“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos
céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).
Se, por um lado, Deus como Pai é um Deus imanente, por outro lado, a frase “que estás nos céus” mostra-O como transcendente. Neste terceiro aspecto da oração dominical, o que Jesus quer que entendamos é esse paradoxo, essa aparente contradição. Deus é Pai, sim, daqueles que confessam o nome do Seu Filho Jesus Cristo. Por meio de Cristo, o Pai nos dá a liberdade de chamá-lo de Pai e de nos aproximarmos de Sua santa presença.
Porém, esta liberdade não pressupõe irreverência. Não é porque Deus é nosso Pai, que podemos achar que nosso tratamento ou relacionamento com Ele seja desprovido de temor e tremor! Ele é Pai sim, não por direito nosso, mas unicamente por iniciativa dEle mesmo. E, para que não haja confusão em nossa mente perversa, logo vem a sentença “que estás nos céus”! Aqui, devemos parar e curvar nossas frontes diante de Sua grandiosa majestade!
O salmista declarou: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). Este verso demonstra com simplicidade a absoluta soberania de Deus. Primeiro, mostra para nós Seu lugar, o céu. Depois nos revela Sua liberdade poderosa, Ele faz o que agrada a Si mesmo e não a qualquer de Suas criaturas. É óbvio que Deus, por ser onipresente, está em todo lugar. Mas quando a Bíblia diz que Ele está no céu, é um alerta severo para nós, que nos convoca ao mais digno e temível respeito por Sua grandeza e majestade!
Quando o sábio pregador desejou salientar a prudência que devemos ter ao expressarmos quaisquer palavras diante de Deus, ele logo avisou: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras” (Ec 5.2). Também o próprio Deus, por meio de Isaías, disse que os pensamentos dEle não são os nossos. Há um hiato intransponível entre ambos, a distância entre o céu e a terra (Is 55.8,9)!
O autor aos Hebreus, ao nos ensinar sobre a liberdade que adquirimos em Cristo para nos aproximar de Deus com o coração cheio de fé (Hb 4.16), ele também advertiu que devemos fazê-lo com muito temor, “porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29).
Jesus Cristo, com Sua sabedoria insondável, colocou esta frase na oração do Pai nosso. Toda liberdade que temos, todo acesso que Ele nos concedeu à divindade por meio da fé nEle, o privilégio da adoção de filhos por meio do Seu Espírito, tudo isso não nos dá a menor desculpa para tratarmos Deus como nosso igual.
Temos visto isso hoje, em pregações, em cânticos, em teatros
e muitas outras apresentações no meio cristão. São canções dizendo que você vai
vestir o casaco de Deus, calçar o chinelo dEle, dançar com Ele na praça, são
pregações dizendo que Deus escreve e você apaga, que você é o centro da paixão
de Deus, teatros mostrando o diabo vencendo Jesus, mas isso não passa de um
desrespeito imenso ao Deus que está nos céus! Ele é seu Pai, mas bem antes
disso, Ele é Senhor e está nos céus!
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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