“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11).
Existe uma tendência em nossas orações, ora de sermos pidões, ora de sermos piedosões. Tem momentos que pedimos demais e tem outros momentos que não pedimos nada. Em certos instantes achamos que só devemos pedir e em outros achamos que é errado pedir. Jesus, porém, nos ensina o equilíbrio: o pão de cada dia.
Algumas coisas precisam ser estudadas nesta frase da oração dominical. Primeiro, sobre o pão. Jesus está falando de necessidades básicas. O pão sempre representou a necessidade mais básica da sobrevivência humana. O pão é o alimento básico e simples, porém universal. Jesus não nos proíbe pedir, mas ao falar “pão”, Ele nos ensina sobre modéstia e simplicidade.
Quando o crente reconhece que tudo nele deve ser para que o nome de Deus seja santificado, ele não é ambicioso no pedir. Sua satisfação e plenitude estão em Deus e não nas coisas que de Deus pode receber. Paulo disse: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6.8).
Em segundo lugar, Jesus diz que o pão, assim como o Pai, é “nosso”. Este pronome no plural revela que não devemos ser egoístas no pedir. Devemos também orar por nossos irmãos. O pão não é meu, é nosso. Não sou só eu que tenho necessidades. Meus irmãos também têm. E quando o Senhor me supre, quem sabe Ele esteja me suprindo para que eu também socorra a meus irmãos?
Ainda sobre esse ponto, devo aprender também a receber de meus irmãos. Devo aprender a ser socorrido e não apenas a socorrer. Embora a ordem bíblica seja para que o princípio do socorro deva partir de nós, todavia, não devo me recusar a ser auxiliado. Há crentes com espírito orgulhoso de não receber ajuda. Ainda pensam que isso é uma virtude. No reino de Deus não é. Ao contrário, é pecado e precisa ser corrigido.
Em terceiro lugar, Jesus diz que este pão também é “de cada dia”, ou seja, é o bastante para o momento. Ele está lembrando do maná no deserto para o povo de Israel. Eles não podiam colher mais do que a quantia adequada para sua família no dia. Eles tinham que confiar que o Senhor proveria para o dia seguinte. Os que desconfiaram do Senhor foram envergonhados (Êx 16). Nós temos um costume de fazer compra para o mês, ou semana. Culturalmente não é errado, mas será errado se tivermos medo da falta.
Este ensino é confirmado pela frase final “dá-nos hoje”,
isto é, dizemos a Deus que confiamos nEle a tal ponto que não nos preocupamos
com o amanhã. Grandes são os ensinamentos que “o pão nosso de cada dia”
nos traz. Tanto que Jesus finaliza o cap. 6 dizendo: “Portanto, não vos
inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao
dia o seu próprio mal” (v. 34). Assim como cada dia traz seu próprio mal, a
cada dia também nosso Pai cuida de nós!
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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