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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O EVANGELHO E SUA PROPOSTA NADA RELIGIOSA



Por: Rev. Wellington Miguel

O aparente “crescimento” da chamada “igreja” evangélica, infelizmente nada tem a ver com o que propõe o Evangelho. E, em função da extensão dessa temática, limito-me a escrever sobre o fato de que é um reducionismo assim qualificar o Evangelho a pretensão de ser uma religião. Sim, “o Evangelho não está em disputa com as religiões do mundo e nem tampouco pretende ser uma delas” - Caio Fábio.

É justamente na concepção de que o Evangelho é uma religião que se propõe, é que se fragmenta cada vez mais e suas inúmeras denominações vão surgindo em defesa de seus inegociáveis “dogmas”. A verdade é que essa fragmentação nada tem a ver com crescimento e sim decrescimento-enfraquecimento da presença do povo de Deus na terra. Além disso, o espírito competitivo de mercado adentrou a consciência dessa suposta “igreja” de modo que exala ao ar o fétido cheiro de um arrebanhamento meramente local e para si, como se o Reino estive confinado ali. Então, temos aqui o reducionismo que se faz do Reino sendo que, na verdade, este Reino abarca todo o universo visível e invisível que inclusive inclui o nosso planetinha.

Bons eram os tempos de Jesus e dos primeiros discípulos. Eles se identificavam simplesmente dizendo: “Somos da Igreja que está em Colossos, ou em Éfeso, ou em Filipos, etc.”. Não havia preocupações com templos adornados e nem se media o sucesso dela pelos seus prédios, pois, inclusive, essa expressão sucesso (com sua conotação atual) nem era empregada, antes, o que se empregava era a expressão FIDELIDADE.

Infelizmente, o que a Reforma prenunciava ficou por ali mesmo, SOLA SCRIPTURA. Se essa pérola tivesse sido tirada do terreno de onde foi reencontrada, a “igreja” teria de todo se libertado. Mas ao reencontrá-la mantiveram-na lá, no terreno da religiosidade e preso nas raízes de seus incansáveis “dogmas”.

O Evangelho, antes, é uma pessoa. O Evangelho, antes, é a Palavra que estava com Deus, aliás, a Palavra é Deus. Já é possível notar o quão descaracterizado está o chamado Cristianismo, que nada mais é do que um “ismo” entre tantos outros que existem em função dos seus “ismos” viciados e supostamente pautados no Evangelho. Sendo Palavra-Pessoa, logo é Vida. Quem afirma isso é o apóstolo João quando diz que “a Vida se manifestou; nós a VIMOS e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a Vida Eterna, que estava com o Pai e nos foi MANIFESTADA”. Este é Jesus, cujo nome é PALAVRA DE DEUS – Ap 19.13

Vida é fluxo, é dinâmica, é experiência relacional, é trajetória existencial, é movimento. Quando digo que o Evangelho como religião é um reducionismo, o digo em razão da grandeza e da dinâmica com que é em relação à pequena forma religiosa da religião. Religião se diz daquela que se dá na frequência de suas reuniões; seus ritos, formas, modos e modas com que assim dizem estar em relação com o Sagrado, de sua pretensa postura de juíza dos homens, de sua mera observância em relação aos seus costumes e tradições, de suas ameaças sobre aqueles que não cumprirem seus “mandamentos-verdades”, de sua doentia arte de incentivo na relação com o Sagrado através de barganhas, de sua semelhança catolicista com altares sacerdotais, de seu medo de falar a verdade e dar ao povo o que é de direito: LIBERDADE orientada pela consciência na VERDADE do Evangelho-VIDA. Inclusive, hoje, estranho e suspeito é falar a verdade, correndo-se o risco de ser tachado de herege e queimado em praça pública pelo fogo da língua dos fariseus dos nossos tempos.

Então, o que se propõe o Evangelho? Ora, propõe o que lhe é peculiar e natural, a VIDA. A vida com todo o seu olhar livre e limpo. A vida que se dissolve como sal na terra dos relacionamentos e assim, dissolvendo-se, ganha significado para aquele em quem se dissolve. A vida como luz-referência diante dos homens, sendo que esse brilho redirecionará o olhar para o Pai, o digno das glórias rendidas. A vida com toda a sua capacidade de tão somente discernir o que é bom e assim viver. A vida com toda a sua ambiguidade e paradoxo, entretanto, com alegria e gratidão. A vida com toda a sua coletividade cultural e habitual entre os humanos. A vida com toda a sua natureza criada para admiração e preservação. A vida com todo o direito de compreender que só vale a pena viver, se for a serviço do próximo. A vida livre a tal ponto de ser capaz de discernir o indiscernível nas dinâmicas da existência. A vida onde o amor não é o confuso amor confundido no pecado, mas o amor como naturalidade dos movimentos do ser de quem nasceu do alto, nasceu dAquele, Deus, o próprio Amor e que faz de nós também, pessoa-amor, de modo que tal obra torna-se inseparável daquele em quem assim é feito.

Assim sendo, nossos ajuntamentos, tornam-se num encontro livre e dinâmico de pessoas que irão dar continuidade ao culto que nunca termina e que ali será em unidade e comunhão, ou seja, o simples prazer de se desfrutar da presença uns dos outros e acima de tudo encontrarem-se em torno do NOME e de sua genuína Palavra. Simples assim e assim é o Evangelho, posto que o Evangelho Se fez carne para que não se o reduzisse à tecnicidade, nem sistemas de ritos, nem em dogmas, nem em meras estruturas teológicas sistêmicas, nem em tradições de nenhuma forma de “fé”, mas unicamente e tão somente em vida e espírito, pois o próprio Evangelho-Carne disse em sua Palavra: “as minhas Palavras são espírito e vida”.

Dessa forma, enviado pelo Pai, Ele, Jesus, também nos envia para sermos o EVANGELHO em carne-modo-vida.

Na busca pela razão da Encarnação do Verbo,

Wellington Miguel

Discípulo

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