“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos
perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12).
Pedir perdão a Deus em nossas orações é uma parte das súplicas que fazemos a Ele. É chamada de “confissão de pecados”. A doutrina atual da hiper graça diz que não precisamos pedir perdão a Deus de nada, visto que Jesus morreu por nós e já nos justificou de todos os pecados. Porém, é um confronto total e aberto contra a oração que nosso Senhor nos ensinou. Podemos e devemos pedir perdão a Deus pelos nossos pecados.
É certo que os que creram em Cristo já foram justificados e também é certo que a justificação ocorre uma só vez e de uma vez para sempre. Entretanto, em nossa caminhada do lado de cá do céu, realmente sujam-se nossos pés e precisamos lavá-los. Foi o que Jesus ensinou aos discípulos quando lhes lavou os pés (Jo 13).
O ensino foi que “quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo” (v. 10). “Quem já se banhou”, refere-se à justificação, que acontece só uma vez; mas a segunda frase, “não necessita de lavar senão os pés”, refere-se à santificação, a qual é um processo e inclui sim, pedir perdão a Deus nas orações, assim como Jesus ensinou.
O pedido de perdão a Deus na oração tem um paralelo, a saber, “assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Na verdade, esse paralelo é um teste para sabermos se nós fomos de fato perdoados por Deus. Todo aquele que perdoa a seus ofensores aqui na terra, é porque foi perdoado por Deus e reconhece a divina graça dessa dádiva. Quem não perdoa a quem lhe ofendeu, ou não foi perdoado por Deus, ou não entendeu o perdão que dEle recebeu!
Quem não perdoa a seus ofensores, não poderia ter coragem de se aproximar de Deus para Lhe pedir perdão. É uma inversão afrontosa a Deus. Ele, que é impecável e nunca errou, nos perdoou, por que nós, pecadores, que erramos uns com os outros (e com Ele também) negaríamos o perdão entre nós?
Há um ditado popular que as pessoas repetem, dizendo que o perdão é só Deus quem pode dar. Porém, Jesus está dizendo que, uma vez que fomos perdoados por Ele, devemos também perdoar nosso próximo e mais, pedir ao próximo perdão, quando o ofendermos.
Tanto é assim, que Jesus encerra a oração do Pai Nosso com a seguinte aplicação: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (vs. 14,15).
Deus é um Deus de perdão. Se você O chama de Pai, saiba que
é “nosso”, ou seja, temos irmãos. E nos arranhões que temos entre nós, deve
haver perdão mútuo, caso contrário, não somos filhos deste Pai perdoador e,
portanto, Ele também não nos perdoará! Você sabe qual é o destino eterno de
quem não perdoa?
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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