“Que é o homem, para que tu lhe dês tanta importância, para que dês a ele atenção, para que a cada manhã o visites, e que a cada momento o ponhas à prova?” (Jó 7.17,18).
Numa época como essa em que vivemos, onde palestras disfarçadas de pregação têm dito que temos tanto valor a ponto de Jesus ter vindo à terra morrer por nós, precisamos parar um pouco para pensar no que realmente significa valor perante Deus. Semelhantemente a Jó, Davi também fez uma ponderação como essa. Ele disse no Salmo 8.4: “Que é o homem, para que dele te lembres? E o filho do homem, para que o visites”? A realidade é que existe entre Deus e Suas criaturas um abismo infinito de importância. Deus é importante, Deus é necessário, o homem é derivado, é contingente.
Na verdade, o que é mesmo o homem? Em sua existência, a única dignidade que ele tem é que lhe fora conferida pelo Criador Sua imagem e semelhança. Em si mesmo o homem não tem nada de importante. Assim como o oleiro escolhe o tipo de vaso que vai fazer a partir do mesmo barro, assim também Deus escolhe o que irá fazer com cada uma de Suas criaturas. Aos que Ele quiser dar importância, eles a terão; aos que Ele não quiser, não terão!
Para Jó, se o homem é insignificante diante de Deus, então tanto faz. Dar a ele importância ou não, visitá-lo ou não, colocá-lo à prova ou não, isso não faz diferença. Só fará alguma diferença se o homem tiver algum valor para Deus e, como criação, nada pode ter precedência sobre o Criador e só terá o valor que Ele decidir dar.
Jó então preferia que fosse desvalorizado. Talvez assim, Deus Se esquecesse dele um pouco e lhe desse um tempo ao menos para engolir a saliva (v. 19). Se ter valor para Deus significava que ele iria passar o resto da vida em provação, era melhor não ter valor nenhum.
Porém, a pergunta é outra. Não quem é o homem para que Deus lhe dê valor, mas quem é o homem para determinar a Deus o que Ele tem que dar ou não valor! As desilusões, sofrimentos, expectativas frustradas, nada disso justifica que coloquemos Deus no banco dos acusados. Ele é Deus e dá valor a quem quer e joga fora a quem quer! Se com “valor” Ele quer dizer provar, então é isso que “valor” vai significar! Valor para Deus não é o que nós pensamos sobre o termo e sim o significado que Ele deseja que tenha.
Quando Jó perguntou a Deus por que não tirava dele sua iniquidade e lhe perdoava seu pecado (v. 21) não era porque Jó estava cônscio de seu pecado, mas ele queria dizer que era isso que Deus achava dele. Se era isso que Deus achava, então que expusesse logo e resolvesse, para que a sua aflição acabasse.
Na verdade, o que Deus estava mostrando era que Jó era apenas um apontamento para Cristo, o verdadeiro Fiel e Justo, aquele que jamais pecou, o único inocente da humanidade e que sofreu injustamente. Este sim, tinha valor próprio diante de Deus, pois era o Filho de Deus! Sem ter pecado, Ele levou sobre Si nossos pecados e, ao contrário de Jó, Ele não Se queixou. Se hoje temos algum valor, é somente por causa de Jesus Cristo, o Filho de Deus!
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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