“Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração
para crer tudo o que os profetas disseram” (Lc 24.25).
A incredulidade tem sido o ponto principal da perdição do homem. Ela é um dos graves efeitos do pecado na mente do ser humano (o que os teólogos chamam de “efeitos noéticos do pecado” – noético vem do grego noos, que significa “mente”, não tem nada a ver com o patriarca Noé...). A mente do ser humano foi afetada pela Queda de modo que seu raciocínio se torna lento e tolo no que concerne a compreender espiritualmente a vontade de Deus.
Apesar de não compreender espiritualmente, o ser humano compreende intelectualmente a vontade de Deus. Tanto é que existem leis que são baseadas no código moral da Bíblia, ou seja, os homens sabem o que é certo e errado. Quando são confrontados com a lei de Deus, eles sabem que estão em débito, porque, intelectualmente entendem claramente a condenação.
Agora, no que diz respeito à fé, a mente dos seres humanos é totalmente cega e defeituosa. Ele não compreende que é somente pela fé que se agrada a Deus. Ele acha que tem que ter obras, alguns acham que têm méritos, outros não creem em absolutamente nada disso, enfim, a mente da humanidade é diversa nesse aspecto, embora nenhuma delas esteja correta.
Quando se lhes apresenta o que diz a Bíblia, a mente fechada e tola do homem rejeita, ainda que a Palavra seja a única resposta para sua situação maldita de condenação. O homem é tão arrogante no pecado, que prefere ser condenado pensando que está certo, a se humilhar diante do que diz a Bíblia para a sua salvação.
Quando Jesus repreende os dois discípulos no caminho de Emaús sobre sua incredulidade, Ele diz que eles são “néscios e tardos de coração para crer”. Veja bem, no que diz respeito a outras questões, o ser humano não é néscio nem tardo. Ele só é assim com relação a crer o que Deus disse por meio de Seus profetas. Veja que a incredulidade é um desafio direto a Deus.
As duas palavras, no original, significam que os incrédulos são “estúpidos e lerdos”! Jesus não está questionando a inteligência do homem. Mas no que concerne a crer na Palavra de Deus, eles são assim, tapados e lentos!
Mas há uma cura para essa burrice e lerdeza espirituais. De fato, o v. 27 nos diz: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras”. Eis aí a solução para a tolice e o retardamento espirituais. A exposição da Escritura! Somente a Palavra de Deus é o poder necessário para tirar o homem de sua irracionalidade e lentidão para crer. Curiosamente, a mesma Palavra de que ele duvida!
Jesus aplicou esse remédio naqueles dois discípulos de tal
modo cirúrgico, que depois eles “disseram um ao outro: Porventura, não nos
ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as
Escrituras?” (v. 32). Os homens de hoje não são curados dessa letargia
porque se ofendem com essa Palavra em vez de admitir sua própria impotência.
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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