“Por que razão despreza o ímpio a Deus, dizendo no seu
íntimo que Deus não se importa?” (Sl 10.13).
A pergunta do salmista aqui no início deste salmo é uma pergunta de gente um tanto impaciente na oração, por não entender a distância e o sumiço de Deus nas horas em que ele mais precisa (v. 1). Ele salienta três características do ímpio nesta oração. Ele tem arrogância (v. 2), cobiça na alma (v. 3) e soberba (v. 4).
Na arrogância, o que o ímpio faz? Ele persegue o pobre. Pobre aqui não é gente sem recurso financeiro. É um erro interpretar os livros poéticos assim. Davi disse que era pobre e necessitado (Sl 40.17), mas sabemos como ele tinha riquezas! A KJA traduziu como “indefeso”. Este é um sentido mais apropriado à linguagem figurada dos livros poéticos.
Na sua cobiça ou ambição, o ímpio maldiz o Senhor e blasfema contra Ele. Não é exatamente o feitio dos ricos incrédulos dizerem que não foi Deus quem os enriqueceu? Eles dizem que seu deus é seu dinheiro ou seu trabalho. Típico do amante do dinheiro.
Já em sua soberba, o ímpio não raciocina, diz o v. 4. A única cogitação de sua mente é que Deus não existe. Mais uma vez, a Bíblia afirma que a negação da existência de Deus é tolice e não ateísmo (Sl 14.1). O homem só pode negar a existência de Deus por palavras, jamais de outra forma. Ainda assim, estas são tolas.
Era de se esperar que tais ímpios com este comportamento fossem logo eliminados ou punidos, no entanto, não é o que o salmista vê. Ele diz no v. 5 que eles têm sucesso em seu negócio; diz também que a lei de Deus está acima da compreensão deles. Esse é o resultado óbvio. Quando a Palavra de Deus está inalcançável ao coração do pecador, este se esbalda no lixo de sua iniquidade e põe a sua confiança no seu sucesso.
A boca deles está cheia de fraudes, maldições e ameaças, violência e todo tipo de maldade (v. 7). Está como um animal selvagem, à espreita, para realizar seus maus intentos e, no seu pensamento, a vaga lembrança de Deus não o ameaça em nada: “Deus se esqueceu; escondeu seu rosto e nunca dará atenção a isto”, diz ele (v. 11).
A asneira do ímpio em raciocinar erradamente sobre Deus, não impedirá que Deus exerça sobre ele o Seu justo juízo. Deus vê o sofrimento e a dor (v. 14). Ele quebrará o braço do ímpio e pedirá contas de sua crueldade (v. 15). Uma vez que o Senhor reina eternamente, nenhuma nação poderá subsistir diante dEle (v. 16)! Ele ouve a oração do oprimido e lhe fortalece o coração, atendendo seu clamor (v. 17).
Curioso como o ímpio diz em seu coração que Deus não
existe... pois quando Deus o destruir, exatamente esta será a pergunta: onde
está aquele que dizia que Deus não existe e não Se importa? Como dizia
Nietzsche, que Deus morreu; mas algum tempo depois, Deus, que continua vivo,
diz: “quem foi mesmo que morreu”?
Día tes písteos.
Pr. Cleilson
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