A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - PARTE 09

 


E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6.13).


Na oração dominical, aprendemos não somente que o Pai é nosso, o pão é nosso, as ofensas são nossas, mas as tentações também são nossas. Agora, de Deus é a paternidade, de Deus são os céus, dEle é a santidade do nome, de Deus é o reino (bem como o poder e a glória para sempre) e de Deus é a vontade.

Ora, se a vontade é de Deus e oramos para que ela seja feita aqui como é feita lá, então isso significa que, embora peçamos o pão de cada dia, Ele nos dará se Ele quiser; nossas dívidas, Ele também não é obrigado a perdoar; e quanto a conduzir-nos à tentação? Jesus nos ensina a pedir que Ele não nos leve até lá, mas, como a vontade é dEle, Ele pode ou não nos conduzir à tentação!

O próprio Jesus foi conduzido “pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1). Se era Deus que iria tentar Jesus, isso não. Mas que Ele O levou para dentro da tentação, isso sim. A palavra grega significa exatamente isso, “não nos leve para dentro da esfera da tentação” (a versão Atualizada traduziu mal o termo grego). Entretanto, às vezes Deus nos levará. Ele não nos ordenará que pequemos, até porque qualquer coisa que Deus ordene não é pecado, porque Ele ordenou. Será pecado se não fizermos. Mas que Ele às vezes leva para dentro dessa esfera, isso é claro em toda a Bíblia.

O exemplo de Abraão nos servirá aqui. Na versão Corrigida, lemos que Deus tentou a Abraão (Gn 22.1). Não há diferença nas palavras gregas e hebraicas para “tentação e provação”. O que aconteceu ali foi uma oportunidade, um teste. Ou Abraão pecaria ou ele venceria. Ele começou vencendo quando obedeceu. Se ele tivesse procurado livrar seu filho Isaque daquele sacrifício, já começaria seu teste pecando, pois estaria indo contra uma ordem de Deus. E se, por outro lado, Deus não interferisse e ele finalizasse o sacrifício, ele estaria obedecendo e não pecando, ainda que matando seu filho, pois quem mandou foi Deus.

Assim, tentação não é o que Deus manda, mas para onde Ele às vezes nos leva. Paulo disse aos coríntios: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (1Co 10.13). Isso mostra três coisas: que as tentações são humanas, que elas não nos sobrevêm além do que podemos suportar e que o escape, Deus dá junto com elas. Portanto, Deus nos dá tentações sim. Ele apenas não nos tenta.

Tiago nos diz que as tentações provêm de nós mesmos, dos desejos maus que já temos dentro de nós (Tg 1.14). Neste caso, não podemos culpar o diabo pela nossa queda. Tampouco podemos culpar a Deus. Nós somos responsáveis pelo resultado do teste em que fomos colocados. Deus nos livra do maligno externo, mas como nos comportamos com o maligno interno que há dentro de nós?

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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