REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0844 - CONFRONTAÇÕES ESPIRITUAIS

 


“A primeira pessoa a apresentar sua causa sempre parece ter razão, até que outra pessoa venha à frente e defenda sua tese” (Pv 18.17 – KJA).


Nós temos a tendência de acreditar naquele primeiro que se aproxima de nós para contar sua versão dos fatos, principalmente se for nosso amigo. Com isso perdemos grandes oportunidades de fazer um bom juízo de muitas causas que chegam a nossos ouvidos. O próprio v. 13 diz: “Quem responde antes de ouvir comete grande tolice e passa vergonha”! Isso se refere não só a não ouvir por completo aquele que fala, como também não ouvir a outra parte.

Os anciãos de Israel eram proibidos de julgar uma causa sem primeiro avaliarem ambas as partes. Aconteceu com o próprio rei Salomão, a famosa causa das prostitutas que tinham filhos bebês. Embora ele tenha ouvido ambas as partes, a situação não ficou clara para um veredito. E, na ausência de um exame objetivo, como o DNA, por exemplo, o sábio apelou para um exame subjetivo, a compaixão materna e, com isso, resolveu a causa.

Aos líderes da igreja de Cristo também é temerário tomar partido sobre determinado assunto sem ouvir o outro lado, quando se trata de situações que envolvem dois pontos de vista distintos. Ouvir a outra parte não quer dizer que ficará clara a compreensão para um veredito incontestável, mas certamente trará maior discernimento. Tanto é que Paulo ordena a Timóteo que não aceite “acusação contra um presbítero, se não houver mais duas ou três testemunhas” (1Tm 5.19).

Em muitos casos, torna-se necessário até mesmo um confronto pessoal entre as partes. Colocar o reclamante frente a frente com aquele de quem ele reclama poderia resolver mais da metade dos problemas de contenda e fofoca na igreja mesmo antes de os rumores começarem a se espalhar, pois, em geral, os reclamantes não gostam de confronto.

Uma outra dificuldade em resolver problemas de confronto é que muitos que relatam os problemas não querem se comprometer em fazer parte da acareação. Funciona mais ou menos assim: eu falei, mas não me chame para sustentar o que eu disse. Ou: não diga para fulano que quem falou foi eu.

Assim, em uma igreja, por exemplo, todo mundo sabe de um assunto, mas ninguém comenta sobre ele. Na verdade, o tal assunto deveria ser resolvido e não divulgado. Mas tudo isso acontece porque as pessoas não são maduras o suficiente para encararem situações de correção em que elas precisam ser testemunhas para o bem do seu irmão.

Todos fomos chamados para fazer parte de um corpo espiritual, a família de Deus. Somos irmãos e o que dizemos uns aos outros, ainda que em confronto, é para o crescimento mútuo e aperfeiçoamento dos santos. Um irmão que fica com raiva de outro que o confrontou, ainda não cresceu na fé, bem como aquele também que tem receio de confrontar. Porém, os crentes fortificados tanto recebem como fazem o confronto em alegria e gratidão uns para com os outros, pois fazem isso para a glória de Deus e para a honra de Sua igreja.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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