REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0771 - O PERIGO DO CONFORTO ESPIRITUAL

 


Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” (At 8.1).


Uma vida cristã confortável leva geralmente a um comodismo despreocupado. A igreja de Jerusalém precisou sentir na pele uma grande perseguição para sair de seu estado de inércia para levar o evangelho às regiões mais externas.

Alguém já observou muito bem que At 8.1 não é só o inverso numérico de At 1.8, mas também o inverso das motivações. Em 1.8, Jesus disse que os discípulos seriam testemunhas em Jerusalém, Judeia, Samaria e confins da terra, mas deviam ser voluntariamente. Porém, em 8.1, o que vemos é uma igreja confortável em Jerusalém, uma igreja que crescia em número, agradável, comunitária, cheia de excelentes testemunhos, mas que não saía de Jerusalém – teve que chegar uma grande perseguição, para que a igreja cumprisse 1.8.

Observe que a perseguição os levou exatamente para a Judeia e Samaria, exatamente na mesma ordem que Jesus havia dito em 1.8! Observe, contudo, que todos foram dispersos, exceto os apóstolos! Mesmo com a perseguição, eles ainda ficaram em Jerusalém. Mas ficar em Jerusalém tinha um prazo – “até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49).

Eles já haviam sido revestidos do poder do Espírito, conforme se lê em At 2. Mas estava confortável continuar em Jerusalém. Por isso a perseguição: para que eles cumprissem a vontade de Jesus, que era partir com o evangelho para as regiões da Judeia, de Samaria e, evidentemente, até aos confins da terra.

Dificilmente a igreja fará a vontade plena de Deus se não tiver sobre ela um espinho, um incômodo, uma aflição. Entre vários propósitos que Deus tem com o sofrimento na vida da igreja, ainda aprendemos mais este, que é usar as dificuldades como combustível para que a igreja saia de sua inércia espiritual.

Temos claras experiências com isso, desde o nosso teste individual, como no teste coletivo. Individualmente também somos sossegados se tudo nos vai bem. Deus então, usa as provações para nos tirar de nossa indiferença gerada pela tranquilidade. Muitos crentes são mais fiéis em suas provações do que em suas bonanças. Esta é uma grande realidade.

Não precisaria ser assim, podíamos usar todos os recursos de nossas facilidades para obedecermos a Deus e realizarmos Sua obra. No entanto, o sossego é mais amigo da carne do que do espírito! Será que vamos esperar que as coisas fiquem totalmente difíceis para nos movermos no reino de Deus? Por que não aproveitarmos que podemos nos mover agora mesmo e então realizarmos a vontade do nosso Deus?

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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