“Demoliu com violência o seu tabernáculo, como se fosse
uma horta; destruiu o lugar da sua congregação. O Senhor, em Sião, entregou ao
esquecimento as festas e o sábado e, na indignação da sua ira, rejeitou com
desprezo o rei e o sacerdote” (Lm 2.6).
Um dos maiores erros teológicos do povo de Israel foi pensar sobre Deus como as demais nações pensavam de seus deuses. O pensamento era que, se seu deus é deus dos vales, aquela nação não perderia nenhuma batalha nos vales, só nas montanhas; se fosse deus dos rios, suas pelejas marítimas sempre se mostrariam vitoriosas e assim por diante.
O povo de Deus pensou que o fato de o templo estar construído ali em Jerusalém, esta cidade jamais seria destruída, uma vez que no templo estava a arca da aliança do Senhor com o Seu povo, que simbolizava Sua presença e proteção. Todo este conceito teológico foi jogado por terra quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém e destruiu violentamente pessoas e coisas!
O fato de Deus estabelecer um lugar para proclamar Seu nome não significa que Deus esteja confinado àquele lugar. Realmente Ele estabeleceu Jerusalém para isso e ali instalou Sua presença mediante o templo e a arca. Porém, isso não era uma licença para o povo viver do jeito que bem quisesse, até porque, na lei de Deus já constava quais seriam as punições pela desobediência. O cativeiro era uma delas.
Nesta lamentação do profeta Jeremias, ele diz que o inimigo de Jerusalém foi o próprio Deus. Foi Deus quem demoliu seu tabernáculo, isto é, o templo, embora saibamos que quem o destruiu foi Nabucodonosor. Foi Deus quem devorou Israel, seus palácios e sua fortaleza (v. 5). Foi Deus quem retirou Sua destra da frente dos inimigos e a firmou contra Seu povo (vs. 3,4). O profeta diz que Deus rejeitou Seu próprio altar, detestou Seu santuário e entregou os muros e castelos nas mãos do inimigo (v. 7).
Mesmo que tenha sido Nabucodonosor o protagonista de toda essa destruição, o profeta Jeremias atribui tudo isso a Deus. O rei babilônio foi apenas o meio que Deus usou para punir Seu povo. Ele foi tão-somente o instrumento de execução e aplicação da pena, mas quem a determinara fora o próprio Deus. Ele não poupou nem respeitou Seu próprio santuário, os sacerdotes, os reis e príncipes, antes os destruiu a todos.
A lição que fica para nós é que confiar na externalidade dos ritos, dos sacramentos, dos templos, dos grupos, das liturgias e de todo aparato religioso é inútil quando não se vive uma vida de santidade e conformidade à lei de Deus. O Senhor não Se importa com tais coisas externas, antes, Ele exige de nós um coração cheio de temor, obediência e compaixão.
Incrivelmente, ainda há crentes que confiam na
superficialidade cerimonial, que pensam que o fato de pertencerem a uma
denominação (ou não) vai convencer a Deus de não executar o Seu juízo. Somente
um coração cheio de arrependimento e fé é que podem agradar a Deus e livrar o
pecador de sua justa sentença.
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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