REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0781 - A RECOMPENSA DO JUSTO E O CASTIGO DO ÍMPIO


O justo é libertado da angústia, e o perverso a recebe em seu lugar” (Pv 11.8).


A teologia do Antigo Testamento tem um conceito de justo um tanto diferente do conceito que aprendemos com a teologia paulina. Em especial, nos livros sapienciais, o conceito de justo é sempre colocado em contraste com o perverso ou o ímpio. É assim desde o livro de Jó, que se queixa de sofrer as punições dos ímpios, sendo ele justo, até os contrastes feitos nos salmos e nos provérbios entre ambos.

Na visão veterotestamentária, o justo deve receber suas recompensas, porque, afinal, é uma pessoa do bem, que pratica a lei de Deus. Não que o justo seja visto como impecável, mas como alguém que procura fazer a vontade de Deus em todas as áreas da sua vida. Já o ímpio ou o perverso é visto como aquele que afronta a Deus, zomba de Sua lei e persegue o justo. Por conta disso, deve receber a devida punição.

Outra característica da teologia da antiga aliança, principalmente dos sábios de Israel sobre esse tema “justo-ímpio”, é que as esperadas recompensas e punições, respectivamente, devem recair sobre cada um deles ainda nesta vida. O justo precisa ser recompensado e o ímpio castigado enquanto vivem, para que a honra de Deus não seja manchada. Por isso, o provérbio que lemos no início:  “O justo é libertado da angústia, e o perverso a recebe em seu lugar”.

O fato de que nem sempre isso se dá, aliás, na maioria das vezes isso não se dá, ou seja, não vemos os justos sendo recompensados aqui, muito menos os ímpios sendo castigados, levou muitos servos do Senhor, na antiguidade, a questionarem sua própria teologia acerca da justiça. Jó reclamou disso no cap. 21, Asafe no Salmo 73, Jeremias no cap. 12 e assim por diante.

Pela teologia do Novo Testamento, entendemos que essas coisas serão finalmente resolvidas no Dia do Juízo. Mas, antes que Deus leve essas questões para o Tribunal Final, Ele fez algo extremamente surpreendente! Ele fez com que o perverso fosse libertado da angústia e o Justo a recebesse em seu lugar! Isso foi lá no Calvário, quando o Filho justo de Deus, para libertar ímpios como nós, assumiu toda nossa angústia, a que íamos sofrer eternamente no Juízo Final!

De fato, o perverso há de receber suas devidas angústias. Mas a Bíblia diz que todos nós somos perversos! Todos nós iríamos recebê-las! Porém, o Justo Filho de Deus, por amor a nós, assumiu nossas angústias, para que, crendo nEle, sejamos justificados e assim recebamos a recompensa que Ele mereceu por nós! Podemos dizer o contrário deste provérbio: “Eu, perverso, fui libertado da angústia, porque o Justo a recebeu em meu lugar”! 

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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