A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - PARTE 02

 


Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).


Se a primeira palavra da oração dominical (o substantivo “Pai”) refere-se à nossa relação íntima na vertical, a segunda palavra (o pronome “nosso”), por sua vez, diz respeito à nossa comunhão na horizontal, isto é, com nossos irmãos. Deus não é Pai meu e sim Pai nosso! Há, obviamente, uma relação sua pessoal com Deus como Pai, no entanto, essa relação não isola você de uma sociedade de crentes como você.

Apenas Jesus, como Filho legítimo de Deus podia dizer como disse a Maria Madalena: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). Somente Ele pode dizer que Deus é Pai dEle de um jeito e nosso de outro. Já entre nós, não podemos. Deus é Pai de todos nós, os que cremos, de uma mesma forma, por meio da fé em Cristo.

Atualmente, temos encontrado uma gama de pessoas que se dizem filhas de Deus, porém, isoladas da comunhão da igreja. Elas alegam comunhão na vertical e têm verdadeira rejeição à comunhão horizontal. Para tais pessoas, a oração devia se chamar a oração do “Pai Meu”. Entretanto, o ensino do Senhor nega isso veementemente. Se é Pai nosso, é porque temos irmãos; e se temos irmãos, devemos viver em família.

Paulo diz que quando Deus nos amou na eternidade, Ele nos predestinou, “para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). Cristo abriu mão de Sua filiação única, para repartir Sua herança com muitos irmãos que Ele resgatou com Seu sangue. Ele deixa de ser unigênito para ser primogênito. Por meio de Cristo, Deus passa a ter muitos filhos semelhantes a Ele.

É nesta comunhão que a igreja foi formada. E a igreja deve preservá-la. Paulo disse aos efésios que eles deviam se esforçar “diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3). Por haver somente um corpo (v. 4), não tem como alguém ter comunhão com Deus sem ter comunhão com este corpo.

Esta unidade é uma cadeia: é um corpo (a igreja) em um Espírito (que é o Espírito Santo), chamados em uma só esperança da vocação. Estes chamados estão debaixo de um só Senhor (que é Jesus), professam uma só fé (que é a fé evangélica) e um só batismo (que é a única identificação com Cristo). Somente dessa forma é que um só Deus é “Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (v. 6). Sem esta unidade no corpo, você não pode chamar Deus de Pai nosso, muito menos de Pai meu!

Portanto, se a oração dominical não te leva a ser um com a igreja, automaticamente também não te leva a ser um com Deus. Isso é uma admoestação não apenas para os que não congregam, mas também para os que congregam com desprezo a seus irmãos. Repense sobre isso.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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