Ninguém pode negar as desgraças terríveis que acontecem no mundo. Não me refiro aos desastres assim chamados “naturais”, que de natural não tem nada, senão que são fruto da Queda, onde a criação ficou “sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou” (Rm 8.20). Refiro-me, antes, aos males provocados pela maldade dos seres morais criados por Deus, porém em seu estado caído – tanto anjos, quanto homens.
Ninguém pode negar que tais anjos caídos tenham realmente influência e também muita responsabilidade no mal que acontece no mundo entre os homens. Eles são demônios, são tentadores, são destruidores em sua natureza caída. Nada têm de bom, senão que perderam toda sua bondade na ocasião de sua queda, quando “não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio” (Jd 6). O poder deles permanece como sempre foi, claro, controlado por Deus. A única coisa que perderam foi sua bondade.
Entretanto, os homens também são maus! Este é o diagnóstico bíblico. Não são tão maus quanto podem ser, isto é, não são como os demônios. Deus ainda preserva no homem, mesmo caído, um pouco de Sua imagem e semelhança. Mas os homens estão caminhando para pior. A graça restritiva de Deus sobre o homem vai se afastando com o caminhar das coisas para seu tempo do fim. E assim, a humanidade piora.
Nesse ponto da nossa reflexão, precisamos entender uma coisa: nem sempre as maldades que nos acontecem são provocadas pelos demônios. Devemos assumir nossa maldade tanto no que outros provocam sobre nós, como naquilo em que provocamos sobre outros. Tiago diz que “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (1.14).
Como exemplo, Davi foi seduzido por seu grandioso exército e resolveu numerá-lo (1Cr 21.2). Satanás o incitou a isso sim, mas Davi não sabia da operação espiritual por trás de sua maldade humana. Foi orgulhoso e, pela primeira vez, confiou em seu exército, algo que ele jamais fizera! Quando Deus puniu a nação por causa disso, Davi não procurou um culpado. Ele não jogou a culpa no diabo, como os crentes fazem hoje. Ele assumiu a responsabilidade de seu mal, pelo que “disse Davi a Deus: Muito pequei em fazer tal coisa; porém, agora, peço-te que perdoes a iniquidade de teu servo, porque procedi mui loucamente” (v. 8).
Não jogue a culpa no diabo, até que você tenha plena
revelação vinda de Deus para saber disso com certeza e propriedade. Jogar a
culpa nos seres espirituais por nossas maldades humanas é fugir da
responsabilidade, não admitir o pecado e, como consequência, não haverá
arrependimento. Onde há desculpa furada não há arrependimento verdadeiro. E onde
não há arrependimento, não há perdão. Pode até ser obra maligna, mas até saber
disso, assuma suas loucuras e peça perdão a Deus.
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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