio, os que não obedecem ao evangelho de Deus, que fim não terão? Eles não terão um céu para chegar, portanto, o fogo que lhes aguarda é inextinguível!

Podemos passar pelo fogo da provação aqui, mas ele terá um fim. Aqueles, porém, que não temem a Deus, podem até não serem provados na fornalha desta vida, mas perecerão eternamente nas fornalhas da morte! E você cristão, ainda acha que é legítimo reclamar das provações?

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 26 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0340 - O QUE SÃO AS BÊNÇÃOS PARA O ÍMPIO

 


Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição” (Sl 73.18).


Uma das grandes inquietudes dos servos de Deus de todos os tempos é: por que os ímpios prosperam, enquanto os que servem a Deus passam por enormes dificuldades? Esse foi um dilema não só deste salmista que compôs o Salmo 73, mas também de Jó (Jó 21) e Jeremias (Jr 12) e, certamente de inúmeros outros servos de Deus ao longo da história humana. Ainda hoje ouvimos muito desse questionamento entre os fiéis cristãos.

Os salmos são cânticos, orações, lamentos, celebrações e ações de graças que muitos servos de Deus fizeram, expressando abertamente seus corações naquelas letras, que se identificam com cada um dos cristãos de todas as épocas. Já foi dito que, enquanto o restante da Bíblia é Deus falando com a gente, os salmos mostram a gente falando com Deus.  E, de fato, isto é verdade. Com os salmos aprendemos a orar, a agradecer, a exaltar, enfim, a expor nosso coração com suas alegrias ou tristezas diante de Deus.

Ninguém melhor que o salmista Asafe para colocar esse questionamento de forma completa como aqui neste salmo. Seu questionamento não era diferente de muitos servos de Deus de todos os tempos. Ele confessa que quase abandonou a Deus ao ver esse disparate em sua frente: o fiel sofrendo e o ímpio prosperando (v. 2)! Do v. 4-12, ele descreve a vida aparentemente tranquila e abençoada do ímpio. Enquanto prospera, vive afastado de Deus e ainda arrisca a blasfemar dEle!

Mas quando Asafe olha pelas lentes de Deus, ele percebe que as coisas não são assim tão fáceis. Ele diz que Deus os coloca em lugares escorregadios. Deus mesmo os faz cair na destruição! Ele está dizendo que a prosperidade do ímpio é como um tobogã para o inferno! Já que o ímpio não vai dar glória a Deus mesmo por nada, então suas bênçãos terrenas nada mais são do que uma anestesia para que ele continue esquecido de Deus até que seja condenado. Não é o caso do crente. Quanto aos justos, Asafe diz: “Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória” (v. 23,24).

Sim, Deus nos priva de alguns presentes para que nossas mãos fiquem um pouco livres a fim de que Ele nos segure. Ele nos dá conselhos de sabedoria em Sua Palavra para depois nos receber em Sua glória! Não é melhor assim? Não é melhor do que ter as mãos cheias aqui na terra e isto nos fazer esquecer de Deus, roubar Sua glória e depois escorregarmos para a perdição eterna?

Quem tem Deus como herança, estará seguro, ainda que sua carne e seu coração desfaleçam (v. 26). Ainda que sejamos privados de muitas benesses terrenas, ainda que vejamos muitos ímpios prosperando, nada pode suplantar nosso amor que temos pelo nosso Deus. Como Asafe, podemos repetir o v. 25: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra”!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 24 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0339 - SEMENTES DE OFERTAS

 


E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará” (2Co 9.7).


Talvez nunca tenha existido na história da igreja, salvo na Idade Média, uma época em que a igreja fosse tão avarenta e interesseira nos bens das pessoas como em nossos dias. A ganância de muitos falsos pastores e falsos profetas tem levado milhares de pessoas a tomarem uma decisão tão erradamente oposta quanto essa, isto é, a fecharem suas mãos para a contribuição no reino de Deus.

A decepção com o uso ilícito das contribuições fez com que a maioria parasse de contribuir. Isso é tão errado quanto o mau uso referido. Geralmente isso acontece em todas as outras áreas. No desejo de combater um erro sobre certa doutrina, as pessoas passam a negar a doutrina. Não posso combater a falsificação das notas de 50 reais eliminando a existência da nota de 50 reais. Mas é assim que tem acontecido na igreja. Verdadeiras doutrinas têm sido eliminadas porque há falsos pregadores ensinando errado sobre elas.

O que a Bíblia diz, todavia, não pode ser invalidado pelo mau uso que fazem do que ela diz. Paulo ensina que a oferta é como uma semente. Esse é o contexto de 2Co 9. Ele fala sobre ofertas. E aqui ele diz que se você semeia pouco, sua colheita também será pouca, de acordo com o que você semeou. E não vem ao caso o que seja essa colheita. Ela será pouca por causa da mesquinhez na hora de semear.

Mas pelos próximos versículos, entendemos que Deus nos faz colher não só na área material, como também nas demais áreas da nossa vida. Paulo diz: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra... Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus” (v. 8,10,11). “Ampla suficiência” quer dizer que Deus fará com que você sempre tenha. “Superabundar em toda boa obra” significa que você sempre usará seus recursos para a boa obra de Deus e assim por diante. O v. 12 diz que as contribuições suprem as necessidades dos santos e também fazem o nome de Deus ser glorificado.

O que seria semear pouco? O que seria semear em abundância? É a liberalidade do coração. Não é a quantidade e sim a alegria. Há pessoas que ofertam pouco e ainda assim têm o coração preso. Outras ofertam em grande quantia, mas com o coração preso também; já outras ofertam pouco com grande alegria e outras ainda ofertam grandes quantidades com o coração alegre! Quais são as que estão semeando muito? Obviamente as que têm o coração alegre quando ofertam, não importando a quantia entregue.

Finalmente, as ofertas têm em vista a imitação do Filho de Deus que a Si mesmo Se entregou em oferta por nós a Deus! Não houve limitações, houve entrega. Não houve imposição e sim voluntariedade. Se é assim que são nossas ofertas, então não precisaremos retê-las por causa dos malandros da fé. Saberemos onde aplicá-las para que graças se rendam ao nosso Deus (v. 12).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 23 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0338 - DIGA-ME COM QUEM ANDAS

 


Disse Eliseu: Tão certo como vive o SENHOR dos Exércitos, em cuja presença estou, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não te daria atenção, nem te contemplaria” (2Re 3.14).


Há um ditado antigo que diz: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Geralmente esse provérbio é usado contra pessoas boas que andam com gente ruim. Como se quisesse dizer que seria melhor não andar com tal pessoa, caso queira mesmo ser bem visto pelos outros. No entanto, esse provérbio também pode ser visto de forma contrária, por exemplo: os outros poderiam julgar bem uma pessoa ruim que anda com gente boa. Como se dissessem para a pessoa ruim: “Que bom que você anda com fulano, pois ele é uma boa pessoa”.

Foi o que aconteceu com Jorão, rei de Israel, filho do rei Acabe. Ele era mau aos olhos do Senhor, andando nos pecados de Jeroboão rei de Israel (vs. 2,3). Enquanto seu pai era vivo, os moabitas lhe pagavam tributo (v. 4), mas morrendo Acabe, os moabitas se revoltaram e Jorão tentou sufocar essa revolta convidando Josafá, rei de Judá para auxiliá-lo nessa guerra contra os moabitas. Josafá aceitou o convite de Jorão, rei de Israel (v. 7).

Mas como escolheram o caminho do deserto para fazer essa investida, ficaram uma semana com escassez de água, pelo que Jorão achou que Deus estaria contra eles nessa guerra (vs. 9,10). Josafá então pergunta se não havia ali algum profeta de Deus para consultar a vontade do Senhor. Eliseu era profeta naquela época. Quando ele vê o rei Jorão, logo o profeta lhe dá uma má resposta: “Que tenho eu contigo? Vai aos profetas de teu pai e aos profetas de tua mãe” (v. 13), ou seja, consulte os profetas de Baal.

Mas quando Eliseu vê ali Josafá, rei de Judá, então ele diz que atenderia o rei de Israel por causa do rei de Judá, que era temente a Deus. Isto é, o rei mau foi beneficiado pelo rei bom! Jorão recebeu não só a palavra de Deus por meio do profeta Eliseu, por causa da presença do bom rei Josafá, como também recebeu o milagre da água no deserto para abastecê-los, sem que houvesse uma gota de chuva e, além disso, ainda obteve vitória sobre os moabitas!

Assim também aconteceu conosco. Quando Cristo esteve entre nós, ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens... era desprezado, e dele não fizemos caso... nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53.3,4). Quem olhasse para Cristo diria: “Ele é mau porque anda com gente ruim”... Mas Ele não Se importou. Como Josafá, Ele aceitou que dissessem isso dEle, para que, quando olhassem para nós, dissessem: “Eles são gente boa porque andam com Quem é bom”.

E mais que isso: nós recebemos o suprimento da água da vida, a vitória sobre nossos inimigos, mas o melhor de tudo: assim como Deus falou por meio de Eliseu a Jorão, por causa de Josafá, Deus fala conosco hoje por meio de Sua Palavra, por causa de Jesus Cristo, Seu amado Filho!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 22 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0337 - O VINHO E O ESPÍRITO

 


E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).


No meio cristão há um debate sobre a questão da bebida alcoólica. As pessoas perguntam se pode beber, se a Bíblia permite ingerir bebidas alcoólicas ou se há proibição dessa prática. Alguns sugerem que a proibição é apenas de se embriagar, dizendo que é somente isso que é pecado, mas que se você beber moderadamente não há pecado algum nisso; outros dizem que a Bíblia ordena a abstenção total e assim por diante.

Há também debates intensos sobre como era o vinho nos tempos bíblicos. Alguns dizem que havia adição de álcool, outros alegam que o vinho fermentava por si só, alguns dizem que não era proibido beber o vinho puro, mas sim o fermentado ou alcoolizado, ainda outros dizem que o vinho fermentado ou alcoolizado era também ingerido pelas pessoas daquela época, inclusive Jesus... no fim das contas, em geral funciona assim: quem gosta de beber, defende que não há proibição; quem não bebe, alega que a Bíblia é abstêmia por completo.

O que é de se estranhar é que essa discussão no meio dos crentes não envolve tanto a segunda parte do versículo como a primeira! As discussões giram em torno do vinho e não do Espírito! As pessoas quase brigam sobre a interpretação da primeira parte, mas quase não se ouve falar da segunda... O vinho e a embriaguez estão sempre presentes nos assuntos sobre o tema, mas ser cheio do Espírito é algo sobre o que não se diz muito...

Paulo diz que no vinho há devassidão, dissolução, excesso, extravagância. Ele não diz que a dissolução está na embriaguez, mas no vinho. A palavra grega para dissolução é curiosa: asōtia. Literalmente, quer dizer “não salvar”. Claro que não está falando da salvação em Cristo, mas se refere a “não poupar, não guardar, ser extravagante, desregrado, dissoluto”. O crente não deve gastar seus recursos para buscar alegria em supostos estimulantes de serotonina, mas devem-se satisfazer em Cristo e nEle serem felizes plenamente!

Quando Paulo diz para sermos cheios do Espírito, na verdade ele diz que devemos nos encher no Espírito. Assim está no grego. Não é com o Espírito ou do Espírito. Você pode encher uma xícara de ou com a água da chaleira, mas para encher a xícara na água, você precisa colocá-la dentro da chaleira! É isso que o apóstolo quer dizer. O crente deve ser cheio no Espírito! Ele deve estar mergulhado no Espírito! Não é uma questão de quanto temos do Espírito, mas de quanto o Espírito tem de nós!

Talvez a pergunta certa não seja se a Bíblia aceita crentes que bebem vinho, mas se a Bíblia aceita crentes vazios do Espírito de Deus. Uma sugestão que fica para os crentes é a seguinte: encha-se no Espírito e então, apenas quando estiver plenamente cheio nEle, veja qual será seu interesse pela bebida.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0336 - DEUS JULGARÁ OS POVOS COM JUSTIÇA!

 


Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda. Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra. Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais” (Ec 3.16-18).


O livro de Eclesiastes é um relato de Salomão das coisas ao modo como ele enxergava todas elas, a partir de sua experiência como homem, rei, hedonista, rico e sábio. Porém, todas estas coisas são vistas “debaixo do sol”. Em poucas partes do livro, Salomão relata uma verdade “acima do sol”, a maior parte de suas observações é do ponto de vista humano e pior, pessimista.

Salomão foi rei de Israel, o mais pomposo deles. Todo o domínio e governo de Israel estavam em suas mãos e, mesmo assim, ele ainda via maldade no lugar do juízo e da justiça! Ainda que no início de seu reinado, sabemos que ele julgou de modo extremamente sábio, como no caso de duas mulheres prostitutas que brigavam por um filho que havia sobrevivido entre dois. Não sabemos como foram os demais julgamentos que houveram durante seus 40 anos de reinado. Sabemos, sim, que no final de seu governo, seu juízo já não estava mais sendo orientado pela sabedoria inicial, pois as mulheres com quem casou, perverteram seu coração (1Re 11.4-8).

O texto de Reis não diz abertamente, mas Salomão deve ter sacrificado alguma criança aos deuses Quemos e Moloque, aos quais ele levantou altares para agradar suas esposas moabitas e amonitas (1Re 4.7). Se não sacrificou, pelo menos deve ter aprovado que elas assim o fizessem! Se Eclesiastes é o livro que mostra sua autodecepção, então Salomão deve realmente ter-se arrependido e reconhecido a “vaidade” (ou futilidade) de tudo que ele possuiu e voltou-se para o Senhor, que deve tê-lo perdoado.

Não só nos dias de Salomão, mas em todas as épocas da humanidade, a maldade sempre reinou no lugar do juízo. Nossa sociedade é marcada por escândalos, casos de corrupção, suborno, injustiça e deboche com os governados. O cidadão comum chega a desistir de recorrer a algum tribunal para requerer seus direitos legais, pois a burocracia se mistura à injustiça de tal modo, que o sujeito prefere sofrer a injustiça do dano a ter que sofrer a injustiça da assim chamada justiça!

Salomão chega à conclusão que Deus julgará a todos, o justo e o perverso. Esta conclusão é correta, bem como a outra conclusão que ele chega: Deus permite isso para provar para os filhos dos homens que eles são como animais! Sim, esta conclusão também é certa, porque o homem sem Cristo é brutalmente inclinado e desviado para o mal!

Paulo diz que “não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.30,31). Seu julgamento não é como o dos homens, cheio de maldade, mas justo e santo. Ele julgará os povos com justiça e equidade!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sábado, 20 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0335 - AS OBRAS DE DEUS MANIFESTAS PELO MAL

 


Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.1-3).


O ser humano sempre quis resposta para tudo, inclusive para aquilo que não está ao seu alcance. Para isso se lançam teorias, pressupostos e hipóteses, a fim de tentar buscar uma resposta aos anseios que mais lhe incomodam. Não foi diferente com a questão do mal e do pecado, bem como suas consequências funestas que sobrevieram a todos os homens e aqui neste episódio temos um exemplo disso.

Sendo a primeira vez que o NT narra uma doença que acompanha o indivíduo desde seu nascimento, torna-se visível que os discípulos sabiam muita coisa a respeito daquele homem. Mas a pergunta dos discípulos a Jesus sobre o estado daquele cego indicava a perturbação que havia na mente dos discípulos e também de muitos judeus naquela época e até hoje perturba a mente de muitas pessoas. Por que ele nasceu cego? Por que o mal lhe atingiu?

Pressupondo saber das coisas, os discípulos já quiseram ajudar Jesus a responder: “Quem pecou, este ou seus pais?” Na realidade, os judeus da época de Jesus acreditavam na preexistência da alma, que elas já existiam no 7º céu, esperando o momento de ingressarem em um corpo. O autor do livro de Sabedoria diz: “Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma” (Sb 8.19). Por isso pensavam na possibilidade deste cego ter pecado em alma, ainda antes de ter vindo nascer.

A outra hipótese era que seus pais haviam pecado e passado essa doença para o filho. O salmista pedia a Deus no Salmo 109.14 que o pecado do ímpio subsistisse em Sua memória, inclusive o de seus pais. Este era o conceito dos amigos de Jó. Para eles, o patriarca sofria aquelas mazelas por algum pecado e estava sendo punido por Deus. Ainda hoje, há muitas versões desta mesma teoria. Qualquer mal que acontece na vida das pessoas, logo se atribui a pecado cometido.

Mas a resposta de Jesus é para que as obras de Deus se manifestem. No fim das contas, todas as coisas devem glorificar a Deus, sejam as boas, sejam as ruins. No caso daquele cego, ele nasceu assim para que naquele dia se encontrasse com Jesus e lhe fosse restaurada a luz da visão. Assim, Jesus ensinaria sobre as obras de Deus. As obras de Deus devem ser feitas de dia, disse Jesus e não à noite (v. 4). Espiritualmente falando, isto significa que as obras de Deus são para que os homens saiam da escuridão do pecado e vejam a Cristo e, crendo nEle, tenham a vida eterna. Por isso aquele homem nasceu cego, para servir de exemplo de como as obras de Deus funcionam.

Nossos pecados foram punidos em Jesus, portanto, nenhum mal que nos acontece é por punição dos pecados, mas sim para que as obras de Deus sejam manifestas. E elas são manifestas para que sejamos levados à imagem do Filho de Deus, sejam elas boas ou ruins (aos nossos olhos), elas nos levarão à semelhança de Cristo.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 18 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0334 - BOIS NOVOS E O JUGO DO EXPERIENTE

 


Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.29).


Quando Jesus pronunciou estas palavras, parece evidente que Ele falava de modo comparativo a bois que trabalham puxando arado. O jugo é o mesmo que uma canga, uma peça de madeira ou ferro, que vai sobre o pescoço do animal, prendendo-o ao arado ou carroça. Geralmente se usava mais de um boi, mas sempre com um experiente. O boi novo teria que ficar preso ao outro que já estava acostumado ao trabalho, para que aprendesse também a trabalhar.

Geralmente o boi novo é mais afoito, querendo se ver livre do jugo, dá pinote, quer apressar o passo, mas tudo isso lhe machuca e ele se vê obrigado a andar nos passos do boi experiente! Até que ele se ajuste ao ideal do que o dono quer, ele sofre bastante, mas é limitado pela canga que está atrelada ao pescoço do animal mais velho.

Ao usar essa ilustração, Jesus está querendo nos ensinar sobre nossa natureza – ela é brava, selvagem e arrogante. Somos precipitados e afoitos, queremos as coisas ao nosso modo, queremos dizer a Deus como Ele tem que resolver nossos pedidos, como se Ele precisasse de conselheiros! Claro que tudo isso nos machuca. Grande parte das nossas feridas e dores vem por causa da nossa teimosia e obstinação. Até que aprendamos a andar nos passos de Jesus, já teremos sofrido o suficiente para nos amansar.

Os teólogos antigos sempre viram Jesus na figura dos quatro seres viventes de Ap 4.7, relacionando-os aos quatro Evangelhos.  O primeiro, com rosto de leão, eles diziam que era a forma como Jesus era apresentado no Evangelho de Mateus, como leão, como Rei; o segundo, com rosto de boi, era como Marcos apresentava Jesus, como Servo; o rosto de homem era interpretado como Lucas mostrava Jesus, em Sua humanidade; e o rosto de águia era Jesus no Evangelho de João, como Filho de Deus. Embora não seja isso que Ap 4.7 significa, mas a ilustração é boa.

Certo é que os discípulos de Cristo devem andar em Seus passos. Jesus Se fez servo realmente, quando se tornou homem (Fp 2.7), submeteu-Se sem reservas à vontade de Deus (Jo 6.38) e carregou o jugo da obediência irrestrita, por meio da qual padeceu por nós (Hb 5.8). Assim devemos ser cada um de nós. Não adianta espernear, gritar, achar que determinamos algo a Deus, não adianta esbravejar, dar ouvidos a essa natureza de boi bravo, atropelando as coisas. Isso só vai nos machucar. Devemos seguir os passos do Servo experiente! Se andarmos nos passos de Jesus, sob Seu jugo, o que vai acontecer conosco não é que iremos nos cansar e fatigar. Ele disse que acharemos “descanso para a nossa alma”, pois o jugo dEle é suave e Seu fardo é leve (v. 30).

É assim, quem anda com Jesus, debaixo do jugo dEle, aprende a ser manso, a ser humilde, mas não se machucará, não se fatigará na jornada. Ao contrário, achará aquilo que mais desesperadamente todo homem procura: descanso para sua alma!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 17 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0333 - O PROCESSO DA SALVAÇÃO DO ELEITO

 


Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 2.13,14).


Nestes dois versículos, o apóstolo Paulo fala de quase todos os processos da salvação que a Teologia aprendeu e organizou, a chamada Ordo Salutis, ou a Ordem da Salvação. Quando a Teologia organizou os ensinos bíblicos sobre a salvação de modo lógico e até cronológico, chegou-se à conclusão de que Deus agiu da seguinte maneira para nos salvar:

Primeiro, Ele nos amou na eternidade, depois nos predestinou para sermos conformes à imagem do Seu Filho (Rm 8.29). Depois nos chamou pela pregação do evangelho, nos deu Seu Espírito que nos fez regenerados, depois nos convertemos através do arrependimento e da fé, assim somos justificados, adotados na família de Deus, caminhamos em santificação, perseveramos, passamos pela morte física e depois somos glorificados.

Paulo diz que dá graças a Deus pelos tessalonicenses, que foram amados pelo Senhor. Aqui ele fala do motivo que levou Deus a nos salvar, isto é, exclusivamente Seu amor e nada mais. Depois Paulo diz sobre a eleição. Por ter Deus nos amado, ele nos escolheu desde o princípio para a salvação. Combina com o que ele vai dizer aos romanos: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). “Conhecer” aqui é o mesmo que “amar”. “De antemão” é o mesmo que “desde o princípio”.

Depois Paulo fala: “pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho”. Aqui Paulo mostra o processo inverso, um recurso literário chamado “quiasmo”, onde se inverte uma certa sequência para cruzar com as demais em forma de X. Na sequência normal seria: o evangelho é pregado, por ele somos chamados, então cremos na verdade (conversão) e assim somos santificados pelo Espírito na nossa vida cristã.

Paulo finaliza com a glorificação. Ele diz: “Para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. Desta forma, temos aqui nestes dois versículos, todo o processo da salvação descrito pelo apóstolo Paulo: o amor de Deus por nós, a eleição, o chamado pela pregação do evangelho, a conversão, a santificação e a glorificação.

Vemos aqui a Trindade trabalhando: Deus elegeu, o Espírito santifica para levarem os salvos à glória de Jesus Cristo! E Paulo dá graças a Deus pelos crentes. Não somente pela obra que Deus fez e está fazendo por eles, mas especialmente pela obra que Deus fez e está fazendo neles! Os salvos não são apenas por quem Deus trabalha, mas em quem Deus trabalha! Somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus (Ef 2.10).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

terça-feira, 16 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0332 - O NOBRE PROJETA COISAS NOBRES

 


Mas o nobre projeta coisas nobres e na sua nobreza perseverará” (Is 32.8)


Isaías 32 é um capítulo messiânico, como bem podemos ver através do v. 1. O rei que reinará com justiça, a que este versículo se refere, obviamente é Jesus Cristo. Os príncipes que governarão em retidão são os Seus fiéis. A promessa é que este homem servirá de refúgio e esconderijo, ribeiro e sombra para os seus governados (v. 2). Todas as atenções estarão voltadas para Ele e não haverá dificuldade alguma em compreendê-lo (vs. 3,4)!

Pelo versículo 5, entendemos que a inversão de valores morais não vai mais existir. Diz assim: “Ao vil nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso” (ACR). Ou como diz na Versão Atualizada: “Ao louco nunca mais se chamará nobre, e do fraudulento jamais se dirá que é magnânimo”.

Nós vivemos em uma sociedade na qual inverter os valores é considerado uma virtude! É incrível como os formadores de opinião da nossa cultura elogiam o que é imoral, tentando colorir a iniquidade com tintas de admiração! A massa de manobra é levada como manada. Nem querem saber para onde estão correndo. Fazem isso porque estão seguindo a corrida dos animais que vão à frente...

No v. 6, o profeta explica porque não se pode criar esperança em cima de ideais políticos e sociológicos. Ele diz que o vil (ou o louco, dependendo da versão) fala loucamente (no heb. nabal nebalah yedabber), ou seja, “o tolo só fala tolice”. Não tem como sair outra coisa de seus lábios, pois é isso que ele é – um tolo. Não tem como você esperar que um pepinal produza laranjas! Só pode produzir aquilo que lhe é próprio. Jesus disse isso também aos fariseus que blasfemaram contra o Espírito Santo: “Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34). Assim também não tem como esperarmos melhoras de políticos, porque os homens são maus.

Ideologias que defendem a liderança feita por operários e gente considerada humilhada conquistam muitos simpatizantes e defensores, no entanto, quando alguém dessa classe chega ao poder, só consegue humilhar e pisar, como aconteceu a ele quando estava lá em baixo. O discurso sempre é que aquele indivíduo veio do povo, veio de baixo, por isso vai entender os problemas dos pobres, pois já passou por aquilo. Mas nunca é o que acontece. O v. 7 explica isso, dizendo que “as armas do avarento são más; ele maquina intrigas para arruinar os desvalidos, com palavras falsas, ainda quando a causa dos pobres é justa”!

A solução para isso é o versículo que nós lemos, o v. 8: “O nobre projeta coisas nobres”, ou seja, é isto que é seu coração – nobre. O hebraico também pode ser traduzido por “liberal, ou generoso”. Ele projeta coisas nobres, generosas, como ele é. Ainda diz que nisso ele se mantém, pois não pode dar fruto diferente daquilo que está em sua natureza. Este é o nosso Senhor, que veio, não de baixo, mas do alto, não do meio do povo, mas da glória do Pai para governar com justiça para sempre! João Batista disse isto sobre Jesus: Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos(Jo 3.31).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 15 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0331 - ESCRAVOS NA HERANÇA

 


O escravo prudente dominará sobre o filho que causa vergonha e, entre os irmãos, terá parte na herança” (Pv 17.2).


O caso mais conhecido da Bíblia sobre um escravo que se tornou senhor de uma nação é o caso de José, filho de Jacó, que ficou conhecido como José do Egito, embora não fosse do Egito. A saga de sua história já é conhecida de todos e várias pregações já foram inspiradas neste acontecimento. Vendido por seus irmãos a uma caravana de comerciantes de escravos, foi parar no Egito, onde se tornou escravo por 13 anos e governador por 80!

Alguns homens da Bíblia, por não terem filhos, queriam fazer de seu escravo o herdeiro, como foi a intenção de Abraão com seu servo Eliézer (Gn 15.3). Houve o caso de um israelita, da família de Gileade que, por não ter filhos, senão filhas, deu sua filha por esposa a um escravo egípcio que ele tinha (1Cr 2.34,35).

Salomão está, neste provérbio, repreendendo com desprezo ao filho que desonra seus pais. Melhor é um escravo prudente do que um filho que causa vergonha em seus pais. De fato, a história nos mostra alguns casos em que senhores passaram a herança para escravos prudentes no meio de seus filhos, visto serem estes filhos imprudentes e vergonhosos.

Israel também foi considerado filho de Deus, como disse Oseias 11.1: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho”. Entretanto, Israel foi filho que desonrou a Deus, que Lhe desprezou. Sendo assim, Deus escolheu participar de Sua herança os gentios, piores que escravos! O apóstolo Pedro diz em sua carta: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus... vós, sim, que antes não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus” (1Pe 2.9,10).

Paulo também diz aos gálatas que éramos como escravos enquanto estávamos sujeitos aos rudimentos do mundo, mas vindo Jesus, nos resgatou da maldição da lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E isso Ele nos garantiu, enviando sobre nós o Espírito de Seu Filho que nos faz clamar “Aba, Pai”.  E Paulo finaliza, dizendo: “De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gl 4.1-7).

Todavia, nós não éramos escravos prudentes! Salomão diz que o escravo prudente governa sobre os filhos. Não é nosso caso. Nós éramos escravos do pecado! Para que hoje tivéssemos a herança entre os filhos de Deus, foi necessário que o Filho de Deus Se fizesse escravo em nosso lugar. E foi exatamente o que Ele fez! Em Isaías, Ele é chamado profeticamente de “o Servo do Senhor”. Por que esse título? Porque quando o Filho de Deus viesse, Ele viria em forma de escravo, quando Se tornasse em semelhança de homem (Fp 2.7).

Esta é a grandiosa realidade. Hoje somos escravos que têm herança entre os filhos, não porque somos prudentes, mas porque o Filho Se fez escravo entre nós, carregou a nossa maldição e nos fez aceitos diante do Pai!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0330 - O PERDÃO E O SERVO INÚTIL

 


Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.10).


Quando lemos este versículo, nos assustamos devido ao grau de exigência de Jesus a Seus seguidores. Logo pensamos: “Não conseguimos fazer quase nada do que nos foi ordenado... Se quem fizer tudo for inútil, imagine eu, que não faço quase nada”... De fato, o pensamento que deve nos sobressaltar sempre é que nós somos realmente piores do que inúteis. Se para ser inútil é preciso fazer tudo o que nos foi ordenado, o que somos então sem fazê-lo? 

Porém, o contexto nos mostra que Jesus está falando de perdão. No v. 3, Jesus diz que “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe”. O processo inicial é de advertência. Em havendo arrependimento, o perdão é obrigatório. No v. 4, Jesus aumenta a responsabilidade que o ofendido tem em perdoar, dizendo: “Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. E, como sabemos, o número 7 representa totalidade. Não quer dizer que temos que perdoar até 7 vezes, mas tantas quantas vezes o ofensor se arrepender. Não há limites, simplesmente! Os apóstolos entenderam essa forma de Jesus falar, pois disseram no v. 5: “Aumenta-nos a fé”!

Por isso Jesus conta essa parábola. Ele diz que se alguém tinha um servo na lavoura, ou guardando o gado, não iria dizer a este servo para se assentar e comer assim que chegasse do trabalho, pois havia mais um trabalho a fazer. Antes de se assentar, o servo ainda deveria servir a seu patrão para, só depois, fazer seu prato de comida. O patrão seria servido e nem assim agradeceria, porque o escravo apenas fizera nada mais que sua incumbência.

É isto que nosso Senhor está dizendo. Perdoar não é ato heroico, não tem nada digno de aplauso nisso. Perdoar nada mais é do que nosso dever uns para com os outros. Perdão não é sentimento, é mandamento! Não há honra especial para alguém que perdoa seu irmão, pois isto é nossa obrigação e não nossa opção.

Há crentes que são tão econômicos no perdoar, que pensam que por terem perdoado uma vez já estão isentos de tudo mais, já podem assentar-se à mesa e comer, mas não podem ainda. É preciso viver de pé, prontos a perdoar mais uma vez e outra e mais outra. Às vezes dizemos como os apóstolos: “Aumenta-nos a fé” porque achamos que esta é uma tarefa impossível de cumprirmos. Alegamos que não estamos prontos para isso, que Deus nos dê paciência, etc. Mas Jesus já diz sobre isso no v. 6: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá”.

Deduzimos que economizar perdão é falta de exercer corretamente a fé, ao passo que não perdoar é não ter fé. Exercer corretamente a fé como um grão de mostarda, não é se importar com o tamanho da fé, mas sim com seu efeito. O grão de mostarda, como o próprio Jesus disse em outra parábola, é o menor das sementes, mas quando plantado, torna-se a maior das hortaliças (Mt 13.31,32). Se for assim a nossa fé, não haverá amoreira alguma que fique entre nós e nossos irmãos. Será arrancado e lançado ao mar qualquer problema, e nem mesmo por isso seremos dignos de algum louvor...

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

sexta-feira, 12 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0329 - PARA QUE A LEI?

 


E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa” (Gl 3.17).


O entendimento acerca da lei de Deus e seu propósito é muito claro na carta de Paulo aos Gálatas. Especialmente no cap. 3, onde Paulo repreende os gálatas por tentarem misturar a fé com as obras da lei para serem salvos. Você pode ver isto a partir do v. 1. No v. 3 Paulo chega a chamar as obras da lei de “carne”, enquanto que a pregação da fé, ele chama de “Espírito”.

Ao usar Abraão como exemplo, Paulo diz que ele foi justificado pela fé e não por obras da lei que nem ainda existiam (v. 6, citando Gn 15.6). E arremata no v. 7 dizendo que os que são da fé é que são filhos dele. Há algo incrível nos vs. 8-14 para o que precisamos nos atentar: Paulo diz que quando Deus falou com Abraão que nele seriam benditos todos os povos da terra (Gn 12.3), na verdade Deus estava falando da justificação pela fé que iria dar aos gentios que cressem (v. 8)! Porém, ao contrário desta bênção prometida a Abraão, todos os que vivessem pelas obras da lei, seriam malditos (v. 10)!

Paulo centraliza a questão da promessa. No v. 16, ele diz que a promessa foi feita a Abraão e ao seu descendente (no singular), que Paulo conclui que é Cristo. Segundo o apóstolo, a lei, que vem 430 anos depois não pode anular a promessa (v. 17). Então alguém perguntaria: pra que a lei? A resposta de Paulo não agradaria às religiões que querem guardar a lei. Também a resposta dele não diz que esta lei é cerimonial, como alguns alegam. Ele diz que a lei foi dada por causa das transgressões até que Jesus viesse (v. 19). Obviamente não pode ser a lei cerimonial, pois esta não se referia a pecados e transgressões...

Eis aqui a resposta: se a promessa só pode ser dada aos que creem (v. 22), então a lei veio para colocar todos debaixo do pecado, a fim de que ninguém pudesse tomar posse da promessa por suas próprias forças! A lei veio para provar para o homem que ele é pecador e sua incapacidade de cumprir a lei só lhe dá duas alternativas: ou se lança pela fé aos braços de Cristo, ou será condenado por não cumprir a lei!

Por isso é que Paulo diz que a lei nos serviu de aio (gr. paidagōgos, ou “condutor”) para nos conduzir a Cristo (v. 24). Ela nos aprisionava em nossos pecados, isto é, não nos deixando brechas para acharmos que não somos pecadores, até que Cristo chegasse e, então, pudéssemos ser justificados por crermos nEle!

O raciocínio de Paulo é concluído de modo lógico: tendo vindo a fé, não precisamos mais do condutor (v. 25). Dessa forma, estamos livres da lei. Pela fé em Cristo, nos tornamos filhos (v. 26), sendo assim, não pode mais haver essa questão de diferença étnica, social ou de gênero (v. 28), pois somos de Cristo. E se Cristo é o descendente (singular), então os que nEle creem são os descendentes (plural) e herdeiros, participantes da promessa (v. 29)!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quinta-feira, 11 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0328 - O FILHO IMITA O PAI (DE QUEM VEM A SALVAÇÃO?)

 


Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer” (Jo 5.21).


O embate de Jesus com os judeus de Sua época em Jerusalém era bastante frequente. O apóstolo João relata muitos deles. A presente discussão que Jesus tem com os judeus, seu motivo foi o fato de Cristo ter curado um enfermo no tanque de Betesda num dia de sábado (v. 9), o qual, sendo curado passou a andar e carregar seu leito, o que, em dia de sábado não era permitido na tradição judaica.

A resposta de Jesus em nada aliviava Sua própria situação e irritava mais os judeus. Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (v. 17). Por isso, diz o v. 18, os judeus procuravam ainda mais matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus!

A justificativa de Jesus foi que Ele, como Filho, só fazia aquilo que via o Pai fazer (v. 19), porque o Pai O amava e Lhe mostrava tudo o que fazia, inclusive mostraria coisas maiores do que apenas curar aquele enfermo (v. 20). Então Jesus dá esse exemplo do v. 21 que nós lemos. O Pai ressuscita os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer! E para que todos honrassem o Filho como honravam o Pai, Este concedeu ao Filho todo o julgamento (vs. 22,23).

Jesus está falando aqui de vida espiritual que Ele concede a quem Ele quiser, pois todos são espiritualmente mortos em delitos e pecados. Como sabemos que Jesus está falando de mortos espirituais e não físicos? Por causa dos próximos versículos. No v. 25, por exemplo, Jesus diz que “vem a hora e já chegou”, ou “vem a hora e agora é”, dependendo da versão, “em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Se a hora é agora, se a hora já chegou desde quando Jesus pronunciou estas palavras, então é claro que Ele não está falando de mortos físicos, pois não vemos ressurreição todos os dias por aí.

É claro que Ele também tem poder sobre os mortos físicos. Jesus diz sobre eles nos vs. 28,29: “ Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. Observe que Ele diz que vem a hora, mas não diz que já chegou. Então aqui se trata dos mortos físicos, que Ele há de ressuscitar no último dia.

O poder que o Pai deu ao Filho sobre aquele enfermo no tanque de Betesda foi apenas um pequeno demonstrativo do poder que o Pai Lhe deu sobre todos os que Ele quer vivificar da morte espiritual. Aquele homem ainda rastejava, mas nós estávamos mortos! Nosso estado espiritual era de putrefação irrecuperável! Não havia ninguém que nos ajudasse a chegar a Deus, nem nós mesmos. Deus é que veio até nós, assim como Jesus que foi até aquele homem! E, assim como Jesus não curou a todos os enfermos que ali estavam, assim também Ele vivifica apenas aqueles a quem quer! Como certa vez Jesus orou ao Pai: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27).

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

quarta-feira, 10 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0327 - JESUS NO SALMO 34

 


Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra. Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado. O infortúnio matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados. O SENHOR resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado” (Sl 34.19-22).


O rei Davi, no Salmo 34, expressa seu louvor ao Senhor por tê-lo livrado do rei filisteu, quando seus servos o levaram perante ele, apresentando-o como o homem que havia matado vários milhares de filisteus numa guerra, depois de ter vencido Golias, o gigante filisteu. O episódio está em 1Sm 21.10-15. Para se ver livre do rei, Davi se fingia de louco, babava e rabiscava as portas do palácio daquele rei. Imediatamente, o rei filisteu mandou tirar Davi de sua frente.

Cada episódio na vida de Davi gerava um salmo de louvor a Deus. Ele louvou ao Senhor pelo livramento que lhe dera naquele dia. Não atribuiu seu livramento ao seu fingimento, mas à misericórdia do Senhor. Neste salmo, Davi fala de sua atitude para com Deus, fala da atitude dos que temem ao nome do Senhor, os justos e, finalmente, fala no singular, do Justo! Curiosamente, ele muda do plural para o singular e veremos a razão disso.

O apóstolo João, ao verificar o episódio da crucificação, escreveu em seu Evangelho que nenhum dos ossos de Jesus havia sido quebrado (Jo 19.33,36). Ainda que os soldados tivessem quebrado as pernas dos dois que foram crucificados com Cristo, todavia, os ossos de Cristo não foram quebrados. E João diz que era para que se cumprisse a Escritura, pensando exatamente neste salmo. Portanto, aqui no final deste salmo, Davi não estava falando mais de qualquer justo, mas profeticamente falava de Cristo. Este final do salmo é messiânico!

Muitas foram as aflições do Justo – no entanto, Deus O livrou de todas; Seus ossos foram preservados – na cruz, mesmo tendo os outros dois a Seu lado os seus ossos quebrados, os de Jesus não foram; Davi também diz no v. 21 que os que odeiam o Justo serão condenados – de fato, o apóstolo João confirma isto em seu Evangelho, quando diz: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36). E no final do salmo, Davi diz que “o Senhor resgata a alma dos Seus servos, e dos que nEle confiam, nenhum será condenado” – assim diz também o apóstolo João no versículo mais famoso da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Vemos assim, que este salmo de Davi começa com um louvor pessoal a Deus por Sua bondade, passa por um convite a todos para que temam e clamem a Deus e finaliza com uma profecia cristológica, anunciando nada menos do que o evangelho, que os ímpios serão condenados e os que confiam no Senhor serão resgatados! Este resgate aconteceu na cruz do Calvário, onde nosso Senhor derramou Sua alma para resgatar a nossa!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0326 - LOUCOS POR CAUSA DE CRISTO?

 


Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis” (1Co 4.10).


É muito comum ouvir de alguns crentes a frase do início deste versículo: “Nós somos loucos por amor a Cristo”... e com isso justificam muitas loucuras mesmo, feitas em nome do evangelho. Há muito tipo de aberrações feitas no meio das igrejas evangélicas, usando erradamente o sentido deste versículo, que iremos ver agora.

O contexto dos 4 primeiros capítulos desta carta diz respeito à divisão que existia na igreja de Corinto, onde grupinhos se repartiam, alegando pertencer a algum líder, fosse Paulo, Apolo, Pedro ou até mesmo Cristo. Paulo os repreende, dizendo, entre outras coisas, que eles eram apenas ministros (servos) de Cristo (v. 1).

No v. 6, Paulo admoesta aos coríntios que chamou a atenção deles para evitar que eles fossem além do que deveriam, assim como os próprios apóstolos. Ninguém deve se ensoberbecer por nada, pois tudo o que temos e somos vem de Deus (v. 7).

Do v. 8 ao 13, o apóstolo, na verdade, se utiliza de uma figura de linguagem conhecida como ironia, quando o escritor zomba de seus leitores. Como quando dizemos para alguém que é medroso, por exemplo, que ele é um exemplo de coragem, quando todo mundo sabe que é medroso. Paulo diz que os coríntios já estavam fartos e ricos, chegavam a reinar sem os apóstolos (v. 8), mas aí mesmo no v. 8 ele mostra que está sendo irônico, quando diz: “quem dera reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco”. Ele continua em tom de ironia até o v. 13.

Por isso, no v. 10, entendemos que o apóstolo, quando diz “nós somos loucos e vós sábios”, ele quer dizer exatamente o contrário. Como se dissesse: “até parece que nós somos loucos e vocês é que são sábios”... “até parece que nós somos fracos e vocês fortes”... e assim por diante. Paulo está apenas usando essa ironia para mostrar aos crentes daquela igreja o lugar verdadeiro deles. E o objetivo é para que eles aprendam a não se orgulhar. Como Paulo conclui no v. 14: “Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados”. Com uma palavra dessa, os coríntios deviam ter ficado envergonhados!

Não use esta frase para cometer tolices e idiotices em nome de Cristo, como muitos já o fazem vergonhosamente. Ela não quer dizer que Cristo deseja seguidores loucos. Pelo contrário, se com isso Paulo quis dizer que os loucos eram os coríntios, e de fato foi isso que ele quis dizer, então essa é uma atitude condenável e não louvável. Cristo quer seguidores humildes, sóbrios, que saibam se posicionar dentro daquilo para o que foram chamados e não loucos desvairados que escandalizam Seu santo nome por aí.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

segunda-feira, 8 de abril de 2024

REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0325 - O LIVRO DA NOSSA VIDA, O MAL E A GLÓRIA DE DEUS

 


Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139.16).


Desde cedo, a gente aprende que Deus está escrevendo tudo o que a gente faz. As crianças são ensinadas (e às vezes até amedrontadas) que Deus tem um anjo escrevendo tudo o que a gente faz num livro e depois passa o relatório para Ele. Nada mais longe da realidade... aliás, é o exato oposto da realidade.

O texto de hoje nos fala de maneira clara que foi exatamente o contrário: Deus escreveu no livro todos os nossos dias, antes que qualquer um deles existisse! E o salmista ainda enfatiza: “cada um deles escrito e determinado”! Não há como fugir da clareza deste versículo. Tudo que acontece na vida de cada pessoa no universo foi determinado por Deus. Dizer o contrário disso é dizer que há forças que fazem coisas acontecerem que Deus não domina.

Quando falamos sobre isso, logo vem à mente humana a questão do mal, das coisas ruins que acontecem todos os dias e logo as pessoas concluem que Deus não pode ter ordenado isso. Mas não é isso que encontramos na Bíblia. Jeremias disse: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?” (Lm 3.37,38).

Entretanto, Deus não decreta o mal como um pecado brotando de dentro dEle, pois Ele é bom e dEle procede toda boa dádiva e todo dom perfeito (Tg 1.17). Tudo que vem de Deus é bom, Ele não pode pecar. Deus decreta o mal, mas as criaturas que Ele decretou que pratiquem o mal é que cometem pecado. Não Deus. Quando os irmãos de José o venderam, ele ficou escravo e prisioneiro no Egito por 13 anos, ou seja, Deus decretou o mal, mas quem pecou foram os irmãos de José. Porém Deus transformou aquele mal em bem, quando elevou José ao trono e salvou seus próprios irmãos que o venderam (Gn 50.20)!

Alguém pode dizer que não foi Deus que decretou aquele mal. Foi quem, então? Há alguém mais poderoso ou igual a Deus, para concorrer com Ele nos acontecimentos do universo? Houve inclusive um mal maior que esse e maior que todos os males, que foi decretado por Deus, o maior mal que já existiu na história da humanidade, a morte de Seu Filho, e em At 4.27,28 diz que foi Deus quem o decretou. Deus decretou este mal, mas os homens o executaram com a perversidade proveniente de seus próprios corações. Mesmo assim, dali, Deus retirou o maior bem, que é a nossa salvação! Deus decretou aquele mal, mas não mandou ninguém matar Seu Filho. Aliás, se Deus mandasse, logo não seria pecado. Ao contrário, pecado seria desobedecer e não matar. Ou seja, há uma diferença entre o que Deus decreta e o que Ele manda; um fala de Sua vontade decretiva e outro de Sua vontade preceptiva; vontade oculta e vontade revelada; Seu desejo soberano e Seu desejo moral para Suas criaturas. Na vontade oculta, Deus estabeleceu a morte de Jesus, inclusive as pessoas que iriam matá-lo (Ap 13.8). Mas na vontade revelada ou moral para os homens, Deus proíbe o assassinato (Êx 20.13)! Aqueles homens quebraram a lei de Deus por seu pecado, mas estavam cumprindo os decretos eternos de Deus! Nosso Deus cumpriu Seus decretos por meio do mal que Ele mesmo estabeleceu, porém, usando homens pecadores e desobedientes à Sua lei para cumprir tudo isso.

Todas as coisas que acontecem na nossa vida, sejam boas ou ruins, foram determinadas por Deus desde sempre, para que através disso, seja o bem ou o mal que vier nos acontecer, os bons planos do Senhor sejam mostrados e Seu nome glorificado. As coisas não têm que ser boas para nós, elas têm que glorificar a Deus. Somente quando Deus é glorificado é que tudo é bom. E todas as coisas hão de glorificar a Deus, até as mais improváveis, como disse o salmista: “Até a ira humana há de louvar-te; e dos resíduos das iras te cinges” (Sl 76.10).

Sua vida não é um acaso, não é um livro que está sendo escrito, muito menos por você. Deus não joga dados nem deixa o destino do homem em sua mão. Ele já fechou a última página de nossas vidas com a capa final. Todas as coisas têm um propósito e, se Deus te chamou para Seu bom propósito, então tudo o que acontecer com você irá cooperar para seu bem eterno, para que Deus seja glorificado, porque é isto que vai acontecer (Rm 8.28)!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson