REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0742 - COMUNICAÇÃO DA CONEXÃO E COMUNICAÇÃO DA COMUNHÃO

 


Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa” (2Jo 12).


Os dias atuais são marcados pelo frisson do tempo. As atividades são múltiplas, o conhecimento é global, os profissionais devem dominar várias tarefas e a comunicação tornou-se virtual. Existe nisso uma vantagem, pois podemos nos comunicar com pessoas distantes em um piscar de olhos, com o mínimo de latência possível. No entanto, a comunicação dessa forma nos tornou impessoais.

As conversas se tornaram impessoais porque são indiretas. Primeiro chega a mensagem, depois que lemos ou escutamos é que vamos reagir. Porém, nossa reação não é espontânea, é ensaiada. Não há mais aquela surpresa da reação. Os emojis substituíram nossas reações ao que nos é dito, de modo que enviamos respostas com aquelas carinhas, tentando mostrar ao outro o que estamos sentindo.

O apóstolo João não quis usar nada disso, ainda que escrevesse uma breve carta para uma igreja. Certo é que a escrita, desde que existe, ela existe para facilitar e espalhar a comunicação. João escreveu três cartas, um Evangelho e o livro do Apocalipse. Eles foram de grande valia para a doutrina, para a teologia e para a evangelização da igreja primitiva, mas nada poderia substituir para o apóstolo, a presença face a face com os irmãos.

A comunhão é algo que deve mexer com nossos sentidos. Ela envolve a visão, o olho no olho, a audição, quando ouvimos o que nosso irmão tem a dizer, a fala, o paladar, quando desfrutamos de bons momentos no partir do pão, o cheiro do ambiente onde nos reunimos e os abraços fraternais, que preenchem nosso tato, o sentido do toque, o toque de pureza e amizade!

Na correria dos nossos afazeres, nossos sentidos se distanciaram e nossa comunhão pereceu. Já foi feita uma pesquisa em que a maioria dos entrevistados prefere ser comunicada via WhatsApp, de preferência sem ligação e sem chamada de vídeo. A facilidade para se comunicar e a rapidez com que isso acontece, simplesmente diluiu o contato e a presença.

O apóstolo disse que preferia ir ter com os irmãos, falar de viva voz e isto para que a alegria deles fosse completa. Será que temos realmente essa alegria completa quando ficamos assim, longe uns dos outros, sem reação espontânea, sem a reunião daquele grupo?

Infelizmente, aquilo que mais acelerou a comunicação, foi o que mais atrasou a comunhão. Aquilo que mais conectou pessoas, foi o que mais distanciou os rostos. Conectar é diferente de comungar. Na comunhão, na presença, no face a face, nossa alegria é completa. Tenhamos comunhão com nossos irmãos.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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