REMINISCÊNCIAS DEVOCIONAIS 0734 - COLHEITA DE RABISCOS

 


Quando fizerem a colheita de sua terra, não colham as espigas nos cantos dos campos nem apanhem aquilo que os ceifeiros deixarem cair. O mesmo se aplica à colheita da uva. Não cortem até o último cacho de cada videira nem apanhem as uvas que caírem no chão. Deixem-nas para os pobres e estrangeiros que vivem entre vocês. Eu sou o Senhor, seu Deus” (Lv 19.9,10).


O cuidado de Deus para com os pobres, necessitados, estrangeiros e desprezados dentre o Seu povo era algo comprovadamente ausente nas legislações da antiguidade. Deus ordenou que Seu povo tratasse o estranho com humanidade porque Seu povo também tinha sido escravo no Egito durante séculos e ali foram destratados!

O cuidado de Deus para com Seu povo era tão grande que, mesmo eles levando as primeiras colheitas para Deus em oferta (essas colheitas eram chamadas “primícias”), ainda assim, Deus lhes dava uma colheita abundante após isso! Com as primícias, eles sustentavam os levitas e sacerdotes e com sua abundante colheita sustentavam a si e suas famílias.

No entanto, as sobras de suas colheitas não deveriam ser trazidas para casa. Aqueles frutos que ficavam à beira do caminho, aqueles que sobravam nas árvores e aqueles que caíam no chão, não deveriam ser trazidos para casa (isso era chamado de colheita de “rabiscos” – v. 10, ARC; Is 17.6; Mq 7.1). Deveriam ser deixados onde estavam para servir de mantimento para os pobres e estrangeiros. Assim, Israel se mostraria grato a Deus por tê-lo livrado da escravidão, enquanto glorificava a Deus ao tratar de estrangeiros em sua terra.

Foi desta forma que Boaz fez com Rute, permitindo que ela colhesse espigas após os ceifeiros (Rt 2.8,9). Essas sobras de frutos e grãos que Israel deixava para os carentes mostrava que Israel era também espiritualmente uma bênção para outras nações, pois era a única nação à qual Deus, o Deus único e verdadeiro havia Se revelado! As outras nações seriam abençoadas com as “sobras”, por assim dizer, da revelação que Israel tinha recebido.

A mulher cananeia, na época de Jesus, percebeu isso. Nosso Senhor veio primordialmente para o Seu povo (Jo 1.11). Jesus era o verdadeiro fruto que Israel teve a oportunidade de colher. As demais nações seriam abençoadas com Israel, caso eles não tivessem rejeitado Jesus. Nosso Senhor seria a colheita principal de Israel e nós, os gentios, colheríamos aquilo que caísse da mesa dos filhos, como disse aquela mulher a Jesus (Mt 15.26,27).

No entanto, Israel rejeitou o fruto de Deus. E nós, que ficaríamos apenas com as sobras das bênçãos dos judeus, acabamos por receber o principal! Deus olhou para nós, pobres e estrangeiros com olhar de misericórdia! Na morte de Seu Filho, a diferença entre Israel e os gentios foi eliminada completamente (Ef 2.12-14). Agora somos povo de Deus. Agora alcançamos misericórdia (1Pe 2.10). Agora comemos à mesa de Deus e não as migalhas do chão.

Día tes písteos.

Pr. Cleilson

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