“Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim
de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” (Jo 9.39).
No encontro de Jesus com o cego de nascença houve uma verdadeira confusão sobre a cura daquele homem. Dentre as várias discussões apresentadas no cap. 9 sobre a cura, uma delas é a rejeição que aquele homem sofreu das autoridades religiosas. Diz o texto que ele foi expulso da sinagoga (v. 34), algo que, para a época, era uma completa marginalização, inclusive social.
O milagre físico que Jesus fizera naquele homem causou espanto a todos, uma vez que jamais se havia ouvido dizer que qualquer cego de nascença tivesse sido curado! Muitos cegos voltaram a ver, mas, ser curado dessa doença adquirida no nascimento era algo inédito!
Os fariseus ficaram endurecidos contra Jesus diante desse milagre. No entanto, aquele homem ficou predisposto à fé. O mesmo milagre que quebrantou o cego, endureceu outros. Os incrédulos estavam mais preocupados em ser aquele dia um sábado (v. 16) do que maravilhados com a dimensão do milagre.
Essa preocupação com sua religiosidade vazia era o que levava aqueles fariseus a pensarem que tinham luz espiritual. No entanto, não creram em Cristo. Aliás, haviam combinado que se alguém dissesse que Jesus era o Cristo (Messias), este deveria ser expulso da sinagoga (v. 22). Ironicamente, o homem expulso dos privilégios da sinagoga, foi o único a ter o verdadeiro encontro com o Messias! O único considerado pecador foi o que encontrou a luz!
Esse é o contexto da fala de Jesus. Ele disse que veio ao mundo para juízo. Não o juízo eterno, pois em Sua primeira vinda não foi esse o propósito. Mas já era um tipo de juízo, no qual as coisas eram colocadas em seu devido lugar. Os que pensavam ter luz por sua religiosidade, na verdade Cristo denunciou que estavam em trevas, ao passo que aquele que reconhecesse estar em trevas, Cristo lhe traria para Sua luz!
Assim é o verdadeiro evangelho até hoje. Ele separa as coisas. Ele tem cheiro de vida para os salvos e cheiro de morte para os condenados. O evangelho salva e condena! Traz luz e também escurece as vistas. Como exemplo, temos as parábolas de Jesus. Ele as contava para trazer luz para os eleitos, enquanto confundia a mente dos reprovados!
A cura daquele cego foi um fato que apontava para uma
realidade espiritual. Os pecadores que são cegos, ao reconhecerem isto, são
trazidos à luz pelo evangelho. Os que pensam que enxergam, que se consideram
melhores por causa de seu ritualismo e suas obras de caridade, a estes, Jesus
veio torná-los cegos! Não que eles veem, mas porque acham que veem. O pior cego
não é aquele que não quer enxergar; o pior cego é aquele que pensa que enxerga!
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

Comentários
Postar um comentário