REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0785 - DEUS SABE O QUE FAZ E QUANDO FAZ

 


Disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai” (Gn 16.2).


Havendo se passado 10 anos do chamado de Deus para Abrão e sua família, aconteceu um episódio de incredulidade por parte de Sarai, esposa do patriarca. Ela admitiu que era o Senhor quem a impedia de ter filhos. Sendo assim, ela tomou uma decisão que afrontou o Senhor. A preposição “pois” indica que ela estava lutando contra Deus. Como se dissesse: “Marido, visto que o Senhor não me deixa ter filhos, então tome minha serva”.

Sarai não estava no escuro. Ela não tinha que dar um salto de fé, como muitos pensam erroneamente sobre o que é fé. Hoje em dia, o falso ensino da prosperidade tem ensinado que ter fé é você agir em direção a algo que não existe, mas que você deseja, acreditando, determinando, confiando que Deus lhe dará e aquilo vai acontecer. Isso não é fé. Isso é um risco. Fé é você agir em direção a algo que não existe, sim (ainda), mas que Deus lhe prometeu. Esta é a diferença entre o que a Bíblia diz que é fé e o que os falsos pregadores dizem que é fé.

Sarai tinha a promessa de Deus, portanto, a ação dela foi de incredulidade. Se Deus não tivesse dito nada, não tivesse feito nenhuma promessa, ela poderia usar o recurso disponível na cultura da época, como mais tarde Raquel e sua irmã usaram para com Jacó, dando-lhe suas servas como barriga de aluguel para tirar filhos delas para si. Uma prática errada, certamente, mas utilizada na época antiga.

Mas Sarai tinha a promessa de Deus. Usar este recurso por julgar que Deus estava demorando cumprir Sua promessa era um ato de incredulidade e desafio a Deus. Era tentar controlar Deus. E diz o texto que Abrão anuiu ao conselho dela!

O resultado dessa afronta, como conhecemos o texto, foi o nascimento do patriarca do maior inimigo do povo de Israel até hoje, Ismael! Porém, além dessa consequência, lemos no cap. 17.1, que Deus só veio a aparecer e falar novamente com Abrão 13 anos depois! O patriarca da fé amargou 13 anos de silêncio da parte de Deus por ter agido com incredulidade! Deve ter sido duríssimo para Abrão ver Ismael crescendo em sua tenda, anos se passando, Deus em silêncio e ele olhando para o garoto, sabendo que era por causa de sua própria incredulidade!

Se era Deus quem impedia Sarai de ter filhos e, se esse mesmo Deus lhe havia feito uma promessa, essa atitude foi incrédula e desafiadora, mostrando que, se Deus não faz, então eu faço! Uma afronta, chamando Deus de mentiroso ou retardado! Não foi à toa que, quando Deus apareceu novamente para Abrão, depois de 13 anos, a palavra que lhe disse foi: “anda na minha presença e sê perfeito”!

Diante das lições deste episódio, será que não há inúmeras coisas, ainda que legítimas, que fazemos aqui, que também se constituem uma afronta a Deus e incredulidade às promessas de Sua Palavra? Não tente ajudar a Deus. Ele sabe o que faz e quando faz.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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