“Ó Deus, ouve minha oração, dá ouvidos às minhas palavras”
(Sl 54.2 – A21).
Dentre vários objetivos da oração, inclui-se o derramamento de espírito perante Deus. Quando a alma está angustiada, o ser humano fica à mercê de opções muitas vezes perturbadoras e desastrosas. Mas nada como derramar-se diante de Deus quando o espírito está aflito, até mesmo torturado.
Muitos incrédulos, inimigos da fé cristã, criticam os cristãos, julgando-os fracos, uma vez que, segundo eles, usam da oração como uma fuga da realidade, em vez de encarar os fatos trágicos da vida. Mas buscar a Deus nesses momentos nada tem a ver com fuga da realidade, como supõe a filosofia existencialista. O amparo em momentos difíceis é algo buscado por qualquer pessoa sensata que está sofrendo, inclusive os próprios críticos, quando buscam psicólogos.
A diferença é que o existencialismo não vai dar resposta alguma, porque ele não tem. Já a Bíblia tem a resposta para as crises do homem e o cristão sabe que a oração é um dos recursos disponíveis. Em momento algum a Bíblia orienta o sofredor a fingir que não está sofrendo, assim como fazem algumas filosofias de vida e religiões orientais, que negam o sofrimento, a dor, o pecado, a culpa, etc. O cristianismo reconhece a existência do sofrimento e é a única religião que lida com sinceridade diante dele.
Na oração é que o crente encontra a força necessária para passar pelas aflições de sua alma. Ele se lembra de Jesus, que também orou em Sua angústia e, quando saiu da oração, não fugiu da aflição, antes, teve a força necessária para encará-la. O crente também não nega o sofrimento, tampouco se desilude diante dele, mas na oração, encontra a força precisa para encarar tudo em sua realidade, porém, sem perder a esperança.
A alegria e a paz que invadem a alma do crente no momento ou após a oração é algo indescritível e invejável, de tal modo que os críticos chamam isso de indiferença (ataraxia estoica). Mas não é. A paz é resultado da confiança. É saber que a noite escura que sua alma atravessa, dará lugar a uma manhã brilhante e sorridente.
Não despreze o caminho da oração. Obviamente essa prática
não é um exercício de meditação ou de distração de sua mente para outra
realidade. A oração sobre as angústias da vida é um desabafo, uma conversa e
até, quem sabe, um pedido de socorro ao único que nos conhece de verdade. Tudo
mais é conjectura e suposição. Através da oração, você experimenta pessoalmente
o Deus que você lê na Bíblia muitas vezes teoricamente. Derrame sua alma
perante Deus, busque a oração. Ela pode não mudar sua situação, mas certamente
mudará você para encarar sua situação.
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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