“E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram”
(Mt 8.23).
O apóstolo Mateus, ao relatar o primeiro episódio de uma grande tempestade, ele usa este versículo que lemos como transição. Este versículo serve tanto para a narrativa que vem adiante, que é a da grande tempestade, bem como serve para conclusão da narrativa que veio anteriormente, que é a que vamos observar.
Antes de Jesus entrar no barco e Seus discípulos O seguirem, houve, segundo Mateus, um encontro de alguns pretendentes a discípulos de Jesus. Um deles era um escriba, homem versado na lei e profundo conhecedor da Escritura do AT (v. 19).
Sua proposta era a de seguir Jesus aonde quer que Ele fosse, mas Jesus lhe desmascarou o coração. No v. 20, Jesus escancara o que estava oculto nas intenções daquele homem. Quando Jesus lhe diz que raposas e pássaros têm melhor refúgio do que o Filho de Deus, Jesus está lhe dizendo algo como: “Meu jovem, você está enganado quanto ao que significa Me seguir. O que você espera é conforto e isso Eu não tenho para oferecer”.
A história da igreja é repleta de pessoas que largaram seu conforto para se dedicarem à obra do Senhor, mas não faltaram também oportunistas, que usaram o reino de Deus para se darem bem. Para Jesus, tais não servem como discípulos.
O outro homem já era um de Seus discípulos, diz-nos Mateus (v. 21). Sabemos que Jesus tinha muito mais discípulos do que apenas aqueles doze. Estes foram os escolhidos para o colégio apostólico, mas havia outras dezenas, talvez centenas de discípulos de Jesus, conforme podemos ver 70 deles em Lucas 10.
Sua proposta para Cristo era a seguinte: “posso até Te seguir, Senhor; mas minha família, meus pais, especialmente meu pai, terá prioridade”. O fato de pedir para primeiro sepultar seu pai não quer dizer que o velho já estava moribundo, senão que ele queria conviver com seus pais até à morte, para só então fazer a obra de Deus.
Ora, é legítimo honrar os pais. É lei, é dever. Mas quando esta honra começa a interferir em seu amor por Deus, que deve estar acima de e em todas as coisas, logo, não é mais honra e sim idolatria ou motivo de desculpa para se eximir do compromisso na obra de Cristo. A resposta do Salvador foi que “os mortos que sepultem seus mortos”, isto é, deixe as tarefas desta vida terrena para aqueles que já são mortos espirituais!
Agora sim, Mateus se volta para os verdadeiros discípulos. Ao contrário do escriba e deste discípulo acomodado, os verdadeiros discípulos, ao entrar Jesus no barco, O seguiram! Isso sim, é o verdadeiro discipulado. Eles não sabiam que viria uma grande tempestade, mas entraram no barco porque Jesus entrara também. Não sabiam para onde Jesus ia, mas O seguiram porque o importante para o verdadeiro discípulo não é o destino e sim a Pessoa!
Eis aí porque Mateus usou este versículo não só como
introdução para o episódio da tempestade que viria adiante, mas como conclusão
do que é um verdadeiro discipulado com o nosso Senhor!
Día tes písteos.
Pr. Cleilson

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