Teolatria

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quinta-feira, 8 de março de 2012

SERÁ QUE NÓS VIVEMOS MESMO EM COMUNHÃO?


O significado mais simples da palavra "comunhão" é "ter tudo em comum". Vem do grego koinē, que quer dizer "comum". Algo como "minhas coisas são suas também".

Com sinceridade, não nos vejo com essa qualidade. Lucas diz que os primeiros discípulos "perseveravam... na comunhão" (At 2.42). A palavra perseverar, literalmente significa "estar sólido ao lado de". Não me parece que era fácil. Mas esta palavra denota insistência. Podemos não nos dar bem agora, mas vamos continuar juntos, porque amanhã já estaremos nos dando melhor... Claro que isso fala de concessão de ambas as partes, não apenas de uma. Se apenas uma parte cede, enquanto a outra permanece rígida, isso não é bom pra ninguém, nem tampouco resultará na comunhão bíblica. As arestas de ambos os lados precisam ser aparadas.

No v. 44, Lucas diz que eles "tinham tudo em comum" e logo após ter escrito isso, ele explica: "Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade" (v. 45 - NVI). Ainda entendemos pelo v. 46 que nem mesmo o pão de suas casas era propriamente seu, senão que repartiam entre si. Suas refeições eram feitas sempre em ajuntamento.

Posso pensar na cultura judaica como algo que favorecesse a comunhão na igreja primitiva. Não na cultura como um todo, mas na área da hospitalidade. Tal prática era uma virtude oriental. O Talmude alistava a hospitalidade como uma dentre as seis mais importantes virtudes que um homem pode ter, e que serão galardoados no mundo vindouro. Portanto, entendemos o porquê da hospitalidade ser uma importante virtude. "Porque é uma forma prática de alguém dar de si mesmo; e aqueles que mais dão de si mesmos são os que mais se assemelham a Jesus Cristo, que nunca poupou coisa alguma de Si mesmo, em Seu serviço aos outros" (R. N. Champlin - EBTF - Vol. 3, p. 167). Não resta dúvida de que Jesus também Se serviu da hospitalidade alheia (Mt 26.6-13; Lc 7.36-50; 10.38-42; 19.5; etc.). O cristianismo, portanto, veio a dar continuidade a essa prática, sendo uma recomendação para bispos e viúvas (Tt 1.8; 1Tm 5.10), bem como uma recomendação para todos os cristãos (Rm 12.13; Hb 13.2; 1Pe 4.9; 3Jo 8).

Já a cultura ocidental é pouco acolhedora. Tanto por causa do desejo ávido pelo dinheiro (pois os ocidentais pensam o quanto podem arrancar de alguém a quem pretendem ajudar), como também por causa da desconfiança (visto que nem todo andrajoso é lá esse servo de Deus que a gente pensa).

Entretanto, mesmo não tendo nossa cultura nos ensinado a sermos hospitaleiros, isso ainda não justifica a falta de comunhão que vivemos. Parece que mais uma mazela cultural nos atinge, que é a posse egoísta de tudo que compramos. Desde criança a gente não aprende o que significa compartilhar, a não ser entre poucas famílias. Crescemos com a ideia de que "é meu tudo o que conquistei com meu esforço". Até mesmo certas coisas sem esforço algum, daí a não valorização dos presentes que ganhamos. Essa nossa subcultura é um terrível adversário no exercício da comunhão. Temos receio de compartilhar o que temos e, ao mesmo tempo, não valorizamos aquilo que temos.

Sinto dizer que até mesmo as canções evangélicas de hoje nos levam à prática da mesquinhez. Tais canções são produtoras de um individualismo idólatra, porque Deus fará isso por mim, eu conquistarei aquilo, eu direi e profetizarei isto ou aquilo e tudo vai dar certo, o mar vai se abrir, e outras bobagens mais. E meu irmão, onde fica? Nas músicas de hoje, ele me perseguiu, agora vai ver minha vitória. Ele vai ter que me aplaudir de pé, ele vai ficar na plateia e eu no palco, etc. Como diz a linguagem da internet: "Aff...". Realmente, com uma mentalidade dessas, a comunhão (que naturalmente já não existe) se afasta mais ainda!

Não é sem luta que venceremos o individualismo imperante no seio da igreja. Vamos ter que "remar contra a maré", porque tudo caminha para o outro lado. Frases como: "Se eu conquistei pelo meu esforço, por que o outro também não pode conquistar?" e outras colocações semelhantes só mostram o quanto estamos distantes da prática da comunhão. Parece que o primeiro passo para a vitória contra o individualismo é o desapego. Quanto mais eu coloco meu coração nos bens que possuo, mais ali estará o meu tesouro, e com isso, mais difícil fica compartilhar. O crente egoísta tem medo que sua despensa diminua o nível; já o crente que comunga quer ver o nível subir na aplicação para com o próximo. O crente egoísta tem medo de ver seu arroz baixar de nível na sacola; já o crente que comunga quer ver o arroz subir de nível na barriga faminta de seu irmão.

Vamos nos lembrar que a prática da comunhão é tão profunda e necessária. Torna-se um sacrilégio participarmos da ceia da forma que nós vivemos... pois quando comemos o pão, estamos simbolicamente dizendo que temos comunhão com nosso irmão, visto que cada pedaço de pão representa um membro do corpo de Cristo, pois Cristo disse que o pão é o Seu corpo e Paulo disse que o corpo de Cristo é a igreja. Por isso Paulo nos chama de um só pão (1Co 10.17). Quando comemos aquele pedaço de pão, suas propriedades passam a fazer parte de nosso corpo, assim como simbolicamente deveríamos ter comunhão com nosso irmão de tal forma que, nossas propriedades se fundem, se misturam e, em Cristo, passamos a ser um. Como isso pode ser verdade, se não compartilhamos as pequenas coisas (perecíveis e passageiras consequentemente)?

A oração sacerdotal de Cristo por nós é, em sua essência, para que sejamos UM (Jo 17.11,21-23). Fica difícil ser um, se nos dói começar pelas coisas mais simples...

Dia tes písteos.

Pr. Cleilson

4 comentários:

  1. Maravilhosa palavra...Pastor obrigada...sempre que leio, ouço ou vejo suas pregações sinto que Deus tem dado oportunidade de aprender o evangelho dele...Obrigada por pregar, falar a verdade de Deus..Meu coração se enche de alegria em ouvir a voz de Deus e mudar minha reta...Comunhão é algo dificil mais precisa partir de mim...

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  2. Bem-vinda sempre por aqui, minha irmã. Notável a sua observação. Precisa partir de mim. Se todos conseguirmos permitir que o Espírito nos leve a pensar e agir assim, a comunhão não será mais um sonho...

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  3. A igreja moderna precisa olhar para o exemplo da igreja primitiva, que mesmo não tendo sido perfeita, refletia muito o caráter de Cristo.Nós precisamos, na linguagem de John Stott, ser discipulos radicais, e como ele mesmo coloca em seu livro "O discípulo Radical", uma das características desse discípulo é que ele não se conforma com esse mundo, ou seja, com as tendëncias contemporäneas, sendo que uma delas é o narcisismo, onde a tônica é o amor próprio.Os "crentes" narcisistas amam a sí mesmo sobre todas as coisas, a palavra comunhão não faz parte do vocabulario deles, por isso suas vidas são direcionadas tão somente para a realização de seus desejos egoístas.Que Deus nos ajude a nunca cedermos aos apelos desse sistema anti-Deus que impera no mundo atual e que possamos nos amar uns aos outros, cumprindo assim a lei de Cristo.

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  4. É verdade, irmão Wesley. Tenho esse último livro do saudoso Rev. Stott. E sobre o amor-próprio, os crentes de hoje confundem o mandamento amar ao próximo como a ti mesmo, como se fosse pra se amar antes de amar o outro. Porém, o conteúdo do mandamento é amar o próximo como se ele fosse você...

    Abraços.

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