REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0854 - QUAL É SUA REAL NECESSIDADE?

 


“O que queres que eu te faça? E ele disse: Senhor, que eu possa receber a minha visão” (Lc 18.41).


Muitas pregações que temos ouvido acerca do cego Bartimeu colocam nesta pergunta de Jesus a ele uma espécie de cheque em branco, para que Bartimeu pedisse o que bem quisesse a Jesus. Mais ou menos como Deus falou com Salomão, quando este iniciou seu reinado sobre o povo de Israel: “Pede o que queres que eu te darei” (1Re 3.5).

Na realidade, Lucas coloca o episódio do cego logo depois de uma palavra que Jesus disse a Seus discípulos e eles não entenderam. Jesus disse que seria entregue aos gentios, seria escarnecido, humilhado, açoitado e morto, mas que ressuscitaria ao terceiro dia. Veja então o v. que vem logo antes do episódio do cego: “E eles não entendiam nenhuma dessas coisas; e esta palavra lhes era encoberta, e eles não entenderam as coisas que foram faladas” (Lc 18.34).

Quando Lucas conta a história de Bartimeu, na verdade, ele está querendo mostrar como os discípulos também eram espiritualmente cegos para as realidades das Escrituras. Inclusive, antes destas palavras de Jesus, o que Lucas nos conta é que um jovem rico havia se aproximado de Jesus para saber sobre como poderia adquirir a vida eterna. Para a surpresa dos discípulos, uma pessoa rica estava ficando fora do reino, algo inconcebível para eles!

Ora, se um homem contemplado por Deus com as riquezas não podia ser salvo, pois não teve coragem de abandonar tudo por amor a Cristo, então o que seria dos demais? Pedro então se antecipou: “Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos” (v. 28). De fato haviam deixado e de fato seriam recompensados por isso. Entretanto, sua cegueira permanecia. O Filho do homem não teria um reino terreno para eles, ao contrário, seria entregue aos gentios, escarnecido, humilhado, açoitado e morto! Isso não estava patente aos olhos dos discípulos. Eram como Bartimeu!

Lucas chega ao cerne do evangelho quando diz que o cego clamava por misericórdia (vs. 38,39). É somente pela misericórdia de Deus que podemos ser salvos! Quando Jesus pergunta a ele o que ele queria que Jesus lhe fizesse, a sua resposta revela a resposta do pecador diante do evangelho. Ele tem que ir à premissa básica de seu problema. Quando o cego diz: “Senhor, que eu possa receber a minha visão” (v. 41), ele está compreendendo seu real problema.

Bartimeu não precisava de dinheiro, posses, fama, prazeres, ainda que tivesse falta de tudo isso. Ele precisava ver! Todas estas coisas, caso lhe fossem dadas, estariam em seu poder por algum tempo e Jesus iria embora sem que ele O tivesse visto! O que lhe adiantaria? Oh! Eu tive toda riqueza que desejei, mas não vi Jesus, que passou em minha rua!

Não somos todos assim? Somos cegos justamente por não reconhecermos a nossa real necessidade! O pecado nos cegou! O pecado nos paralisou em densas trevas! E agora? Que queremos que a misericórdia do Filho de Davi nos faça? Deixe-me imóvel, só satisfaça minhas cobiças, ou não me dê nada mais do que minha visão, é só disso que preciso?

Não foi à toa que, voltando a ver, Bartimeu “O foi seguindo, glorificando a Deus” (v. 43). Sem ver a Cristo, Ele só lhe parecia o Filho de Davi, mas depois de curado e salvo, Ele contempla o próprio Filho de Deus!

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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